Sub-21: Água mole em pedra dura, tanto bateu e não aconteceu

A seleção de sub-21 portuguesa perdeu por 4-2 frente à Holanda num daqueles jogos em que tudo poderia ter sido diferente.

Duas vitórias, seis golos marcados, zero sofridos e liderança no Grupo 7 de qualificação para o campeonato europeu. Era este o contexto da seleção portuguesa antes do confronto com a Holanda. Um embate entre duas seleções tradicionalmente formadoras de enorme talento. E a equipa portuguesa apresentava talento de fazer inveja a muitas seleções A. Só no onze estavam nomes como Rafael Leão, Gedson Fernandes, Domingos Quina… já no banco: Jota, Trincão, Rúben Vinagre… Muita qualidade.

O jogo demorou a aquecer. E foi ainda em fase de aquecimento que o primeiro golo surgiu. Num lance feliz, com alguns ressaltos, a Holanda acabou por aproveitar a primeira oportunidade para saltar para a frente do placard. Boadu inaugurou o marcador aos sete minutos numa altura em que a partida estava ainda pouco definida, morna e muito equilibrada. O que se passou a seguir foi prova disso.

Portugal acabou por reagir bem ao golo sofrido. A primeira chance nacional surgiu através do pé esquerdo de Rafael Leão que lançou uma bomba para Paes desviar para canto. Mais bola, mais controlo de jogo, mas oportunidades, no verdadeiro sentido da palavra, escasseavam. A Holanda bastava-se a jogar no erro de Portugal, o que não ia acontecendo muito. Na frente, a água do futebol do conjunto laranja ia passando quase sempre pelo aqueduto construído por  Kluivert e Stengs, os mais virtuosos.

Portugal é o azul. Dados: SofaScore

À meia-hora do jogo, o campo estava completamente inclinado. Portugal carregava e carregava, mas pedia-se uma melhor definição no último terço do terreno para que o perigo se transformasse em golos. Não foi preciso esperar muito para isso acontecer. O golo nacional acabou por surgir aos 41′ numa das muitas jogadas de insistência que o conjunto de Rui Jorge ia tendo. Diogo Queirós respondeu da melhor maneira ao cruzamento de Domingos Quina e bem lá no alto cabeceou para o empate. A haver justiça no futebol, ela estava feita e o jogo ia para intervalo com um sinal mais (muito mais) para Portugal. Como podemos ver pela imagem, o domínio era avassalador.

O segundo tempo começou quase fotocópia da primeira parte. Em mais um lance caído do céu, em mais um ressalto, a bola acaba por ir ter com os dedos (é mesmo assim) de Nuno Tavares e o árbitro assinala pénalti a favor da Holanda aos 48′. Koopmeiners não desperdiçou. Há jogos em que a sorte (azar no caso nacional) comanda.

Portugal voltou a reagir à contrariedade, manteve o domínio do jogo e até teve um golo anulado (muito duvidoso) poucos minutos depois. Mas voltou a fazer-se justiça depois de um pénalti assinalado na área holandesa aos 63′ que Gedson tranquilamente aproveitou.

Só depois do empate português é que se começou a ver uma Holanda mais atrevida e pela primeira vez a equilibrar as contas do jogo. Porém, e com a frente de ataque toda fresca (entrou Jota, Trincão, Nuno Santos e Pedro Mendes), a seleção nacional teve duas oportunidades claríssimas para saltar para a frente do marcador. Primeiro por Jota aos 78′ e depois por Pedro Mendes aos 80′. Mas é a tal história: quem não marca, sofre. Aos 83′, a Holanda volta a colocar-se a vencer contra a corrente de jogo e estava-se mesmo a ver que hoje era um daqueles dias.

A seleção de Rui Jorge nunca mais foi a mesma. O coração esteve sempre lá, mas a cabeça não. Ainda houve tempo para mais um da Holanda mesmo ao cair do pano com Stengs a fechar o marcador. Um resultado que não ilustra o que foi o jogo e o que é a enorme qualidade desta seleção. Mas o futebol tem disto.

Portugal perde o primeiro posto para os holandeses que somam os mesmos seis pontos com menos um jogo.

Dados: SofaScore

Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Licenciado em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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