Quem te viu e quem te vê: Marat Izmailov, o desaparecido

A nova rubrica do AMBIDESTRO recorda jogadores desaparecidos no tempo. Bem conhecidos no passado, longe do radar futebolístico no presente. Ninguém sabe deles. Ou melhor, ninguém sabia.


Nasceu em Moscovo no ano de 1982 e foi aí que passou grande parte da sua vida. O médio formou-se no Lokomotiv, clube em que jogou sete anos. Fez 175 jogos e marcou um total de 28 golos. A sua utilização na equipa russa foi decrescendo ao longo dos anos, até que este acabou por ser emprestado ao Sporting orientado por Paulo Bento. Em 2007/2008, fez 47 jogos e marcou oito golos e o clube leonino acabou por comprá-lo pela verba de quatro milhões e meio de euros. Vestiu a camisola verde e branca por 142 vezes, mas a estadia em Alvalade teve demasiados percalços. Entre lesões, faltas ao treino, conflitos com o clube, “Is My Love”, como era chamado, foi outra das vítimas da “maldição da camisola sete”.

O destino levou-o ao rival, o Futebol Clube do Porto. Foi algo utilizado na primeira época, época em que conquistou com os dragões o Campeonato Nacional. No ano seguinte, a instabilidade que tanto caraterizou a sua carreira tomou conta de si. Esteve ausente dos treinos do Porto cerca de quatro meses, alegando problemas pessoais. O seu empresário acabou por criticar a sua utilização no Porto e este seguiu numa onda de empréstimos. Primeiro ao Qabala do Azerbaijão, depois ao Krasnodar, onde viria a permanecer. Pelo meio, teve que fazer uma pausa na carreira para estar com o filho que se encontrava doente. Internacionalmente, foi chamado por 36 vezes para representar a seleção russa.

Mais recentemente, há dois anos, depois ter estado uns meses a “descansar”, o médio voltou a futebol para assinar por um clube da terceira divisão russa, fundado exatamente nesse mesmo ano. Marat Izmailov ingressou no Ararat de Moscovo, clube ligado à comunidade arménia da Rússia e que já havia garantido um jogador de renome do futebol russo: Roman Pavlyuchenko, antigo jogador do Tottenham. Após três meses e quatro jogos realizados, eis que o jogador decide rescindir o seu contrato novamente por “motivos pessoais”.

E agora? Onde anda Marat Izmailov? O russo decidiu mesmo terminar a sua carreira. Depois de mais de 400 jogos realizados, a carreira do médio de 36 anos já tem um ponto final. Uma carreira que poderia ter sido muito melhor. Izmailov era um autêntico “todo-o-terreno”, de características peculiares, mas as suas lesões e os seus muito frequentes “problemas pessoais” fizeram com que este nunca chegasse a um outro nível. Sem redes sociais e sem quaisquer “updates” acerca da sua vida, Marat Izmailov permanece como permaneceu algumas vezes na sua carreira: desaparecido.

Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Atualmente a tirar a licenciatura em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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