Que tal começarem a jogar à bola?

“Agressão em jogo do Canelas 2010 leva árbitro ao hospital, “Autocarro do Dortmund atacado à bomba”, “Agressões nas bancadas termina jogo de infantis em Coimbrões”…

Estou um pouco apavorado com o que se tem passado nos relvados um pouco por todo o mundo. Não só nos relvados. Nos jornais, televisões, sites… Parece que a violência quer apoderar-se do futebol tanto a nível nacional como internacional.

Ontem aconteceu mais um caso reprovável de tudo o que não pode ocorrer num jogo de futebol. O Palmeiras venceu o Peñarol por 2-3, numa partida em que esteve a perder. Após o apito final instalou-se a confusão. Felipe Melo, numero 30 da formação brasileira, foi perseguido por vários jogadores uruguaios e acabou por acertar com um soco na cara de Matias Mier, camisola 10 da equipa adversária.

Tanto o jogador brasileiro como os restantes colegas de equipa sentiram sérias dificuldades para abandonar o campo. Ao tentar fugir para o balneário a equipa brasileira sofreu com a falta de policiamento e, imagina só, com o portão de acesso ao balneário fechado.

Os minutos de tensão alastraram-se à zona das bancadas. Os adeptos da equipa da casa tentaram invadir a zona em que se encontravam os adeptos do Palmeiras e arremessaram vários objetos ( latas de lixo, pedaços de metal, etc).

A minha pergunta é simples. Porquê? 

Temos de ser realistas. Dos milhares de jogos que se realizam todos os fins de semana, só numa pequena parte há problemas considerados graves. Contudo, isso não invalida tudo o que tem acontecido no futebol. Toda a violência física e verbal que até já teima em aparecer em jogos dos escalões de formação. E aqui eu volto a questionar. Vivemos numa era em que o futebol de formação está cada vez mais evoluído. Será que a culpa é de quem vai assistir aos jogos? Porquê que temos de continuar a assistir a partidas de futebol em que os pais insultam os miúdos e treinadores da equipa adversária? E o árbitro. Bem, desse “pobre coitado” prefiro nem falar. Terá a evolução dos progenitores estagnado no tempo?

E os media. Qual o papel dos orgãos de comunicação social no meio disto tudo?

As televisões, jornais, etc, “supervalorizam” os actos violentos ocorridos no futebol. Em maior parte das ocasiões transformam o secundário em principal. Fazem questão de “espetacularizar” o que devia ser repelido. Uma visão, na minha humilde opinião, “narcísica” dos acontecimentos, que polui cada vez mais o desporto rei. E a minha pergunta volta a ser: PORQUÊ?

Sem dúvida alguma que a melhor forma de prevenção é EDUCAR. Na escola e na sociedade. Tenho de dar razão ao meu avô… “no tempo dele não era nada assim”. Ensinar pouca influência tem, quando do outro lado temos a hegemonia das novas tecnologias e da sociedade do espetáculo e facilitismo.  Ambas discípulas do “DEUS-LUCRO”.

Mas também não é com exemplos como os que vimos ontem no jogo entre o Peñarol e o Palmeiras, a contar para a quarta jornada da fase de grupos da Taça dos Libertadores, que as gerações mais novas vão aprender quais os valores a ter em conta sempre que atamos as chuteiras, vestimos a camisola, entramos em campo e damos o máximo pelo símbolo que carregamos ao peito.

Um dia Bill Shankly, um dos treinadores mais marcantes da história do Liverpool, proferiu a seguinte afirmação: “Futebol não é uma questão de vida ou morte, é mais importante que isso.”

Futebol não é violência. Futebol é num segundo poder estar a chorar e no outro ser o homem/mulher mais feliz do mundo. Futebol é treino, esforço, partilha e RESPEITO.

Por isso, façam-me um favor. A mim e a todos aqueles que amam este desporto. COMECEM A JOGAR À BOLA.

 

Ricardo Rocha Cruz

Confiante, resolvido consigo mesmo e ousado. Prazer, chamo-me Ricardo Cruz. Bem-vindos ao meu novo projeto. 

One thought on “Que tal começarem a jogar à bola?

  • Maio 19, 2017 at 10:57 pm
    Permalink

    Excelente texto! Parabéns.

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.