Frasco fechado? Matuidi nem gosta de ketchup.

O estádio Ennio Tardini encheu para receber o campeão italiano e o melhor jogador do mundo. Através da transmissão televisiva era possível ver uma grande quantidade de adeptos, com as míticas camisolas patrocinadas pela Parmalat, relembrando tempos de glória.

O Parma de hoje não têm nomes como Asprilla, Verón, Thuram, Buffon, nem luta pelos mesmos objetivos. Hoje, os jogadores podem não ter o mesmo perfume, mas têm uma força de vontade e um nível de comprometimento tal, que obrigaram a Juventus a jogar nos limites para levar os três pontos. Ainda para mais, se tivermos em consideração o facto de o Parma ter iniciado o jogo praticamente a perder.

  • Parma com respeito, mas sem medo.
    • Ofensivamente: sem medo

Antes de falar do comportamento defensivo, gostava de mostrar a forma como o Parma não teve medo de agredir a Juventus e de explorar as lacunas do adversário.

Fonte: Eleven Sports

Na imagem vemos o resultado da falta de envolvimento de Ronaldo e Mandzukic no processo defensivo. Ronaldo, como já estamos habituados no Real, não participa nesse momento do jogo e Mandzukic não é particularmente intenso. Após uma variação do centro de jogo, para o lado direito, o jogador do Parma com a bola invade o meio campo da Juventus e descobre Gervinho no espaço atrás da linha média da Juventus, que depois consegue rodar sobre Alex Sandro e fazer uso da sua capacidade técnica individual, resistindo à pressão de vários homens, para criar uma ocasião de golo clara, valeu Alex Sandro.

Os pontos de interrogação que coloquei ao redor de Pjanic, servem para ilustrar a posição difícil em que Ronaldo e Mandzukic o deixaram. Pjanic é obrigado a dividir a sua atenção entre a bola, a posição do adversário à sua direita e a possível utilização do espaço nas suas costas por um adversário (neste caso Gervinho). Com o pequeno pormenor de o ter de fazer em segundos.

Fonte: GIPHY

Se repararmos Mandzukic até se está a deslocar para junto de Pjanic, mas o jogador  com bola é rápido a responder à solicitação de Gervinho e Parma acaba por aproveitar o desequilíbrio.

  • Parma com respeito, mas sem medo. 
    • Defensivamente: Valeu Matuidi à Juventus.

O Parma foi uma equipa, em organização defensiva, muito curta e estreita no campo e com as linhas próximas. Escolheu proteger e congestionar o corredor central, dando mais espaço à Juventus pelos corredores.

Este comportamento convidou os laterais da Juventus a avançar e a ocuparem posições subidas no terreno, para depois recuperar a bola no corredor central e sair rápido a explorar o espaço deixado por essas subidas.

Fonte: Eleven Sports

A forma como o Parma se montou e organizou acabou por tirar partido da habitual inatividade de Ronaldo no desenvolvimento do jogo em posse, e da ainda normal falta de articulação com os companheiros. Nesta imagem vemos como Mandzukic se movimenta para facilitar o passe para Ronaldo, mas o português está já focado em se colocar nas costas do adversário para responder a um possível cruzamento.

  • Matuidi, ia avisando. 

Noutro dia, acredito que o Parma podia ter levado qualquer coisa deste jogo, mas apenas se nesse “outro dia ” a Juventus não tivesse jogado com Matuidi.

Na sequência em baixo, vemos como o francês é importante nas infiltrações e da desestabilização da organização compacta do adversário. Acima de tudo, a aproveitar e a capitalizar todos os erros que os adversários cometam. Luca Rigoni acabou por abandonar a sua posição no corredor central, sem necessidade, já que Gervinho tinha o lance controlado. Abandonou essa posição sem nunca se preocupar com o espaço que deixou nas suas costas, aproveitou Matuidi… e aproveita sempre Matuidi.

Fonte: Eleven Sports

No final, nota para o posicionamento de Bonucci a previr precisamente o que falei. A tentativa de o Parma recuperar no corredor central e procurar Inglese para este ajudar a sair rápido, para lançar a velocidade de Gervinho.

  • Aqueles golos, que parecem nascer do acaso. 

O Parma consegue empatar, com mérito, antes do intervalo, mas a entrada da Juventus na segunda parte obrigava ao Parma a ter de usar mudanças que a equipa ainda não tem.

Mandzukic foi muito importante a fixar-se ao lateral direito do Parma, o que o impede de ser mais célere a dar cobertura ao homem que fecha em Alex Sandro. Quando o lateral do Parma sai, já o faz tarde (se é que deveria ter saído) e abre espaço para Matuidi atacar o espaço que é criado entre ele e o central (Bruno Alves).

Fonte: Eleven Sports

Acredito que a estratégia do Parma foi impedir Alex Sandro de ter situações de 1vs1, mas Rigoni nunca demonstrou a inteligência posicional para dar as devidas coberturas.

Aproveitou, como faz sempre, Matuidi, que com esta exibição deixa de poder visitar a bonita região de Parma para férias.

 

 

 

 

 

 

João Mateus

A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.

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