Nem foi preciso sambar muito

O Brasil venceu a eterna rival Argentina por 2-0 e está na final da Copa América. Gabriel Jesus e Firmino marcaram os golos que carimbaram a passagem carioca.

O homem do jogo, Gabriel Jesus

O samba nem sempre é espetacular, assim mostrou a Canarinha. Mas em casa brasileira, mandam os brasileiros. Jogava-se por uma histórica rivalidade e mais do que isso, por um lugar na final. Para os mais supersticiosos, o presságio era de mau tom para a seleção carioca que regressava outra vez ao Mineirão, estádio onde há cinco anos sofreu a mais pesada das derrotas frente à Alemanha por 7-1. Agouros à parte, o Brasil vinha de um empate frente ao Paraguai, encontro decidido nos penaltis, e a Argentina de uma boa vitória contra a Venezuela. Formas diferentes, as mesmas ambições e os dados estavam lançados.

O Brasil entrou mandão, como o ambiente assim o pedia. Pressão alta, com bola, a pegar no jogo, quase sempre assente em transições rápidas. Até então, os comandados de Tite apresentavam uma média de 71% de posse de bola em toda a competição, o que por si demonstra exatamente o porquê do uso do adjetivo “mandão”. A Argentina, por seu lado, também ia apresentando bons momentos de pressão, menos apoiada é certo, mas eficaz. À passagem dos dez minutos, os espaços eram poucos e assistia-se um jogo muito ditado exatamente por essa capacidade e intensidade de pressão das duas equipas. O perigo pairava um pouco longe das duas áreas e o seu primeiro sinal é demonstrativo disso mesmo, surgindo ao minuto 12′ através de um remate “do meio da rua” de Paredes. Os argentinos iam nivelando a partida. Porém, a elevada carga emocional de um duelo histórico era notória, o que levava as duas equipas a errarem mais do que o normal, principalmente a Argentina que apresentava um série défice técnico.

Por onde andou Messi na primeira parte

Mas o que não convém mesmo é errar em frente à baliza. E Gabriel Jesus não errou. Após uma recuperação de bola de Dani Alves, Firmino apareceu na direita com um excelente cruzamento para Gabriel Jesus atirar para o fundo das redes. 18 minutos contados e os cariocas estavam na frente. No equilíbrio, o Brasil desequilibrou. E desequilibrar era algo que não combinava com a seleção argentina e aí falamos de Lionel Messi. Não porque Messi tenha estado mal, muito pelo contrário. Foi o melhor jogador argentino (de longe), mas atuou grande parte do jogo demasiado afastado da área adversária. A diferença entre capacidade técnica e de sair a jogar entre os jogadores alvicelestes e canarinhos era gritante. Por isso, Messi tinha de recuar muitas vezes para zonas intermédias de modo a pegar no jogo argentino e iniciar os ataques. Do outro lado, o Brasil com três, quatro toques estava na área contrária, a Argentina só conseguia fazer isto através de Messi. Não havia espaço? Ele inventava. Não havia inspiração? Ele criava. Era caso para dizer: Messi e mais dez.

No entanto, a reposta argentina ao golo até foi positiva. A posse de bola voltou a estar equilibrada e à meia-hora de jogo, Agüero cabeceou à barra depois de um livre milimétrico de Messi. Apesar das dificuldades, a equipa comandada por Scaloni crescia no jogo. Isto porque houve um Brasil antes e depois do golo. Desceu as linhas, deixou de pressionar o adversário e foi gerindo o jogo conforme o resultado. Assim seguiu o jogo para o intervalo.

Segundo tempo, o mesmo filme. A Argentina estava cada vez melhor no jogo, mais solta e a fazer passar o seu jogo pelos melhores pés, os de Messi e os de Agüero. Mas golo, nada. Aos 56 minutos, mais uma bola a bater no ferro, desta feita por Messi. Com cada vez mais espaço para jogar, os argentinos estavam em cima do adversário. O seu ar inofensivo verificado no início da partida já não existia. No entanto, quem não marca sofre e o futebol às vezes é cruel. Eficaz e pragmático, o Brasil fechou o jogo à sua imagem e aos 71 minutos fez o 2-0 através de Firmino numa jogada construída por Gabriel Jesus. A Argentina pagou caro o facto de estar muito subida e exposta, principalmente com os seus problemas defensivos.

O resto da história baseou-se em perdas de tempo e “olés”. A Argentina cai assim nas meias-finais da competição e ainda não é desta que Messi ganha um grande título pelo seu país. O tempo passa e ninguém é eterno. O Brasil está na final da Copa América e fica à espera da companhia de Chile ou Peru.

Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Licenciado em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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