João Peixoto – um maestro que gesticula com os pés

Bilhete de Identidade

João, o ano passado, na primeira época com o símbolo do SC Praiense ao peito.

Nome: João Ricardo Silva Ribeiro Peixoto
Data de nascimento: 20/05/1983 (34 anos)
Naturalidade: Montijo
Peso: 72 kg
Altura: 1,80 m

João Peixoto é um médio de “fino” recorte técnico. Bastante criativo nas ações, recorre maioritariamente a um estilo de jogo a “um-dois toques”. Apesar de ser natural do Montijo, vive há sete anos nos Açores e sente que o arquipélago é também a sua casa.

Este experiente médio centro demonstra especial habilidade a assumir acções de condução, acompanhadas de virtuosismo no drible, assim como uma notável visão na colocação de passes a curta e média-distância.

De braçadeira no braço, foi a voz de comando do SC Praiense na excelente prestação realizada na época passada.

A convite do AMBIDESTRO aceitou falar um pouco do seu percurso como profissional, mas também da vida pessoal.

 


AMBIDESTRO – Olá, João. Começaste em 92/93 no Setúbal. O que nos podes contar sobre os tempos de “menino”?

João Peixoto – O tempo da formação é aquele tempo em que o futebol para ti é a paixão e tens a ambição de chegar lá cima. Essencialmente, nas camadas jovens é quando nos divertimos mais a jogar futebol, porque quando chegamos a profissionais as coisas são muito mais sérias. Sobre Setúbal… foram 12 anos fantásticos onde ganhei uma enorme paixão pelo Vitória. É um clube que vai ficar sempre no meu coração, tanto pelos anos que lá passei, tanto pelas pessoas que fui lá conhecendo. Foi o que me fez Homem, foi o que me fez ter a carreira que tenho.

AMBIDESTRO – Como foi a transição de junior para sénior?

João Peixoto – Acho que antigamente a transição era muito mais difícil do que é hoje. Tanto que estava habituado a jogar sempre nas camadas jovens do Setúbal e no Casa Pia não era um jogador que jogasse regularmente. Isso foi difícil para mim psicologicamente porque um jogador que joga sempre e depois chega aos seniores e também pensa que vai jogar regularmente, mas não acontece isso… foi um bocadinho difícil em termos psicológicos. Perdi um bocadinho a paixão de jogar, mas também se calhar foi isso que me deu força para avançar.

AMBIDESTRO – Contas com passagens por vários clubes… Podes falar um pouco sobre o teu percurso?

João Peixoto – Nunca me acomodei aos clubes por onde passei. Foram situações que foram surgindo. Em Moscavide, por exemplo, estive meia época e pedi para ir embora porque não jogava assiduamente…no Pinhal Novo tive duas épocas. No primeiro ano não jogava assiduamente, mas no segundo ano joguei 30 e tal jogos e foi aí que fui para o Setúbal B porque tinha mais um ano de contrato. Na altura tinha muitos meses de ordenado em atraso em Setúbal e eles prometeram-me que pagariam e que iam regularizar a situação e eu decidi voltar a Setúbal no meu último ano de contrato. Mas hoje em dia admito que foi um erro voltar para Setúbal e apesar de na equipa ter sido dos jogadores mais regulares era muito raro ir à equipa A. A equipa B muitas das vezes é uma ilusão. Tudo depende de como trabalha o treinador da equipa A com a equipa B. Tive um excelente ano no Atlético. Mas voltei ao Pinhalnovense porque o treinador na altura, era o Paulo Fonseca e tinha um projeto ambicioso e gosto de pertencer a esse tipo de projetos. Em relação ao Operário foi uma mudança radical, é verdade. Passar do continente para uma ilha é diferente. A verdade é que nos primeiros dois meses tive dificuldades e queria voltar para casa, mas a partir daí assim que me adaptei ao clube e à ilha, não quis sair de lá.
Apesar de ter propostas de clubes superiores nunca quis sair porque também queria estabilizar a minha vida e carreira. Tive cinco anos fantásticos no Operário. Depois surgiu o Praiense que me apresentou talvez a melhor proposta a nível monetário enquanto sénior e o projeto em si era ambicioso. Foi isso que me fez mudar.

AMBIDESTRO – Qual o balanço da última época?

João Peixoto – Ficou um sabor agridoce na boca. Porque fizemos a melhor época de sempre no clube, mas nem isso chegou para os nossos objetivos.

Fotografia: Mário Picanço
João num lance dividido frente ao SC Lusitânia.

AMBIDESTRO – O que faltou?

João Peixoto – Subir de divisão. Independentemente da arbitragem, a culpa também foi nossa porque não gerimos as emoções da melhor maneira. Era um jogo do tudo ou nada. Faltaram os golos.

AMBIDESTRO – De todos estes clubes que tu passaste, existe algum que te marcou mais?

João Peixoto – Vou ter que dizer três. O Setúbal porque foi onde eu cresci. O Pinhalnovense porque foi aquele clube que me deu mais oportunidades para estar no futebol. E o Operário porque passei lá cinco anos fantásticos, tanto a nível pessoal como profissional. Senti-me acarinhado pelas pessoas. O que posso falar do Praiense é que adoro estar aqui. E quando há vitórias é tudo muito mais fácil. No fundo são estes quatro clubes.

AMBIDESTRO – Momento mais alto da carreira?

João Peixoto – Quando fui internacional por Portugal. Foi uma sensação que só lá estando é que se sabe qual é. Ouvir o hino, jogar pela seleção, jogar por Portugal… Incrível.

AMBIDESTRO – Foi em que ano?

João Peixoto – Se bem me recordo foi em 2001/2002.

AMBIDESTRO – O que farias diferente na tua carreira?

João Peixoto – Ui… tanta coisa. Ia mais à luta. A minha transição de junior para sénior não foi fácil e eu desisti um bocadinho aí. E se calhar trabalhava mais para a agarrar as oportunidades que tive. Trabalhava de maneira melhor e a maturidade que tenho hoje, gostava de a ter quando tinha 20 anos.

AMBIDESTRO – Sendo tu um jogador do meio-campo, preferes marcar ou assistir?

João Peixoto – Eu acho que marcar é mais bonito (risos). A festa do golo. Um golo é a festa do futebol, por isso acho que marcar é mais bonito e a sensação de marcar é melhor que a sensação de assistir.

AMBIDESTRO – Ambições a curto prazo?

João Peixoto – Apesar de ter 34 anos… a minha ambição é ser melhor hoje do que ontem. Porque apesar de ter esta idade sei que posso continuar a evoluir. Perco umas coisas, mas vou ganhar outras e no futebol o objetivo é ser melhor hoje do que ontem. Nada mais que isso.

AMBIDESTRO – O que esperas fazer quando terminares a carreira?

João Peixoto – Isso para mim é um assunto delicado. Acho que é uma incógnita para muitos jogadores que estão na minha situação a terminar a carreira… mas ainda quero jogar mais uns aninhos (risos). Já tirei o curso de primeiro nível de treinador. Agora espero tirar o segundo… mas gostava de ficar ligado ao futebol. Futebol é a minha paixão e é isso que eu quero.

AMBIDESTRO – Sentes que tens perfil de treinador?

João Peixoto – Acho que para ser treinador a parte mais fácil é a prática. Agora a parte psicológica essa sim… de compreender os jogadores é a mais difícil. Eu desconheço como é a minha situação em termos de liderança de grupo. Um treinador, ao fim e ao cabo, tem de ser treinador e ao mesmo tempo psicólogo. Se me sinto capaz? Não sei, porque nunca passei por essa situação. Mas acho que com o passar dos anos vou aprendendo e quando chegar a altura logo se vê.

AMBIDESTRO – Contas com uma vasta experiência no Campeonato de Portugal. O que mudavas?

João Peixoto – Para ser sincero eu gosto mais destes moldes. Acho que se torna mais competitivo. Se uma equipa quer lutar para subir tem de preparar o orçamento desde o início da época, ao contrário do ano passado.

O médio centro destaca-se pela sua apurada técnica.

AMBIDESTRO – Como te descreves enquanto jogador?

João Peixoto – Isso é uma pergunta difícil. Sou o meu maior crítico. Detesto errar, seja um passe, seja uma receção, seja o que for. Enquanto jogador? Se tinha qualidade para fazer uma carreira melhor? Tinha. Se tinha qualidade para estar num campeonato mais acima? Também acho que tinha. Eu sei a minha qualidade e também sei a qualidade de quem está lá em cima. Também sei que quem está lá em cima trabalhou mais do que eu. Tecnicamente sempre fui um jogador evoluído. Tacticamente não vou dizer que sou perfeito, mas posso dizer que sou um jogador que cumpre o que os treinadores pedem.


Eu chamo-lhe o Pirlo do Campeonato de Portugal. Extremamente capaz ao nível da técnica de remate e cruzamento, é uma certeza na execução de lances de bola parada.

Apesar de ocupar a zona mais recuada do meio-campo, a sua mobilidade permite-lhe desdobrar-se e aparecer com frequência em zonas de decisão final, oferecendo um avantajado dinamismo aos sistemas intermédios do futebol da sua equipa.

É um patrão no meio campo. É a batuta que rege o SC Praiense. Com 34 anos, está “aí para as curvas” e promete continuar a deslumbrar com o seu futebol delicado e primoroso.


FORA DAS QUATRO LINHAS

Música favorita: Não tenho. Gosto do que geralmente passa na rádio. E gosto de músicas românticas.
Prato favorito: Bacalhau na brasa
Tempos livres: Beber café e passear com a namorada
Talento escondido: Matemática
Ídolo de infância: Roberto Baggio
Filme favorito: “O bom, o mau e o vilão”
Treinador que mais te marcou: Vou dizer o Paulo Fonseca, pois foi aquele que me evoluiu para o futebol de hoje em dia, mais táctico. Também o Paco Fortes porque me puxou quando eu não jogava tão regularmente. E o Francisco Agatão pois é o mais experiente com quem trabalhei.
Melhor jogador da actualidade: Cristiano Ronaldo
Melhor equipa que viste jogar: Barcelona do Pep Guardiola


Em meu nome pessoal quero agradecer a disponibilidade e simpatia do João. Um belo exemplo para os mais jovens pela sua humildade e qualidade. Desejo-te as maiores felicidades pessoais e profissionais.

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Ricardo Rocha Cruz

Confiante, resolvido consigo mesmo e ousado. Prazer, chamo-me Ricardo Cruz. Bem-vindos ao meu novo projeto. 

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