Edinho Silva: “velhos são os trapos”

Bilhete de identidade

Nome: Arnaldo Edi Lopes da Silva

Data de nascimento: 07-07-1982

Naturalidade: Aveiro 

Peso: 77 kg

Altura: 1,86 m

Posição: Ponta de lança 

Com 34 anos, Arnaldo Edi Lopes da Silva, ou simplesmente “Edinho”, é uma primorosa mistura de velocidade, coordenação e virtuosidade no drible. Ao todo conta com participações em 13 clubes diferentes. Experiente, mas com a garra de um jovem de 20 anos sonha com a participação no Mundial 2018, que se vai realizar na Rússia. A convite do AMBIDESTRO aceitou falar um pouco do seu percurso como profissional, mas também da vida pessoal.

AMBIDESTRO – Começaste em 95/96 no V. Setúbal e na última época regressaste a casa. Qual é a sensação de voltar ao clube que te viu dar os primeiros toques na bola? 

Edinho – Foi muito gratificante para mim. Fui muito bem recebido nesta casa que eu tão bem conheço. O Vitória proporcionou-me o primeiro título que ganhei na Taça da Liga. É um clube que diz muito à minha família, uma vez que o meu pai já foi jogador do Vitória de Setúbal. Poder voltar, poder ajudar a equipa a atingir os objetivos é muito gratificante. Estou realmente muito satisfeito com aquilo que realizei.

AMBIDESTRO – Na última época marcaste 9 golos em 32 jogos. Qual o teu balanço da época 2016/2017?

Edinho – O balanço é positivo. Embora tenho a noção que se fizesse a pré-época, se não estivesse tanto tempo parado antes de começar a competir tinha feito mais golos. Mas acaba por ser positivo. Igualei o numero de golos da última vez. Agora é preparar para nesta época ultrapassar esses golos e ajudar a equipa a ir o mais longe possível.

AMBIDESTRO – No currículo contas com a presença em 13 clubes diferentes. Existe algum que te marcou mais?

Edinho – Os clubes que mais me marcaram foram o Braga e o Vitória de Setúbal. São dois clubes que adoro… que amo muito. Embora o Braga leve vantagem pelos muitos anos que lá estive. Por ter ido em miúdo para lá. Cresci lá, e daí o meu amor pelo Braga. O Málaga gostei, mas acabou por não ser uma experiência muito boa depois da ida do Jesualdo Ferreira. Foi graças a ele que fui dispensado, infelizmente.

AMBIDESTRO – Em 2007/2008 tiveste a tua primeira experiência fora do país. Como foi a adaptação?

Edinho – Foi na Grécia. Adaptei-me muito bem. Comecei a jogar e a fazer golos. Até há pouco tempo tinha o recorde de golos em jornadas consecutivas o que veio a acontecer também na Turquia. Daí ainda hoje as pessoas me enviarem mensagens e pedem-me para voltar, tanto para o AEK como para o PAOK. Significa que fiz um bom trabalho e isso é muito gratificante.

AMBIDESTRO – Levaste alguém contigo nessa viagem? 

Edinho – Nessa viagem levei a minha família. Na altura a minha mulher estava grávida e foi comigo.

AMBIDESTRO – Somas 6 internacionalizações pela seleção A e três golos marcados. Destacas algum deles?

Edinho -Destaco o golo contra a África do Sul. Foi a minha estreia na seleção nacional. E estrear-me e poder fazer logo um golo acho que foi bastante positivo.

AMBIDESTRO – O facto de teres figurado entre os eleitos para representar as cores nacionais permitiu que jogasses ao lado de Cristiano Ronaldo. Como é jogar ao lado do melhor do mundo?

Edinho – Jogar ao lado do Cristiano, Pepe, Bruno Alves, Nani, Quaresma… é o culminar de um sonho. O Quaresma já o conhecia desde novo porque joguei com o irmão dele. Tive a felicidade de conhecer o Cristiano quando fui para a seleção. Fui muito bem recebido, eles puseram-me logo à vontade.

AMBIDESTRO – Qual foi o momento mais “alto” da tua carreira?

Edinho – Sem dúvida a conquista da Taça de Portugal e representar a seleção principal.

AMBIDESTRO – E o golo mais marcante?

Edinho – O golo mais marcante foi o do ano passado… o pénalti no último minuto contra o Sporting. Creio que gerou muita antipatia dos adeptos do Sporting para comigo. Mas foi o golo que teve mais influência.

AMBIDESTRO – Gostavas de ter feito algo na tua carreira que não conseguiste fazer?

Edinho – Estou contente com a carreira que fiz, nunca fui ajudado por ninguém. Sempre subi a pulso, com o fruto do meu trabalho. Sem pedidos ou rebaixamentos como alguns fazem. Eu tenho orgulho em dizer que tudo o que conquistei, tanto na seleção como a nível de clubes, foi feito com extrema dedicação e empenho, e isso deixa-me de consciência tranquila no meu valor. Tenho noção que se calhar se tivesse sido “puxa saco”, se calhar se “tivesse pedido” como outros fizeram… neste momento ainda estava na seleção. E aí já tivesse jogado num grande de Portugal. O que me deixa triste é que tanto em Málaga, como na Turquia, como na Grécia, me reconhecem. Gostava de ter metade desse reconhecimento em Portugal. Acho que isso já era muito gratificante para mim. Infelizmente, lá fora dão-me mais valor e reconhecem o meu trabalho e em Portugal não. Mas cá estou eu para as curvas. E um dos meus objetivos é mostrar e tentar mudar a mentalidade portuguesa que aos 30 anos o jogador já está velho. Isso é mentira. E prova disso são os 34 anos que tenho. Continuo a ter mais força que muitos jovens. A empenhar-me mais que muitos jovens. E os resultados vão aparecendo. Acho que quando acreditas naquilo que fazes, naquilo que és, nada nem ninguém, a não ser Deus, te pode parar de fazer evoluir.

AMBIDESTRO – Ambições a curto prazo?

Edinho – Sem dúvida voltar à Seleção. Este ano vou-me dedicar ao máximo para conseguir estar no Mundial.

AMBIDESTRO – O que esperas fazer quando terminares a tua carreira de jogador?

Edinho – Espero terminar aos 40 anos. Enquanto tiver vontade, esta ambição, querer e dedicação, mas também enquanto me sentir útil, irei continuar a jogar. O meu pai jogou até aos 40 anos, portanto quero chegar a esse numero e vou continuar a trabalhar para que isso aconteça.

Edinho destaca-se essencialmente pela presença dentro de campo. O experiente ponta de lança revela oportunismo, instinto e astúcia na forma como sai das marcações sem bola para aparecer depois na cara do golo. Eficaz no jogo de costas para a baliza e em acções de apoio frontal, evidencia técnica no remate com ambos os pés, assim como, no cabeceamento.

Foi ao serviço da Académica que Edinho alcançou o seu recorde de golos marcados numa época: 18, para ser mais preciso.

Ainda que se distinga por ser um jogador essencialmente de área para actuar nas redondezas do golo, Edinho participa bastantes vezes em acções de arrastamento/deslocação dos defesas adversários para posterior aparecimento de companheiros em zonas de decisão final.

 

Filho de peixe sabe nadar. Que é o mesmo que dizer: filho de Arnaldo Silva tem de jogar até aos 40 anos. Edinho está “aí para as curvas” e promete fazer balançar as redes da Liga NOS durante muitos jogos.

Fora das quatro linhas

Música favorita: Não me toca – Anselmo Ralph

Prato favorito: Caldo mancarra (comida típica da Guiné-Bissau) 

Tempos livres: Estar com a família e amigos

Talento escondido: Cantar

Ídolo de infância: George Weah

Estreia como profissional: Porto vs Braga

Primeiro golo: vs Odivelas, num jogo a contar para a Taça de Portugal

Filme favorito: Gladiador

Treinador mais importante: Tive vários treinadores que me ajudaram bastante. O Pedro Emanuel e o Sérgio Conceição foram aqueles que tiraram melhor rendimento de mim, sem querer tirar mérito a qualquer outro treinador. Também estou a gostar bastante de trabalhar com o “mister” José Couceiro. Está a surpreender-me muito pela positiva.

Melhor jogador da atualidade: Cristiano Ronaldo

Melhor equipa que viste jogar: Barcelona de Pep Guardiola

 

—————————–

Em meu nome pessoal quero agradecer a disponibilidade e simpatia do Edinho. Desejo-te as maiores felicidades pessoais e profissionais.

Junte-se a nós no facebook em AMBIDESTRO

 

 

 

 

 

 

Ricardo Rocha Cruz

Confiante, resolvido consigo mesmo e ousado. Prazer, chamo-me Ricardo Cruz. Bem-vindos ao meu novo projeto. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.