Vídeo-árbitro: uma questão de perspectiva

Hoje vamos falar de um assunto polémico. Um tema que pode ser muito bom para muitos e muito mau para outros tantos, mas porquê esta diferença toda? Supostamente, o Vídeo-Árbitro vai trazer maior precisão ao nível das arbitragens em Portugal, supostamente, existirão muito menos erros… Supostos de que ninguém consegue ter a certeza e a verdade é que o primeiro teste de fogo já está marcado: no Domingo há Taça de Portugal com o auxílio do  Vídeo-Árbitro e a espera torna-nos a todos muito mais curiosos.

Mas vamos por partes: o Vídeo-Árbitro é novidade? É pois! Mas só em Portugal. Lá fora, este auxílio ao juiz da partida já é usado em quase todos os grandes jogos de futebol. Também no rugby esta modalidade acaba por ser uma ajuda crucial.  A partir do momento em que a FPF e a Liga informaram que todos os jogos da próxima temporada estarão salvaguardados com esta ajuda, as redes sociais encheram-se de “Agora é que se vai ver”, “Agora é que se vai saber quem é ajudado ou não” , “Mas porquê só agora?”. A minha questão aqui é só uma: sim, o Vídeo-Árbitro vai estar em todos os jogos, mas será que os adeptos terão a noção de que nunca terão acesso às imagens?

Na realidade, tudo permanece na mesma: as equipas entram em campo, fazem as saudações aos adeptos, cumprimentam-se mutuamente e dá-se o pontapé de saída. O jogo decorre como sempre o conhecemos, aqui não há nada de novo. O que efectivamente poderá mudar é a validação, ou não, de alguns golos, a decisão, ou não, de algumas faltas na grande área, mas até nisto tudo permanece semelhante, porque a decisão final acaba sempre por ser do homem do apito.

Agora, se existe medo, receio, ou algumas certezas por parte de adeptos, é bom que tudo isso desapareça, porque, para quem vê, como já disse, tudo permanece exactamente na mesma. O árbitro só recorrerá às imagens se efectivamente muitas dúvidas existirem por parte dele próprio sobre a decisão a tomar.

Tudo isto é bom, tudo isto pode ajudar a que o futebol se torne mais “limpo”, mais certo, mas pensemos de uma outra forma: isto não irá também acabar com parte da magia deste espectáculo? Tomemos como exemplo um jogo grande (Sporting x Benfica, Porto x Sporting ou Benfica x Porto ), o jogo arranca e, apesar de estar muito renhido, aos 15′ minutos de jogo existe uma falta na grande área a favor da equipa da casa. O  árbitro não estava perto do lance, o fiscal de linha está no lado oposto e não conseguiu ter a certeza, o colega não conseguiu chegar mais perto e o quarto árbitro estava desatento. (Eu sei que tudo isto será talvez um exagero, mas veremos isto apenas e só como um exemplo)

PAROU TUDO ! Agora temos Vídeo-Árbitro. O jogo parou, os juízes que estão a avaliar as imagens informam o árbitro principal que existiu um toque, mas que, na sua opinião, o mesmo não justifica a marcação de uma grande penalidade… O árbitro não quer saber se acha ou se não acha, ele precisa de ter certeza! Pede para ver as imagens, vê e opta pela não marcação….

Os adeptos contestam, mas no entretanto já se passaram 2/3 minutos em que ficámos todos parados, à espera de saber a decisão de um árbitro com base numas imagens que nenhum de nós vai poder ver… A implicação disto? O jogo volta a ser jogado como se tivesse acabado de começar. O jogo perde a pica, perde o espectáculo, perde a sua essência.

Se o árbitro pôde até aos dias de hoje confiar no seu instinto para tomar decisões no imediato, porque não pode agora ele fazer o mesmo? Estará a encostar-se ao Vídeo-Árbitro?

Agora já existem desculpas para tudo. E atenção que com este mesmo exemplo não quero eu dizer que sou contra isto! Muito pelo contrário! Eu sou totalmente a favor do Vídeo-Árbitro, desde que este seja usado com pés e cabeça.

 

Mariana Ferreira

Mariana Cordeiro Ferreira, 25 anos. Apaixonada por futebol desde que me conheço. Criadora e Coordenadora Geral do blog "O Futebol no Feminino", desde 2013. Colaboradora na Sporting Fans, no Super Sporting e no Dabancada... E ainda comentadora da Curva Belíssima da Sporting TV. Escrevo sobre futebol, porque sinceramente não conheço outra forma de mostrar o meu amor pelo desporto rei.

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