A cabeçada que marcou uma final

A França de Zinedine Zidane defrontou a Itália de Fabio Cannavaro na finalíssima do Mundial de 2006 no Estádio Olímpico de Berlim, que teve todos os ingredientes de um domingo histórico.

Os italianos, famosos pelo seu futebol cínico, realizou um percurso tranquilo até à final. Os Azzurri apenas sofreram apenas um golo – frente aos EUA – e contaram com um sorteio favorável para alcançar a final sem grandes preocupações. A seleção italiana apenas apanhou um “caroço” em todo o Mundial, porém, esse “caroço” foi bem difícil de digerir. Fabio Grosso – lateral esquerdo esquecido por muitos – e o clássico avançado Alessandro del Piero apontaram os golos – no penúltimo e no último minuto do prolongamento respetivamente – que viriam a retirar a seleção anfitriã do torneio.

Squadra Azurra

No que diz respeito aos tricolores, o caminho até Berlim foi bem mais complicado. Desiludiu na fase de grupos ao passar de forma apertada em segundo lugar atrás dos suíços e à frente dos sul coreanos. Os bleus foram castigados por essa má fase de grupos com um sorteio deveras complicado até à final. Passaram pelos talentosos espanhóis sem grandes sobressaltos e sofreram para passar pela sempre favorita formação canarinha. Nas meias finais saiu-lhes na rifa os portugueses liderados por Scolari. Num jogo memorável, a sorte viria a sorrir aos franceses – infelizmente – com um penalti convertido pelo inevitável Zidane ainda na primeira parte.

Les Bleus

Esperava-se uma final pautada pelo equilíbrio e assim foi. Os italianos, sempre matreiros com o seu catenaccio, entregaram a iniciativa de jogo aos franceses que nem com jogadores de alto gabarito no ataque – como Thierry Henry, Ribery, Zidane ou Trezeguet – foram capazes de fazer mossa à defesa italiana. Defesa essa que era liderada de forma exemplar pelo “pequeno” Cannavaro – que mede apenas 1,76m, facto sempre curioso tendo em conta que altura é um fator a ter em conta para vários treinadores naquela zona do terreno – um dos poucos defesas na história do futebol mundial a ser galardoado com a Bola de Ouro (Mathias Sammer, jogador alemão, havia sido o único até aquela altura).

A exibição de Cannavaro foi fundamental para as aspirações italianas, contudo, o seu parceiro no eixo defensivo foi igualmente importante por motivos distintos. Materazzi ficou com a tarefa de marcar o génio francês Zidane.

Tarefa essa que cumpriu com distinção. Talvez por isso, já durante o prolongamento, Zidane, visivelmente frustrado, perdeu a cabeça agredindo o central italiano. A dura marcação do italiano, juntamente com algumas palavras menos próprias dirigidas a Zidane, fizeram com que este perdesse as estribeiras sendo expulso após cabecear o italiano no peito.

Após 120 minutos onde os italianos voltaram a dar uma lição de como defender o jogo seguiu para as grandes penalidades onde os comandados de Marcello Lippi foram felizes. Lembram-se do acima mencionado Fabio Grosso? Pois bem, o “patinho feio” da Squadra Azurra não se limitou a conduzir os italianos até à final. Incumbido de cobrar a grande penalidade decisiva perante cerca de 70 mil espectadores o lateral do Palermo não tremeu. Bola para um lado e Barthez para o outro. Cannavaro viria a levantar, desta forma, o quarto caneco mundial para os italianos.

Fabio Grosso celebra após a grande penalidade decisiva
Cannavaro ergue mais um título mundial para os italianos

Francisco Alves

Da Ilha da Madeira para o Mundo. Estudante de Jornalismo na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e eterno amante do desporto rei.

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