Antevisão tática do Der Klassiker | Que lições tirar de Madrid ?

Depois da pesada derrota na Alemanha, era a vez do Atlético de Madrid receber o Borussia de Dortmund na sua casa. Assim, o Wanda Metropolitano foi o palco de mais um embate entre Lucien Favre e Diego Simeone tendo, neste segundo jogo, levado a melhor o treinador argentino.

Para Lucien Favre, apesar da derrota, pode ser a oportunidade de pensar em estratégias diferentes para ultrapassar adversários organizados e compactos.

No jogo desta semana, Simeone deu indicações aos seus avançados – Kalinic e Griezmann – para iniciarem a pressão dentro do meio campo do Borussia, mas numa zona mais recuada. De forma a que os defesas centrais do adversário – Toprak e Akanji – tivesse tempo com a bola nos pés, conduzindo-os a jogar para os seus defesas laterais.

Quando a bola chegava a estes jogadores do BvB, era o sinal para a equipa do Atlético iniciar a sua pressão. Assim os dois médios alas – Saúl e Correa – abandonavam uma posição central, junto de Rodri e Partey, para encurtar nos referidos defesas laterais adversários.

Como vemos na imagem em baixo, havia espaço entre a linha defensiva e média do Atlético (em resultado desta pressão) mas o conjunto alemão não conseguia aceder a esse espaço, assim a bola voltava dos laterais de volta para os centrais.

Não o conseguia fazer, pelas limitações da sua estrutura. O Duplo Pivot coloca muita pressão e responsabilidade nos ombros de Reus, para ser ele o principal motor e desbloqueador ofensivo da equipa. Particularmente quando a fase de construção é pressionada, nota-se uma “ReusDependência”, pela capacidade de resistência à pressão do alemão.

Assim, e uma vez que o Atlético tinha superioridade no meio campo – Partey & Rodri vs Reus – o alemão era forçado a baixar demasiado no campo para participar nos momentos de construção. Este ere o objetivo do Atlético de Madrid e do seu treinador: Para o tridente Sancho – Reus – Pulisic ter bola tinha de baixar muito no campo, e eram obrigados a jogar de costas para sua baliza. Assim não havia progressão, o que explica que os alemães tenham tido: 68.3% de posse de bola, mas apenas 4 remates à baliza.  

Toques na bola de Reus, frente ao Wolfsburg
Toques na bola de Reus, frente ao Atlético

Vemos, agora com recurso aos dados do jogo, como Reus foi obrigado a vir a zonas muito recuadas para dar apoio à construção. Mesmo quando tinha bola em zonas mais próximas da baliza adversária, eram espaços maioritariamente exteriores, junto aos corredores, onde é menos efetivo.

Deve Favre abdicar da dupla Delaney e Witsel? Absolutamente que não! Agora, é necessário ter uma outra carta na manga para este tipo de jogos.

Esta dupla limita um pouco a equipa em termos de fluidez, principalmente frente a defesas compactas organizadas. Um problema que não se coloca na Alemanha, pela forma como a maioria das equipas joga. É uma dupla que raramente abandona a sua zona no corredor central, e com comportamentos previsíveis.

Esta previsibilidade também facilitava o trabalho dos avançados e médios ala, quando pressionava os centrais e laterais, respetivamente, cortando (através do posicionamento corporal) ao mesmo tempo a linha de passe para o referido duplo pivot.

Resumindo, o Atlético conseguiu:

1 – Reduzir o impacto e influência de Reus no jogo;

2- Anular a capacidade de Witsel e Delaney ditarem os ritmos e iniciar a fase ofensiva desde posições recuadas.

O que restava ao BvB? Pulisic e Sancho.

Contudo, quando estes baixavam para ajudar na progressão da bola, veio ao de cima um problema que já é algo recorrente no BvB. Incapacidade de atacar a profundidade e a já mencionada inabilidade em aproveitar os espaços dentro da estrutura do adversário.

Em certas ocasiões falta alguma agressividade, ser mais direto e vertical.

O Atlético acabou por “dar” esse espaço ao BvB, nas costas dos laterais por exemplo, porque sabe que os alemães dificilmente optam por um jogo mais vertical e direto.

Assim, acabou por ser fácil para o 4-4-2 (coeso e compacto) anular o 4-2-3-1 do Borussia, uma vez que lhes retirou o espaço onde eles destroem os adversários: Entre a linha defensiva e a linha média. Já vimos o que acontece quando os jogadores do Dortmund conseguem receber nessas zonas, acelerando e combinado para destruir as estruturas adversárias.

Será interessante ver como Favre vai abordar o jogo com o Bayern! Pressionar alto? Defender em bloco médio? Vamos ver Dahoud em campo, abdicando de alguma segurança defensiva?

Vamos ver.

João Mateus

A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.

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