Sporting Clube de Braga: um caso único em Portugal

Pode-se dizer que ao longo da história o futebol português teve uma visão maioritariamente tripartida: ou se é adepto do Benfica, ou do Sporting, ou do Porto, e a maior parte dos títulos sempre residiram nesses três polos. Poucos são os clubes que conseguiram ser exceção e ganhar troféus, ou que atraíram uma massa associativa significativa, mas ao longo dos últimos anos algumas equipas têm disputado o estatuto de “quarto grande”, conseguindo “morder os calcanhares” dos três clubes referidos acima, nomeadamente o Boavista, o Vitória de Guimarães e o SC Braga.

Nos últimos anos o clube minhoto é o caso de evolução sustentada mais evidente no futebol português, fora dos três grandes, tendo ficado ausente do top-5 da classificação apenas na época 2013/14. Na memória ficam participações excelentes em provas europeias como vencedor da Taça Intertoto em 2008, participante da fase de grupos da Champions em 2010/11 e 2012/13 e finalista vencido da Liga Europa em 2011. Já a nível interno uma Taça da Liga ganha por Peseiro em 2012/13 e uma Taça de Portugal em 2015/16 pela mão de Paulo Fonseca. Juntamente com estes resultados positivos, o clube tem uma capacidade/política de contratação distintas de todas as outras equipas que não os três grandes. Será mesmo este último motivo o foco deste artigo. Muito mérito deste crescimento exponencial dever-se-á claramente ao presidente António Salvador, líder do clube desde 2003.

 

O Braga foi campeão da Taça de Portugal em 2015/16, ganhando ao Porto nos penalties

Escusado será dizer que, nos últimos anos, as façanhas acima descritas não estiveram à altura de mais nenhum clube que não Sporting, Benfica ou Porto. O Vitória de Guimarães tem ganho estatuto, sendo vencedor da Taça de Portugal 2012/13 e finalista vencido da edição passada, mas ainda não teve sucesso além-fronteiras. O Nacional e o Marítimo são assíduos participantes das competições europeias, mas mantêm-se normalmente no quinto ou sexto lugares, à exceção (negativa) do descalabro que foi o Nacional da Madeira da época passada. Se compararmos o valor de mercado total destes clubes, o SC Braga apresenta um valor de mercado de 61 milhões de euros, muito superior a Vitória de Guimarães (25 milhões de euros) ou Marítimo (18 milhões de euros). Há um ano atrás, esse valor ascendia aos 71 milhões de euros, e no final da época 2011/2012 chegou a atingir os 80 milhões, enquanto o Vitória SC roçou no máximo os 30 milhões. Os próprios valores envolvidos no seus negócios têm aumentado, sendo os reforços mais caros de sempre Wallace (9 milhões de euros) e Danilo (4,5 milhões de euros), ambos com a gestão de Jorge Mendes, é certo, e as maiores vendas dão pelo nome de Rafa Silva (16,5 milhões de euros) e Pizzi (13,5 milhões de euros), já para não falar de Aderllan Santos, Sílvio, Éder, ou Zé Luís.

Uma explicação destes valores de mercado únicos em Portugal, num degrau intermédio entre “pequenos” e “grandes”, será a política de contratação dos gverreiros braguistas. A partir dos anos 90 a liga portuguesa sofreu uma grande “americanização” do mercado, que se prolongou até aos dias de hoje, com clubes a atingirem percentagens avassaladoras de estrangeiros, e um exemplo disso é o Marítimo que atualmente tem 74% de jogadores estrangeiros no plantel, a grande maioria brasileiros. Nos anos 2000 deu-se o expoente desta procura de americanos a baixo-custo, e hoje os clubes não só apostam mais em jogadores portugueses, como também noutros mercados como da Europa de Leste. Claro que o Braga não fugiu à regra, e muitos dos seus grandes jogadores foram e são da América do Sul, mas não é a nacionalidade dos futebolistas que diferencia a política do Braga, mas sim o renome dos jogadores que consegue contratar.

 

António Salvador, empresário de 46 anos, é presidente do clube desde 2003

Desde que António Salvador é presidente do clube, o SC Braga tem apresentado vários jogadores que passaram pela grande roda do futebol internacional, alguns com ligação anterior ao clube, outros apenas decidiram abraçar o projeto do presidente atualmente com 46 anos. São jogadores por norma experientes, internacionais portugueses e com passagens por um dos três grandes, que procuraram relançar a carreira num clube com ambição de se tornar o quarto grande. Ao longo dos anos, outros clubes como os já referidos Vitória SC, Nacional, Marítimo, até o Paços de Ferreira tiveram bons resultados desportivos e vendas a bons valores, sem a consistência do Braga é certo, mas nunca tiveram o poderio para fazer contratações deste género. Apresento-lhe então uma lista, por ordem cronológica, de jogadores de renome contratados pelo Braga, sem contar com empréstimos, que galvanizaram os arsenalistas neste estatuto de quarto grande.

João Tomás

 

Frechaut

 

Hugo Leal

 

João Vieira Pinto

 

Linz

 

Jorginho 

 

César Peixoto

 

Meyong 

 

Alan Osório

 

Hugo Viana

 

Quim 

 

Custódio

Nuno Gomes

 

Rúben Amorim

 

Rúben Micael

David Silva

Lourinhanense de gema, é estudante de Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Tem como hobby a escrita, e como paixão o futebol.

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