Quem te viu e quem te vê: Jackson Martínez

Na rúbrica “Quem te viu e quem te vê” desta semana recordamos Jackson Martínez, o avançado colombiano que encantou os relvados portugueses ao serviço do FC Porto, mas que foi assombrado por lesões. O que fez o avançado nos últimos anos?

Jackson Arley Martínez Valencia, natural da Colômbia, deu os seus primeiros toques na bola com a camisola do Independiente Medellín, clube onde se formou e com o qual se estreou enquanto sénior, em 2005, época em que também se estreou a marcar.

Passando a ser opção cada vez mais regular, Jackson viria mesmo a sagrar-se campeão nacional pelo clube em 2009, época em que, com 18 golos e apenas 22 anos, se sagrou melhor marcador da liga.

Numa equipa que contava, também, com um jovem desconhecido Juan Cuadrado, as boas prestações ao serviço do clube renderam-lhe a sua estreia na seleção nacional colombiana nesse mesmo ano, na vitória por 2-0 frente ao Equador, em jogo a contar para a qualificação para o Mundial, jogo no qual, inclusive, faturou o primeiro golo pelos Cafeteros.

Chamou então a atenção do Jaguares do México (clube que se encontra, hoje em dia, extinto), para o qual se transferiu na época seguinte, a troco de sensivelmente 2.8 milhões de euros.

Com 19 golos em 35 jogos na terceira temporada pelo clube o que é facto é que o atleta, então com 26 anos, não passou despercebido a alguns nomes sonantes do futebol europeu, como o Liverpool. Acabou, no entanto, por escolher Portugal como destino, onde viria a representar os nortenhos do FC Porto, numa transferência que rendeu 8.9 milhões de euros aos cofres mexicanos e muitas futuras alegrias aos portistas.

Chegado à Invicta, pode-se dizer que melhor estreia seria impossível. Foi melhor marcador da liga nesse ano, com 26 golos nos 30 jogos, revelando-se peça crucial na conquista do tricampeonato por parte dos dragões, somando este título à conquista da supertaça em agosto, jogo no qual se estreou a marcar pelo clube. No total, com 31 golos em 43 partidas jogadas nesse ano, tudo indicava que os azuis e brancos haveriam encontrado em Jackson um autêntico bilhete de lotaria.

Em 2014/2015, apesar da “seca” de títulos no dragão, Jackson continuou a “espalhar magia”, conseguindo um registo impressionante de 32 golos em 42 partidas jogadas, o melhor da sua carreira até hoje.

O grande “salto” veio mesmo a realizar-se nesse ano, com uma transferência milionária de 37.1 milhões de euros para Madrid, onde viria a representar o Atlético.

Com mais ou menos minutos, Jackson acabou por ser opção em praticamente todos os jogos ao serviço do Atleti.

No entanto, o outrora “matador” da Invicta parecia desinspirado, com os golos a teimar em aparecer. Tal situação levou os Colchoneros a tomarem medidas logo em janeiro, aceitando uma proposta de 42 milhões de euros por parte do chineses do Guangzhou Evergrande, a maior transferência de sempre do futebol Chinês até à data.

Com um legado muito precário deixado no “velhinho” Vicente Calderón, com apenas três golos, esta mudança viria a revelar-se fatal para o atleta, que foi vendo a sua qualidade descer jogo a jogo, marcando apenas por quatro ocasiões pelo clube chinês no que restou dessa época. Uma temporada fraca a nível individual, contrastante com o “triplete” conseguido pela equipa (liga, taça e supertaça).

O que já parecia mau, conseguiu ficar, no entanto, ainda pior. Nos preparativos da época seguinte, o colombiano contraiu uma gravíssima lesão, que pôs mesmo em risco a continuidade da sua carreira. Tudo parecia então acabado.

O que é facto é que o jogador nunca desistiu de lutar para um dia regressar aos relvados, pelo que, apesar de ter permanecido dois anos longe da bola, acabou por voltar a assinar contrato com novo clube. O seu destino, no entanto, acabou por surpreender tudo e todos. Regressou a Portugal, ao serviço dos algarvios do Portimonense, a título de empréstimo.

De volta ao futebol e ao país que o catapultou para a montra europeia, para quem não jogava há duas temporadas e já com 33 anos, não protagonizou uma época má de todo, conseguindo nove golos e jogando todas as partidas disputadas pela equipa nessa época, conseguindo até um bis num jogo frente ao Vitória FC, feito que não conseguia desde há mais de três anos e meio.

Vendo o contrato com o clube chinês a chegar ao fim, acabou mesmo por assinar a custo zero com a equipa de Portimão até 2021, continuando, assim, a fazer valer o voto de confiança do técnico António Folha.

Teve altos e teve baixos a carreira deste enorme jogador da bola que, apesar da idade, lutou contra todas as adversidades, sendo, por isso, um enorme exemplo de perseverança.

Voltaremos algum dia a ver a veia goleadora do colombiano no seu expoente máximo? Apenas o futuro nos dirá…

 

Fonte da imagem: Getty Images

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.

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