Arsenal x Wolverhampton | Nuno, pouca imprensa, muita competência

Nem vou falar das exibições (e resultados) frente a City e United para descrever o grande trabalho que Nuno Espírito Santo está a realizar na Premier League. Quem viu o último jogo frente ao Arsenal, e por alguma razão nunca viu o Wolves, nunca diria que aqueles rapazes de laranja tinha sido recentemente promovidos à Premier League.

Alguns devem estar a pensar qualquer coisa do género: “Ah, ficaram organizados lá atrás em 5-2-3 e defenderam, isso é competência? “. Uma afirmação que é desde logo falsa, porque uma equipa que “fica lá atrás” não faz mais remates que o adversário em 90 minutos. Contra um adversário que tem rapazes como: Aubameyang, Ozil, Iwobi e Lacazette.

Para a forma como o Arsenal foi dominado, muito contribuiu o meio campo português: Hélder Costa-Moutinho-Rúben Neves-Ivan, que se entendeu na perfeição na missão de impedir que os Gunners tivessem acesso ao corredor central (uma das chaves do jogo).

Com essa negação do espaço central, o Arsenal era obrigado a avançar ao longo dos corredores, através dos seus laterais. Aí entrava na equação, novamente em prejuízo do Arsenal, a organização e os comportamentos bem trabalhados dos Wolves, que através da sua defesa a cinco, conseguia duas coisas:

  1. Que o lateral gunner, quando chegava mais perto da área, era pressionado e forçado a jogar para trás.
  2. Manter a sua área protegida, sempre com quatro jogadores na linha defensiva. Quando a bola estava de um lado, o ala lateral do lado oposto fechava no corredor central, junto ao central.

Um posicionamento defensivo perfeito, com uma equipa coesa e compacta, sempre com as devidas coberturas equilíbrios. A chave não está em querer negar todo o espaço ao adversário, mas sim definir quais são os espaços que têm valor e só depois o defender, esperando o momento certo para agredir o adversário, aproveitando os espaços que o adversário abre na tentativa de desorganizar os Wolves.

Precision beats power every day of the week

O golo dos Wolves é forçado por esses comportamentos que descrevi. Apesar do péssimo julgamento de Xhaka, acredito que queria deixar a bola passar para Mustafi, é o posicionamento de Cavaleiro a fechar dentro (assumindo o corredor central como a zona de valor) que lhe permite estar em posição de aproveitar este erro.

Assim, o Wolves chegou à liderança pouco depois dos 10 minutos e agravou aquilo que estava a se transformar num problema para o Arsenal: incapacidade de ter bola no último terço.

Em resultado dessa incapacidade, Ozil sentiu-se na obrigação de baixar a zonas mais recuadas para ter bola e no fundo, para a equipa causar algum perigo.

Sempre forçado a receber atrás da linha média dos Wolves.

Mesmo aí o Arsenal nunca causou grande perigo, porque o Wolves esteve sempre muito bem na anulação das opções de passe, apenas permitia circulação para os lados ou para trás. Curiosamente, a maior situação de perigo no primeiro tempo surgiu depois de um momento de contrapressão do Arsenal, que permitiu à equipa atacar os Wolves que foram apanhados entre momentos, sem tempo para se organizarem.

Alteração para o 4-4-2 ao Intervalo

No descanso, Unai Emery retirou de campo Iwobi e fez entrar Guendouzi para o seu lugar. Esta alteração trouxe também uma alteração tática, abdicando do 4-2-3-1 da primeira parte e colocando em campo um 4-4-2. Uma formação que tinha Xhaka na posição mais recuada do meio campo e Ozil nas costas da dupla de avançados. Guendouzi colocou-se à esquerda de Xhaka e Torreira à direita.

Era um diamante muito fluido, com indicações para trocarem muitas vezes de posição, uma mobilidade que tinha o objetivo de retirar os pontos de referência ao meio campo dos Wolves. Contudo, essa mobilidade prejudicou mais o próprio Arsenal que propriamente o Wolverhampton, uma vez que nunca conseguiu (no meio da liberdade) encontrar o equilíbrio para fazer uma circulação agressiva, ou seja, que rompesse linhas e ameaçasse a baliza de Rui Patricio continuamente.

Esta abordagem de Emery, no segundo tempo, resultaria com a maioria das equipas, mas não com uma equipa tão forte como o Wolverhampton em Organização Defensiva. Sempre com a preocupação de pressionar o portador da bola ao mesmo tempo que limitavam e fechavam as linhas de passe ao mesmo:

Grande disponibilidade de Ivan Cavaleiro, muito importante.

Apesar das alterações do Arsenal, os Wolves continuaram sublimes no segundo tempo.

O Arsenal acabou por chegar ao golo sem perceber bem como, lançando-se depois na tentativa de chegar à vitória, mas sem grande critério o que levou a ficar uma equipa sem equilíbrio. Uma falta de equilíbrio, que por pouco não levou à derrotas dos gunners. Especialmente porque a entrada de Adama significava que cada contra-ataque dos Wolves era uma oportunidade de golo, assim depois do empate, foi a equipa de NES que teve mais perto do golo, em várias ocasiões. Valeu Leno e os ferros da baliza.

 

 

João Mateus

A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.

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