Históricos: uma final portuguesa, com certeza

Portugal, por norma, sempre se viu bem representando pelos seus clubes nas competições europeias de futebol, mas nunca tão bem como no ano de 2011.

Com três equipas portuguesas a atingirem as meias finais da Liga Europa, o quase inevitável esperava-se e acabaria mesmo por se concretizar, quando FC Porto e um surpreendente SC Braga alcançaram a final, tornando esta a primeira final europeia de clubes 100% portuguesa e a que protagonizaria os adversários mais próximos a nível geográfico até à data, batendo o anterior recorde da supertaça europeia de 1988.

Os caminhos de ambas as formações nortenhas até à final foram algo distintos. De um dos lados surgia um FC Porto já condecorado campeão nacional e vencedor da Supertaça nesse ano ainda com duas finais por disputar (além da Liga Europa, defrontaria o Vitória SC na final da Taça de Portugal). Do outro lado, por sua vez, estava o SC Braga, equipa sensação da Liga Zon Sagres na época anterior (após um histórico 2º lugar), condição que se prolongaria, desta feita, na Liga Europa do ano seguinte, ao atingir a primeira final europeia da história do clube, após eliminar, inclusive, o SL Benfica nas meias finais da competição.

Ironicamente, no entanto, nesse ano, enquanto que os dragões tiveram que garantir o acesso à segunda maior competição da UEFA por via dos play-offs, os guerreiros do Minho também haviam conseguido uma qualificação, mas para a Liga dos Campeões, onde terminariam o grupo no terceiro posto, o que lhes permitiu jogar os 16 avos de final da Liga Europa.

Um glorioso FC Porto e um sensacional SC Braga constituíam, com isto, os dois finalistas da prova que ditaria o segundo campeão europeu desse ano. Numa final que se disputaria em Dublin, capital Irlandesa, muito se especulou sobre o resultado. Uma coisa seria sempre certa: o troféu só pararia em Portugal.

Apesar de claros favoritos neste jogo, os azuis e brancos viram os arcebispos a disporem da primeira grande oportunidade, com Custódio a desperdiçar uma jogada frente a frente com o guardião Helton. A resposta surge ao minuto 7, com Hulk a arrancar pelo corredor direito do ataque portista e a quase abrir o ativo, após puxar o esférico para o centro do terreno, mas a rematar ao lado do poste direito da baliza defendida por Artur Morais. Pouco depois desta jogada, os bracarenses adotaram uma mentalidade mais defensiva, com o jogo a ficar carente de oportunidades flagrantes para ambas as partes.

A partida parecia encaminhar-se a zeros para o intervalo, quando o suspeito do costume, Radamel Falcao, após um cruzamento milimétrico de Guarín, cabeceia para o fundo das redes arsenalistas, abrindo o ativo ao cair do pano e apontando aquele que seria o único golo de todo o encontro, cimentando também o seu lugar no topo da lista de melhores marcadores da competição nesse ano (foram 17 os golos assinados pelo colombiano ao longo da época na Liga Europa).

Após algumas mexidas por parte do técnico Domingos Paciência, introduzindo Kaká e Mossoró, foi de novo o Braga quem dispôs da primeira oportunidade na segunda metade da partida, com o número 8 brasileiro a apanhar o central Fernando desprevenido, roubando-lhe a bola e a isolando-se totalmente na cara de Helton, num lance semelhante ao protagonizado por Custódio no primeiro tempo, mas de novo a não surtir efeito, com uma boa defesa do guarda-redes azul e branco.

Era o Braga quem comandava as operações em Dublin, mas Fernando Belluschi ainda entrou a tempo de assustar os arsenalistas, com um remate a passar muito perto dos postes vermelhos e brancos.

Com o jogo a continuar sem grandes oportunidades, foi apenas já bem para lá do minuto 90 que Alan ainda conseguiu uma falta perto do meio campo, o que motivou a subida de Artur Morais à grande área do Porto. O guardião conseguiria mesmo cabecear a bola, mas esta sairia sem força e direta para as mãos de Helton, que a segurou sem problemas. Logo de seguida soaria o apito do juíz da partida, pondo fim ao sofrimento dos adeptos da invicta e garantindo, assim, o sétimo troféu internacional para o FC Porto, desta vez pelas mãos do técnico André Villas-Boas.

Foram os dragões que levaram a melhor, mas para a história fica uma final totalmente lusa, com mais um título europeu a rechear a sala de troféus portista e com um SC Braga a impor-se, não apenas como mais um clube, mas sim como um sério representante das cores nacionais além-fronteiras. À data, eram quatro as equipas portuguesas nos 16 avos de final da competição, feito que apenas se tornaria a repetir este ano (2019/20). Será isto um bom presságio…?

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.