Um mercado muito ativo é meio caminho andado para um mau início de época

Os mercados de transferências são sempre períodos agridoces para os adeptos. Se, por um lado, estes querem ver os seus clubes adicionar elementos de maior valia aos respetivos plantéis, por outro lado, não querem perder os jogadores mais influentes ou acarinhados. No caso dos dirigentes, é um pouco diferente. Há que aliar a saúde financeira ao bom desempenho desportivo e a parte racional deve sobrepor-se à emocional. Como tal, muitas vezes é necessário proceder a mudanças nos quadros. Porém, estas nem sempre são benéficas. 

O Vitória de Setúbal foi a equipa que mais contratou (17 jogadores). Apesar disso, conseguiu uma vitória frente ao Aves.

O AMBIDESTRO focou-se neste tópico e observou uma tendência entre o número de mudanças nos plantéis e o desempenho dos mesmos no início do campeonato, chegando à conclusão que quanto maior é o número de entradas e saídas, maior é o risco de um mau começo e, consequentemente, de uma época pobre. Ora vejamos: 

Em Portugal (excluindo os 3 habituais, porque funcionam com um modelo diferente), as 8 equipas mais ativas no mercado foram Vitória de Setúbal, Santa Clara, Moreirense, Belenenses, Rio Ave, Vitória de Guimarães, Portimonense e Desportivo de Chaves. Olhando para a classificação após a 1ª jornada, repara-se que 6 destas 8 equipas encontram-se na 2ª metade da tabela, com 0 pontos. As 8 equipas mais ativas no mercado em Portugal conseguiram apenas 6 pontos na 1ª jornada, frutos dos triunfos de Belenenses e Vitória de Setúbal.  

Em Inglaterra, Leicester, West Ham, Fulham, Wolverhampton, Brighton, Newcastle e Huddersfield contrataram mais de 60 novos jogadores. Contudo, apesar do muito dinheiro investido, estas equipas conseguiram apenas 1 ponto na 1ª jornada da Premier League. 

Estes dados revelam que é mais difícil começar com o pé direito quando o período de transferências é agitado. Tal não quer dizer que a época vá ser má, pois o intuito das transferências é melhorar o desempenho da equipa e isso pode acontecer com o tempo, mas, por norma, os primeiros tempos não são fáceis.  

Num grupo grande como é um plantel de futebol, onde há rotinas e automatismos táticos, é de grande importância a existência de um ambiente controlado, estável e familiar. Assim, com base nos dados exibidos no artigo, podemos afirmar que o equilíbrio e a estabilidade no mercado trazem maiores probabilidades de sucesso, especialmente a curto prazo.  

Marco Pereira

Amante do desporto, respira futebol e considera-o uma das suas grandes paixões. É licenciado em Línguas Aplicadas pela Universidade do Minho.

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