Seleção sem Ronaldo é uma realidade cada vez mais próxima. E agora?

15 anos. É desde 2003 que Cristiano Ronaldo faz de Portugal uma Seleção diferente.  Começou por ser uma Seleção do “mas quem é este craque?”, para uma Seleção do “vai ser melhor que o Figo”, para uma Seleção do “melhor jogador do mundo”. E quando digo isto, não coloco CR7 no centro do que esta equipa tem sido ao longo destes anos. Aliás, o objetivo deste artigo é exatamente o contrário. Até porque, quem achar que Cristiano Ronaldo é o “olho do furacão” desta seleção, vá-se habituando, não será por muito mais tempo.

154 jogos e 85 golos depois, Cristiano Ronaldo prepara-se para disputar os seus últimos campeonatos internacionais com a camisola das quinas. Digam o que disserem, que tem uma idade biológica de 23 anos, que é do outro mundo, sim é tudo verdade, mas passar do Mundial de 2022 é algo que eu simplesmente não vejo a acontecer.

E agora? Como é que uma seleção, que se foi habituando a ter o trunfo do “melhor jogador do mundo”, prepara-se para isto? A resposta é simples. Prepara-se como se preparou depois do Eusébio e depois do Figo. Prepara-se com os jogadores que tem. E que belos jogadores que temos. E sinceramente, acho que os melhores ainda nem lá estão. Sim, falo daqueles que ganharam o Europeu de Sub-17 e que, dois anos depois, venceram o Europeu de Sub-19.

Não nos podemos queixar. Se olharmos para a história do futebol mundial, é verdade, somos dos países que mais vezes morremos na praia e que menos títulos tem. Mas talento nunca foi problema. Falta-nos a tal cultura vencedora. Algo que estes putos irão ter quando chegarem à seleção A.

Há outro aspeto que, na minha opinião, joga a nosso favor. E é algo que nos queixamos bastante. O facto destes jovens portugueses estarem cada vez mais espalhados por esse mundo fora, dá-lhes uma outra bagagem. Mais experiência, mais cultura futebolística, uma outra dimensão. É disso que precisamos quando jogamos contra uma Espanha, ou contra uma França, ou contra uma Alemanha. Que têm e sempre tiveram, de facto, muito melhor seleção do que nós. Mas fomos campeões da Europa, e a Croácia foi vice-campeã do Mundo…

As perguntas multiplicam-se. Teremos mais algum Bola de Ouro? E campeonatos? Ninguém tem as repostas, mas temos os meios para as responder. Podía estar aqui com um contínuo bla bla bla, mas acho melhor olharmos para isto:

Europeu de 2020 (sem CR7):

Calma… não saltem já da cadeira. O guarda-redes e a linha defensiva parecem-me óbvios neste momento, com uma única dúvida: Pepe. O “centralão” português irá ter 37 anos em 2020 pelo que poderá já não ser opção. As que restam são fracas. Nem José Fonte, nem Neto têm, na minha humilde opinião, estatuto para ser titular nesta equipa. Mas se repararmos bem, Rúben Dias não era sequer falado há dois anos. Pelo meio pode ser que apareça alguém bem melhor, como por exemplo Diogo Leite. A verdade é que a Seleção atravessa uma grave crise neste setor.

O meio-campo também me parece ser mais ou menos óbvio. É, de longe, a zona do terreno onde Portugal tem mais soluções. Renato Sanches, Gedson Fernandes, Sérgio Oliveira, Pizzi e o próprio João Moutinho oferecem várias características ao meio-campo português. João Mário poderá ser hipótese, mas para já, tem muita concorrência. Xadas, Pêpê ou Eustáquio poderão entrar na luta e oxalá entrem.

Vamos às alas. Sim, eu sei. Cristiano Ronaldo é titular, mas vamos fingir que não é. A velocidade e a técnica continuam lá, com Bernardo Silva a assumir-se como o novo grande maestro. Na ala esquerda, a luta é entre Gelson e Bruma, pelo que para já não existem outras grande soluções. (Muito) atrás do avançado, parece-me que a melhor opção recai em Bruno Fernandes. Gonçalo Guedes poderia ser a outra, caso a equipa precise de outras características. Mas com o jogador do Sporting, a Seleção portuguesa ficaria com um bom lote de jogadores com um excelente remate de meia distância. Num futuro mais longínquo (ou não), João Félix e Jota Filipe são nomes que certamente entrarão nestas contas.

Para ponta de lança não é preciso pensar muito. Não só fruto da qualidade do próprio André, como também das poucas opções que temos para o lugar.

Olhem bem para o onze, porque a equipa que irá defender o título de campeã da Europa não vai fugir muito disto (contará com CR7, claro). Provavelmente, estarão a abanar a cabeça, mas eu estou otimista. O futebol mudou, mas nunca deixou de ser onze contra onze. E este onze é um dos melhores da Europa. Pode não ser o mais mediático. Pode não ser o mais milionário. Mas tem o melhor guarda-redes do Europeu 2018. Tem três jovens defesas com grande margem de progressão. Dois autênticos “cães” (desculpem a expressão) no meio-campo. Na esquerda, o melhor do mundo. Na direita, o futuro melhor do mundo (tinha que dizer). Um pé direito maravilha no meio e um futuro matador (tem muito a melhorar) na frente. Os putos? Calma. Eles vêm a caminho. E o selecionador? O mister Fernando ainda vai continuar por lá.

Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Atualmente a tirar a licenciatura em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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