Tito Júnior : The only way is up

Bilhete de identidade :

Nome : Tito Cabral Júnior

Data de nascimento : 28 de Julho de 1995 (21 anos)

Nacionalidade : Portuguesa

Naturalidade : Guiné-Bissau

Peso : 65

Altura : 1,75

Posição : Lateral direito / Extremo direito

Número : 45

 

Filho de pais guineenses, Tito Júnior é apenas um dos muitos portugueses nascidos na Guiné-Bissau, a vir para Portugal, em busca de uma vida melhor. O clima instável que se vivia no país, e o facto de em Portugal terem a possibilidade de dar uma melhor educação aos filhos, levou os seus pais a trocarem a ex-colónia pelo Cartaxo em 1997, quando o agora jovem jogador tinha apenas dois anos.

A paixão pelo futebol garante que nasceu com ele, portanto foi com toda a naturalidade que com oito anos decidiu tentar a sua sorte no futebol, no Sport Lisboa e Cartaxo. Infelizmente as limitações do número de jogadores estrangeiros (ainda não tinha adquirido a nacionalidade portuguesa) impediu Tito de ficar no clube. Não resignado com esta contrariedade, foi para o futsal na Casa do Benfica do Cartaxo, onde permaneceu duas épocas, tendo sido eleito diversas vezes o melhor jogador nos torneios que disputava.

Em entrevista ao AMBIDESTRO , o jogador do Sertanense recorda esses tempos com alguma saudade, revelando-nos uma história que nos traz o Euro 2016, Ronaldo e Nani à memória. “O meu irmão jogava futsal na Casa do Benfica do Cartaxo e quando não consegui ficar no futebol a escolha foi fácil. Apesar de ele já ser juvenil foi um apoio muito importante para mim e eu consegui retribuir-lhe esse apoio quando fui a um torneio em que ele também participou”, conta entre risos. “Nesse torneio estive muito bem e fui eleito o melhor jogador e o melhor marcador do meu escalão e, como o meu irmão não tinha ganho nenhum prémio, eu ofereci-lhe um dos meus para ele mostrar aos nossos pais. Ele deve ter pensado que eu estava a gozar com ele.”

Do futsal Tito passou para o grande rival do Sport Lisboa e Cartaxo, o Estrela Futebol Clube de Ouriquense, onde se sagrou campeão de série no escalão de infantis. A sua qualidade técnica e boas prestações foram essenciais para o sucesso do Ouriquense, e levaram o treinador dos iniciados do SL Cartaxo a levá-lo para o clube. Aqui o jovem que cresceu a admirar Ronaldinho, Messi e Zidane comprovou toda a sua qualidade, conquistando o campeonato distrital de Santarém por 3 vezes, uma em iniciados, uma em juvenis e uma em júniores.

E foi no último ano no SL Cartaxo que Tito conheceu o treinador que mais o marcou na sua ainda curta carreira. No primeiro ano de júniores, e depois de ter feito vários treinos com a equipa sénior ainda enquanto juvenil, o agora jogador do Sertanense lesionou-se, acabando por ficar vários jogos de fora. Quando regressou o treinador colocou-o no banco e na segunda-parte meteu-o a aquecer. Tratando-se de um jogo de nível de dificuldade reduzido o na altura médio centro estava convencido que iria entrar para ganhar ritmo, mas isso acabou por não acontecer, proporcionando a Tito um momento que jamais irá esquecer. “Eu estava à espera de jogar e como não entrei fiquei bastante desiludido e comecei a chorar. O treinador chegou ao pé de mim e perguntou-me porque é que eu estava a chorar. Expliquei-lhe a situação e o que ele me disse vai ficar para sempre na minha memória. Olhou-me nos olhos e disse-me que eu não tinha que provar nada a ninguém, que o que eu tinha a provar já lhe tinha provado a ele e a toda a gente. Disse-me também que era o melhor jogador da equipa e que precisava de mim para os jogos mais complicados, e isso motivou-me e ajudou-me a recuperar a confiança. Acabámos por ser campeões e quando a época nos júniores terminou fui integrado no plantel sénior.”

Foi já nos séniores que Tito recebeu uma chamada que acabou por mudar a sua vida. Quando estava a acabar a época pela equipa principal do Cartaxo, o Sr. Diogo Neto, diretor desportivo da formação do UD Leiria, ligou-lhe, chamando-o para um treino à experiência, já que tinha recebido um bom feedback por parte da federação de Santarém, que o recomendou ao clube de Leiria.

Decidido a vingar no mundo do futebol o estudante de línguas modernas, na Universidade de Coimbra, deparou-se então com um dilema que podia ter complicado tudo para si. “Fui chamado para fazer um jogo-treino pelos júniores do Leiria, mas nesse mesmo dia eu ia ter jogo pelos séniores. O treinador dos séniores era bastante rígido e se eu não fosse ao jogo ia ficar em maus lençóis, mas era uma oportunidade única para mim e eu tinha que tentar. Assim acabei por inventar que tinha um familiar da minha mãe no hospital e que tinha que o ir visitar para que o treinador me deixasse faltar ao jogo. Ele ficou sentido e deixou-me ir e eu fui para Leiria”, conta.

No jogo-treino Tito impressionou os responsáveis do UD Leiria que não hesitaram e avançaram para a sua contratação logo no final do jogo. Ao serviço deste clube histórico do futebol português, o ex-cartaxo passou a jogar a extremo, destacando-se pela sua velocidade, capacidade de desequilibrar no 1 para 1 e pela eficácia na hora de cruzar. Nesse ano a equipa de Leiria conseguiu o apuramento para a fase final da primeira divisão de Júniores, tendo defrontado equipas como Sporting, Benfica e Porto. E foi num jogo contra o Sporting que Tito encontrou um dos jogadores que considera ter sido dos mais difíceis de defrontar, Gelson Martins. “Eu andava a jogar a extremo, mas como íamos jogar contra o Sporting o treinador decidiu colocar-me a lateral direito para tentar travar a velocidade dos extremos deles. Foi a primeira vez que joguei a lateral e tive logo que enfrentar o Gelson. No 1 para 1 com o Podence o Matheus ainda consegui ganhar alguns duelos, mas quando o Gelson vinha para o meu lado era bastante complicado, acabei o jogo completamente esgotado”, recorda. Outros dos jogadores que mais impressionaram o lateral foram João Palhinha e Francisco Geraldes do Sporting, e Nuno Santos e Rochinha do Benfica.

Após um ano que considera ter sido de grande evolução chegou a altura de fazer a díficil transição para o futebol sénior. Não tendo a oportunidade de continuar ao serviço do Leiria, Tito procurou outras alternativas para dar continuidade à sua carreira acabando por optar pela Naval, outro histórico do futebol português.

No primeiro ano de sénior estabeleceu-se como lateral direito, fazendo uma época bastante regular no Campeonato Nacional de Seniores, marcando inclusive aquele que considera ter sido o seu melhor golo da carreira. Na sequência de um canto a bola sobra para a entrada da área, e com a bola a saltar Tito desfere um potente remate que só parou no canto superior direito da baliza defendida por Ruca (ex-Futebol Clube do Porto). “Fiz uma boa época, joguei quase todos os minutos e fui cumprindo e o Braga B acabou por me chamar para treinar à experiência. Treinei bem e achei que ia ficar, mas disseram-me que já tinham bons jogadores para a minha posição e por isso não havia lugar para mim. Não vou mentir, fiquei um pouco desiludido. No Braga notava-se que toda a gente queria mesmo estar ali e vinham sempre com muita vontade de treina. As condições eram incríveis e ter contacto com essa realidade e depois ter que voltar a meter os pés na terra e voltar à Naval não foi fácil, mas encarei isso como uma oportunidade de melhorar e acho que acabei por o conseguir na segunda época.”

O jovem que tem como referências na posição Daniel Alves da Juventus, e Nélson Semedo do Benfica, regressou então à Figueira da Foz decidido a triunfar fazendo uma época ainda melhor do que a primeira. Com a boa temporada realizada, em que jogou quase todos os jogos, falhando apenas dois por castigo, Tito foi abordado por Dimas, antigo internacional português, que pretendia representá-lo e gerir a sua carreira. E foi precisamente Dimas que lhe falou do interesse do Sertanense na sua contratação. “Acabei por assinar com o Dimas e pouco depois ele disse-me que tinha uma boa oportunidade para mim. Falou-me do Sertanense e disse-me que era uma equipa com aspirações a lutar pelos lugares cimeiros e a qualidade do clube convenceu-me. É uma equipa muito organizada, que paga a tempo e horas e que nos oferece todas as condições para trabalhar. Somos quase profissionais, o que não é assim tão comum no Campeonato de Portugal.”

No Sertanense Tito rapidamente se impôs, afirmando-se como um indiscutível da equipa da Sertã (foi totalista da equipa na temporada que agora terminou), e sendo eleito o jogador revelação da equipa. Com apenas 21 anos tem ainda uma longa carreira pela frente e o futuro parece reservar-lhe grandes feitos, estando o futebol profissional à espreita.

 

Comida favorita: Katchupa

Série favorita: Power

Desenho animado favorito: Oliver e Benji

Talento escondido: Fazer imitações

Clubes de Sonho: Benfica, Barcelona

 

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O AMBIDESTRO agradece a disponibilidade e simpatia do Tito Júnior. Desejamos-te as maiores felicidades pessoais e profissionais.

Também queremos agradecer ao site “The Lux Life” que teve um crucial contributo para a realização desta entrevista.

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Diogo Gonçalo

Diogo Rafael, 21 anos e um apaixonado pela vida no geral e pelo futebol em particular. Licenciado em Ciências da Comunicação e criador do site www.theluxlifeon.com, onde pretendo ajudar os outros a aproveitarem a vida ao máximo.

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