Sporting CP-CSKA Moscovo: Do sonho ao pesadelo

A 18 de maio de 2005, o Sporting iria viver um dos momentos mais marcantes, pela negativa, de toda a sua história. Nesse dia disputava a final da Taça UEFA com o CSKA. Os ‘leões’ tinham tudo a seu favor: Jogavam em casa, perante os seus adeptos, todas as estrelas se pareciam alinhar para ser uma final de sonho.

Caminho tortuoso

O cenário era idílico. O Sporting iria disputar a sua segunda final Europeia de sempre, depois da conquista, em 1964, da única Taça das Taças da história do futebol português. A final, a ser disputada no estádio José de Alvalade, em casa portanto, sendo que era o terceiro ano consecutivo que uma equipa portuguesa disputava uma final europeia. Nos dois anos anteriores, tinha sido o Porto vencedor da UEFA em 2003 e da Liga dos Campeões em 2004, a elevar o nome de Portugal.

Os onzes iniciais do Sporting e do CSKA, sem grande surpresas

Mas o que podia ter sido um sonho tranquilo, transformou-se num pesadelo que se quer a todo o custo esquecer.

Tanto internamente, como na Europa, o Sporting vinha a fazer uma época marcada pela irregularidade, com resultados inconstantes, grandes vitórias e derrotas escandalosas lado a lado.

O início da caminhada rumo à final foi relativamente tranquilo, com uma vitória aos austriacos do Rapid Wien na primeira eliminatória. Mas logo a seguir o Sporting teve de defrontar equipas com história nas competições europeias, nomeadamente o Feyenoord e Newcastle.

Porém o jogo mais complicado foi mesmo com o praticamente desconhecido AZ Alkmaar, que dificultou imenso a vida aos ‘leões’, num jogo epopeico que teve apenas um golo nos instantes finais, golo esse que possibilitou ao Sporting alcançar a tão desejada final em casa.

José Peseiro, treinador dos leões na altura, lidava com uma situação delicada, após ter perdido no Estádio da Luz a chance de conquistar o campeonato nacional nessa época. Tinha agora a possibilidade de se redimir com um triunfo na Europa, embora condicionado pelo peso dessa derrota que assolava a equipa.

Outro dos aspetos que concionava o Sporting era o desgaste físico, com muitos minutos acumulados. Neste domínio os russos partiam em vantagem, já que na Rússia o campeonato se estava ainda a iniciar nessa altura, enquanto que em Portugal estava já a chegar ao fim.

Foi só um sonho…

O estádio José de Alvalade estava cheio, como era esperado, para assistir àquela final. Um ambiente festivo, de alegria, de quem não adivinhava o que estava para acontecer.

Empurrados pelo apoio dos adeptos, os ‘leões’ entraram fortes na partida, conquistando sucessivos pontapés de canto e encostando os russos ‘às cordas’, no entanto sem incomodar a baliza destes.  Aos 28’ minutos, Rogério, defesa leonino, que jogou a final a médio, inaugurou o marcador com um sublime golo de fora de área, o Sporting colocava-se na frente do marcador e tinha agora tudo a seu favor.

O CSKA acusava muito a pressão de ter sido o primeiro a sofrer e não conseguia acertar o ritmo. Mas o Sporting também não estava a saber aproveitar a falta de inspiração dos russos e no fim da primeira parte o CSKA ficou à beira de empatar o jogo, após um falhanço de Vágner Love que levou o  treinador Valery Gazzaev ao desespero.

No segundo tempo o Sporting queria matar o jogo, com mais um golo que garantisse a tranquilidade, e os russos pareciam não ter mudado a forma leviana como estavam a encarar o encontro.

O panorama alterou-se ao minuto 58’, quando Daniel Carvalho fez a assistência, de livre, para a cabeça de um Berezutskiy, o Alexei Berezutskiy, que jogava no CSKA juntamente com o irmão Vasili. Estava então feito o empate em Alvalade.

O empate veio trazer um novo começo ao jogo, era agora a vez do Sporting de sofrer com o abalo do golo e ficou de tal maneira combalido que parecia até uma equipa diferente. O Sporting, até então dominador, desapareceu completamente do encontro.

O jogo virou, os russos que antes estavam na expectativa estavam agora com a iniciativa de jogo, e o Sporting estava agora num papel mais submisso, o que lhe custou caro.

O Sporting ainda tentou ‘acordar’ com um remate de Tello, que fez Akinfeev aplicar-se, mas pouco depois o CSKA, por intermédio de Yuri Zhirkov, marcou o segundo, o que fez desvanecer ainda mais as esperanças dos sportinguistas.

Daniel Carvalho, brasileiro, que jogava ao serviço do CSKA, estava imparável, não havia maneira de o segurar, estava em toda a parte e foi justamente considerado ‘o homem do jogo’. Os russos estavam a jogar essencialmente no contragolpe e estavam até a ser bastante perdulários.

O terceiro deu-se em circunstância parecidas ao segundo. Depois de Tello, novamente ter feito um remate em cima da linha de fundo que Rogério não conseguiu tocar para a baliza, passando a bola a centímetros do poste da baliza russa o CSKA fez o 3-1, golo de Vágner Love, corria então o minuto 74’.

Até ao fim os leões ainda procuraram o golo, mas com o aproximar do fim do encontro faltava o folgo e o discernimento para dar a volta.

Quando soou o apito final os sportinguistas estavam incrédulos com o que se tinha passado, um autêntico balde de água fria. O sentimento era de descrença, misturado com injustiça, era o acordar do sonho.

Tiago Domingos

Lourinhanense de gema, estuda gestão no ISCTE-IUL. Tem como hobbie a escrita e como paixão o futebol!

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