Príncipe em Florença, Maestro na Luz

Fez parte da “geração de ouro”, jogou no Benfica na década de noventa tendo tido a possibilidade de transferir-se para o Barcelona, e rumou para Itália para um clube recém-chegado da Série B. Para além disso, quando marcou ao clube de coração chorou e comoveu a nação benfiquista, fazendo ainda uma dupla genial com Figo na Seleção e Batistuta na Fiorentina. Sabe quem é?

Falamos de Rui Costa, que se destacou no futebol português e italiano, onde jogou por mais de uma década. Na sua carreira ganhou o carinho dos adeptos dos clubes por onde passou, tendo ficado vinculado ao Benfica e à Fiorentina.

O Maestro

Rui Costa começou e terminou a carreira no clube de coração. Entrou para as escolas do Benfica, nos anos 80, onde nos treinos de captação deixou logo Eusébio delirante em poucos minutos de treino. No primeiro ano como sénior, foi emprestado ao Fafe, clube que representou em 38 jogos, nos quais apontou 6 golos.
Terminando o empréstimo, regressa ao Benfica, e logo na sua primeira época na equipa principal “pegou de estaca” e tornou-se titular indiscutível durante três temporadas consecutivas, o que lhe valeu a conquista da Taça de Portugal 92/93 e a Liga 93/94.

A prova de amor começou quando Rui Costa deu uma “nega” a Sousa Cintra, durante o chamado “verão quente” que fez Pacheco e Paulo Sousa mudarem-se para o rival de Alvalade. João Vieira Pinto também esteve perto da mudança.

Após o Benfica seguiu-se a Fiorentina. Fez parte da mítica equipa da década de noventa, tendo sido provavelmente, a melhor equipa de sempre do clube, já que junto a Rui Costa estavam nomes como Gabriel Batistuta, Francesco Toldo, e mais tarde Nuno Gomes.

Rui Costa era um dos melhores jogadores do mundo na sua posição, tornou-se um jogador de referência, elegante a jogar, com uma condução de bola e qualidade de passe que fizeram de Rui Costa quase que o “protótipo” da posição 10. De tal forma, que Rui Costa ficou conhecido como “O Maestro”.

Fiorentina

Ao serviço da Fiorentina, Rui Costa manteve o estatuto que alcançara no Benfica, vestindo a camisola «viola» durante sete temporadas. Colocou a Fiorentina no top quatro do Calcio e venceu ainda duas Taças de Itália, tendo discutido o título durante esses anos. Contudo, a dimensão da Fiorentina não era comparável aos restantes colossos italianos.

Um momento de demonstração de amor de Rui Costa ao Benfica viveu-se num amigável de apresentação da equipa encarnada, em pleno estádio da Luz. Rui Costa marcou pela Fiorentina ao Benfica, seu clube de juventude, naquele que ficou conhecido como “o pior golo” da sua carreira, mostrando eterna gratidão ao clube.
Na Fiorentina, fez uma das melhores duplas do futebol mundial, junto com Gabriel Batistuta. Venceram duas Taças de Itália e uma supertaça, tendo ainda chegado às meias-finais da Taça das Taças e disputado uma Liga dos Campeões, o que foi um feito notável, pois em 1994 a equipa tinha vindo da Serie B.

AC Milan

Após falência da Fiorentina, Rui Costa rumou a Milão. No clube de Berlusconi, jogando ao lado de Maldini, Pirlo, Shevchenko, Inzaghi e Seedorf, ganhou cinco troféus, entre os quais uma Liga dos Campeões, em 2002/03 frente à Juventus.
Teve ainda um papel importante no AC Milan e esteve finalmente num clube da dimensão da sua qualidade, pois Rui Costa na Fiorentina, como Riquelme no Villarreal ou Totti na Roma, teve que esperar até aos 29 anos para chegar a um clube que discutisse a Serie A e a Liga dos Campeões.

Benfica, outra vez

Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, encontrou finalmente uma janela de oportunidade para fazer regressar Rui Costa à Luz, visto já ter sido uma promessa de Vale e Azevedo e de quase todos os presidentes do Benfica após a sua saída. Tornara-se óbvio que o jogador perdera um papel preponderante no Milan, após cinco temporadas no clube.

Rui Costa assinou pelo Benfica, tendo dado a opção do seu salário a Luís Filipe Vieira, assinou com carta-branca para que lhe escolhessem o ordenado que estariam dispostos a pagar-lhe, mostrando mais uma vez o seu amor ao Benfica. Acabou ganhando menos 700 mil euros por ano, o mesmo que no AC Milan.

No entanto, nas duas últimas épocas da sua carreira não se sagrou campeão, pois não apanhou um Benfica com equipa para disputar o título. Terminou a sua carreira na época 2007/08, como 4º classificado no campeonato.
Rui Costa mostrou ainda assim que era um excelente jogador e que representava uma peça chave na equipa encarnada.

Carreira na seleção

Ao longo dos onze anos em que representou a seleção nacional de futebol, desde a estreia em 1993 à despedida frente à Grécia na final do Euro 2004, Rui Costa espalhou o perfume do seu futebol na seleção nacional.

Esteve presente em quatro competições internacionais ao serviço da seleção principal: os Europeus de 1996, 2000 e 2004 e o Mundial 2002.
Teve ainda a desilusão de não ter vencido uma prova pela seleção, tendo estado muito perto no Euro 2004 e Euro 2000, mas esteve na equipa ideal dessas competições. Teve a alegria de representar a seleção nacional no Mundial Sub-20 em 1991, que venceu contra o Brasil, numa Luz a abarrotar. Concluindo, fez 94 jogos no total e marcou 26 golos.

Títulos:

1 Liga Portuguesa 1993/94

1 Taças de Portugal 1992/93

1 Liga Italiana 2003/04

3 Taças de Itália 1995/96, 2000/01, 20002/03

2 Supertaças de Itália 1996, 2004

1 Mundial Sub20 1991

1 Liga dos Campeões 2002/03

1 Supertaça Europeia 2003

 

Miguel Matos

Fan de futebol desde míudo, coleccionador de cromos e cadernetas, gosto especial pela história do futebol. Adepto do Benfica, Inter de Milão, Arsenal e River Plate.

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