Giannelli Imbula – Quem te viu e quem te vê

Uma das apostas de peso do FC Porto na temporada de 2015/2016 foi a contratação de Gianelli Imbula. Faltava acrescentar solidez ao meio campo após o regresso de Casemiro ao Real Madrid, chegando o atual capitão Danilo Pereira e o médio francês para satisfazer essa necessidade.

Imbula não era nenhum desconhecido no mundo do futebol, atraindo muita atenção de grandes clubes e forçando os dragões a investir 20 milhões na sua contratação, proveniente do Olympique de Marseille. Valores de peso que o tornaram o jogador mais caro de sempre do clube, juntamente com Óliver Torres.

Um médio de transição com um físico invejável nos seus gloriosos 1,86m de altura e capaz de transportar a bola da defesa ao ataque com grande graciosidade. Destacava-se a sua presença física, dribble e recuperação de bola, sendo capaz de dominar um meio campo com facilidade, estilo Patrick Vieira. Claro, as coisas não correram assim tão bem, senão não seria referenciando aqui.

Cumpriu meia época ao serviço do Porto, jogando 21 partidas na primeira metade da temporada 2015/2016, sendo assim uma peça significativa da equipa de Lopetegui. Contudo, o clube encarou como boa decisão rentabilizar o seu investimento rapidamente e vendeu o atleta por 24 milhões no mercado de janeiro, saindo o jogador pouco depois da saída do técnico espanhol.

O Stoke City foi o clube que fez este investimento no atleta francês, tornando-se o jogador mais caro da sua história, e mantendo este recorde no momento de escrita. Cumpriu 14 jogos na liga inglesa na segunda parte da temporada, vendo o seu nível exibicional decrescer cada vez mais.

Como exemplo desta descida de qualidade, na época seguinte apenas somou mais um jogo, em todas as competições, que na meia temporada anterior, fracassando em afirmar-se no plantel do Stoke. Começa assim a aventura de Imbula nos empréstimos.

Primeiro, o jogador francês voltou a “casa”, disputando a Ligue 1 ao serviço do Toulouse, somando 32 jogos no total da época, com um golo apontado (um autêntico golaço) e deixando boas impressões numa época decente. Porém, o seu clube de origem foi despromovido, com um mísero 19º lugar na Premier League.

Assim, Imbula partiu num novo empréstimo, voltando à península ibérica para representar o Rayo Vallecano. Na época passada representou o clube espanhol por 24 jogos, jogando ao lado de Raúl De Tomás, nova contratação do Benfica.

De momento, com 26 anos, Giannelli Imbula pertence aos quadros do Stoke City, que irá disputar o Championship, a segunda divisão inglesa, treinando de momento na equipa de sub-23, se não for emprestado novamente ou vendido.

Em termos de futebol internacional, Imbula disputou apenas um jogo pelos sub-21 de França, um amigável em 2014 frente à Inglaterra. Recentemente foi centro de polémica por ser impossibilitado de representar a República Democrática do Congo na passada Taça das Nações Africanas por problemas burocráticos. O jogador possui dupla nacionalidade, pois tem pais congoleses.

Em declarações recentes à RMC, o atleta francês refltetiu sobre a sua saída do FC Porto, afirmando que poderia ter tomado melhores decisões quando era jogador dos dragões e que errou ao sair para o Stoke: “A pior escolha que fiz até hoje foi ter vindo para o Stoke. Podia ter tido um pouco mais de paciência no FC Porto e ter-me tentado adaptar à liga portuguesa… sobretudo porque nós tínhamos trocado de treinador. Eu teria tido oportunidade de jogar. Por isso, essa foi talvez a escolha de que mais me arrependo, essa do Stoke. Mas é passado e agora já não penso em voltar atrás”.

Imbula reconheceu o seu erro, perdendo uma possível oportunidade de se tornar um atleta de referência do clube portista e explorar todo o seu enorme potencial. Ficou o sabor amargo dessa saída precoce para o Stoke City, e o atleta, nos seus 26 anos de idade, encontra-se num período conturbado da sua carreira, com dois empréstimos consecutivos seguidos da colocação na equipa de sub-23.

Ainda há tempo para Imbula remediar a sua carreira, veremos se é capaz de o fazer.

 

 

 

José Horta

Não nasci a gostar de futebol, mas quando comecei nunca mais quis outra coisa. Algarvio de nascença mas adepto do futebol para além daquele que se joga na praia. Sempre atento aos contornos e novidades do "Desporto Rei", "Beautifull Game" ou lhe quiserem chamar. Aluno universitário de Ciências da Comunicação na FCSH.

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