UEFA Europa Conference League: a nova competição de clubes

Foi sensivelmente há um ano (a 2 de Dezembro de 2018), após uma reunião em Dublin, que a UEFA, pela mão do seu comité executivo, aprovou a criação de uma terceira competição internacional de clubes, cujos detalhes, no entanto, apenas começaram a sair aos poucos ao longo da primeira metade da presente época desportiva.

Assim nascia a nova “Europa Conference League”. Mas então, o que é, como e quando vai ser este torneio? Pois bem, vieram ao sítio certo. Neste artigo, o AMBIDESTRO esclarece todos os detalhes relevantes que, até à data, foram tornados públicos sobre este novo campeonato do qual muitos dos leitores, provavelmente, nem sequer tinham ouvido falar ainda.

Quem participará?

Participarão na prova 32 equipas, no entanto nenhuma se irá qualificar diretamente. Terão, antes da fase de grupos, que passar por pré-qualificações e/ou um play-off, consoante as classificações nas ligas domésticas na época anterior (à semelhança do que sucede na Liga dos Campeões e na Liga Europa, até então). Equipas que sejam eliminadas nas fases de qualificação da Liga dos Campeões ou da Liga Europa também poderão jogar o acesso a esta competição.

Qual será o formato?

Tal como na Liga dos Campeões, os qualificados ingressarão em 8 grupos de 4 equipas cada. Finda esta fase, os vencedores de cada grupo avançarão diretamente para os oitavos de final, enquanto que os segundos classificados (e é aqui que o formato difere) jogarão, antes, um play-off de acesso aos mesmos, onde irão defrontar os terceiros classificados dos grupos da Liga Europa. De resto, seguem-se os quartos de final, as meias finais e a final, tal como é costume.

Qual será o prémio do vencedor?

O vencedor da prova terá acesso direto à fase de grupos da Liga Europa do ano seguinte, do mesmo modo que o vencedor desta ganha acesso direto à fase de grupos da Liga dos Campeões da época posterior.

Quando decorrerão os jogos?

Tal como os jogos da Liga Europa, os da Conference League também serão jogados às quintas feiras. As partidas serão distribuídas entre os horários das 17h45 e das 20h (horas de Portugal Continental). As finais, por sua vez, serão sempre jogadas na mesma semana que as da Liga dos Campeões e da Liga Europa.

Que impacto terá nas outra competições?

Enquanto que a Liga dos Campeões se manterá inalterada no número de equipas, a Liga Europa terá uma redução no mesmo, passando a receber apenas 32, em vez das 48 que abrange atualmente. Além disso, o novo modelo das eliminatórias será também aplicado a esta competição, com os segundos classificados de cada grupo a jogar um play-off de acesso aos oitavos de final, frente, neste caso, aos terceiros classificados dos grupos da Liga dos Campeões.

Por fim, também os horários dos jogos sofrerão alterações, passando a ser jogados nos mesmos que os da Conference League (17h45 ou 20h). O mesmo sucederá com os jogos da Liga dos Campeões, desta feita às terças e quartas, como de costume.

Por que razão foi criada?

A UEFA justificou a criação desta terceira competição com a “crescente procura por todos os clubes de possibilidades de poderem jogar com mais regularidade nas competições europeias”, segundo afirmou Aleksander Čeferin, presidente do órgão máximo do futebol europeu. Surgiu, assim, no âmbito do “objetivo da UEFA de ter tanto mais qualidade como mais inclusividade nas (…) competições de clubes”.

Assim, o presidente garante que as competições da UEFA passarão a ser mais inclusivas que nunca, com mais jogos para mais clubes e com mais associações representadas na fases de grupos, passando estas a ser 34, pelo menos.

Como ficarão os clubes portugueses neste cenário?

Em Portugal, caso alcancemos o 6º posto do ranking, diante da Rússia, enquanto que os três primeiros classificados da Liga NOS terão acesso à Liga dos Campeões (os dois primeiros diretamente e o terceiro por play-off) e o vencedor da Taça de Portugal terá acesso à Liga Europa (pelas pré-eliminatórias da mesma), o quarto e o quinto classificados jogarão, então, as pré-eliminatórias da Conference League. Caso percamos a sexta posição para os russos, mantém-se o panorama atual, com duas equipas na Liga dos Campeões (uma diretamente, outra pelas pré-eliminatórias), com os dois lugares seguintes a darem acesso, mais uma vez, às pré-eliminatórias do futuro “terceiro escalão” do futebol europeu, sendo que a vaga no apuramento para a Liga Europa ficará, igualmente, a cargo do vencedor da prova rainha.

Que reações tem gerado?

Apesar do comunicado falar em inclusividade, o que é facto é que já se gerou uma enorme vaga de protestos e contestações contra a criação deste torneio, com diversos jornalistas e cronistas a argumentar exatamente o contrário, alegando que tal competição apenas irá “cavar um maior fosso” entre os “grandes” e os restantes clubes no continente, sendo que, apesar dos benefícios a curto prazo para os maiores emblemas, a longo prazo todos acabarão por sair prejudicados.

De frisar também que esta não será a suposta “Super Liga Europeia”, alegadamente proposta pela UEFA, que viria os maiores colossos europeus a competir num campeonato à parte dos restantes clubes.

Com ou sem lamentações, o que é facto é que a competição vai mesmo entrar em vigor, começando os primeiros jogos já no próximo verão de 2020. Apenas o tempo e a experiência dirão que consequências trará para o desporto rei no velho continente.

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.