Benfica-Marselha: A mão de Vata

A 18 de Abril de 1990 o Benfica obteria uma das vitórias mais polémicas da sua história. Benfica e Marselha iriam disputar o encontro da segunda mão das meias-finais da Taça dos Campeões Europeus. Os ‘encarnados’ acabariam por vencer esse jogo por 1-0, depois de na primeira mão terem perdido por 2-1, no estádio Vélodrome, casa do Marselha. Vata, avançado angolano do Benfica,  reinventaria a ‘mão de Deus’ de Maradona, apurando as águias para a final da competição.

Equipas
Benfica – Silvino; José Carlos, Aldair, Ricardo e Veloso; Paneira, Hernâni, Thern (Pacheco, 52′) e Valdo (Pacheco, 87′); Lima (Vata, 52′) e Magnusson.
Treinador: Sven-Goran Eriksson
Marselha-Castaneda; Amoros, Sauzée, Mozer e Di Meco (Diallo, 87′); Tigana, Deschamps, Germain e Francescoli; Waddle (Vercruysse, 78′) e Papin
Treinador: Gerard Gilli
O golo da polémica

Nesse dia, o antigo estádio da luz estava a ‘rebentar pelas costuras’, 120 mil espectadores para assistir àquela infame partida, que ditaria o afastamento dos franceses da competição e colocaria o Benfica na final com o AC Milan. Final essa que o Benfica acabou por perder por 1-0, somando assim a oitava final consecutiva perdida. O Milan defendeu o troféu que tinha também conquistado no ano antes e fez-se ‘justiça’ divina.

Vata, autor do único golo do encontro

O Benfica, sob o comando do técnico Sven-Goran Eriksson, tinha de virar a desvantagem que trazia da primeira mão, bastava um único golo para isso acontecer. Nesse jogo em Marselha, o Benfica tinha entrado a ganhar, com um golo de Lima, logo aos 10 minutos, na sequência de um pontapé de canto, mas os franceses acabariam mesmo por dar a reviravolta, com golos de Franck Sauzée, aos 13’ minutos, e Jean-Pierre Papin, aos 44’.

Depois de muita luta e sofrimento o golo acabou por aparecer, aos 83´ minutos, através de Vata Matanu Garcia, num golo com a mão. Valdo cruza para a grande área, Magnusson desvia de cabeça e… golo de Vata. Este golo polémico e solitário ditaria a sentença dos gauleses. O árbitro belga Marcel van Langenhove não se apercebeu da irregularidade e para desespero dos franceses validou o golo.

Vata entrado aos 53’ minutos, marcaria um golo que ficaria para a história como um dos golos mais famosos do futebol pela polémica que gerou. Os adeptos do Marselha enlouqueceram, atiram cadeiras para o relvado, os jogadores do Marselha estavam devastados, contrastando com a explosão de alegria que se vivia do lado dos ‘encarnados’.

Em declarações dias após o jogo o árbitro assumiu o erro, desculpando-se com a quantidade de jogadores que se encontravam à sua frente. Foi ai que se instaurou a polémica que durou meses, anos e que dura até hoje.

Di Meco, defesa-esquerdo do Marselha nesse encontro, recorda o jogo dizendo que não ficou com rancor do árbitro pelo erro. “É verdade que foi um roubo, mas não foi premeditado. Tenho a consciência de que ele não podia ver a mão do Vata porque estavam muitos jogadores à sua frente”, confirmando a versão do Belga.

Mas o que diz o próprio Vata do seu golo? O avançado Benfiquista garantiu à Rádio Renascença que”Não foi com a mão” e afirmou ainda, “Não posso inventar uma coisa que não aconteceu. Eu não meti a mão à bola, não marquei com a mão. Pode levar cem anos. Não vou mentir. Direi sempre a mesma coisa. […] Estive com muitas televisões no Estádio da Luz. Sentámo-nos, colocaram um ecrã gigante para ver o lance e ninguém o conseguiu afirmar. Se eu metesse a mão, a bola ia amortecer, não iria com força”.

O certo é que o golo e a vitória ninguém pode retirar, hoje praticamente 29 anos depois o momento continua a ser recordado e fica imortalizado em vídeo.

 

Tiago Domingos

Lourinhanense de gema, estuda gestão no ISCTE-IUL. Tem como hobbie a escrita e como paixão o futebol!

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