OPINIÃO: O futuro é de todas as cores

Portugal tem na sua estante de conquistas mais um título europeu. E este é novo por sinal. A equipa de sub-19 do FC Porto conquistou a UEFA Youth League depois de uma campanha europeia irrepreensível. Um título que o Benfica poderia ter alcançado por duas ocasiões (as quais chegou à final), mas acabou por escapar. Desta vez, não fugiu. Em seis edições da prova, Portugal é o segundo clube mais representado nas fases finais da competição, só atrás da Inglaterra. Sempre fomos um país formador, e bem formador. E tais conquistas só espelham isso mesmo. O que tem de ser feito não é a colheita destas “laranjas cheias de sumo”. O que tem de ser feito é não entregar esse sumo ao vizinho. Dar a oportunidade de serem “espremidas” em território luso é imperativo.

Mas porque razão a formação do Porto não tem o mesmo mediatismo do que a do Sporting e Benfica? Certamente que em termos de talento não fica atrás. Esta geração de Fábio Silva, Romário Baró, João Mário, Diogo Leite… vai dar que falar. Mas será que vai dar que falar na equipa do Porto? Não tem sido essa a tradição no clube da invicta. Tradição que é praticada há muito pelo Sporting e cada vez mais pelo Benfica, emblemas mestres em saber vender o seu produto. De qualquer das formas, há futuro. Seja verde, vermelho ou azul, há futuro. Presente, até. Nos dias de hoje, um jogador de 18 ou 19 anos esta preparadíssimo para enfrentar os grades desafios do futebol profissional ao mais alto nível. Chegar à equipa principal é só a parte final de um processo de investimento pessoal, financeiro e normativo. Tem é que haver oportunidades. A conquista deste troféu por parte dos pupilos de Mário Silva, decerto que aumentará o valor de mercado de cada um deles. E essa é uma situação que deve ser bem gerida por parte dos dragões.

Seguindo essa ordem de ideias de que o futuro é de todas as cores, viremo-nos para a “nossa” Liga Revelação. Uma competição jogada pelas camadas sub-23 de grande parte dos maiores clubes portugueses e não, não foi ganha nem por Benfica, nem por Sporting (o Porto não tem equipa sub-23). Foi o Aves quem levou a melhor no confronto dos “miúdos”. E foi o Aves quem deu a deixa de que não se forma só nos grandes. Sem querer comparar orçamentos e academias, essa preocupação é cada vez mais partilhada pelos clubes portugueses que veem-na como um meio de sustentabilidade não só sua, como também do futebol português.

A primeira parte do trabalho parece estar a ser bem feita. Mas e se em vez de confiarmos em agentes aproveitadores que trazem este jogador daqui e dali, déssemos oportunidade ao nosso futuro? Aos nossos ativos. Tem que fazer parte de uma consciencialização do nosso futebol que certamente só trará resultados positivos. Os parabéns ao FC Porto pela grande conquista europeia e ao CD Aves pela nobre conquista nacional.

Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Licenciado em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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