Lembra-se de Pavel Nedved?

No “Lembra-se de?” desta semana recordamos a carreira de um dos melhores jogadores checos de sempre e um dos mais talentosos médios da sua geração.

Pavel Nedved nasceu no dia 30 de agosto de 1972 em Cheb, cidade pertencente à antiga Checoslováquia. Os primeiros toques na bola do então jovem jogador foram no Tatran Skalná, clube da sua cidade. Fez ainda parte da sua formação no Rudá Hvezda Cheb e no Skoda Plzen (atual Viktoria Plzen) antes de ser emprestado por este último clube ao Dukla Praga, onde fez a sua estreia a nível profissional em 1991, com 19 anos. Bastou uma época para se verificar o talento fora do comum do médio esquerdo, tendo este sido transferido no ano seguinte para o maior clube do país – o Sparta Praga.

A gloriosa carreira de Nedved começou a desenhar-se neste emblema. Logo na primeira época ao serviço do clube, ajudou a equipa a conquistar o Campeonato da Checoslováquia. No ano seguinte, esta nação dividiu-se em dois países – a República Checa e a Eslováquia – e, assim, nas duas temporadas que se sucederam, o Sparta Praga sagrou-se campeão checo.

Na sua quarta época com o símbolo do conjunto checo ao peito, Nedved assinou o melhor registo de golos da sua carreira, com 19 tentos apontados em 38 jogos, tendo, no entanto, a sua equipa falhado o triunfo no campeonato (ganharam, porém, a Taça da República Checa e chegaram às meias-finais da Taça UEFA). No final da mesma, o atleta foi convocado pela seleção checa para participar na primeira competição desta nova nação – o Euro 1996.

A República Checa acabou por ser a grande surpresa do torneio. Inserida na fase de grupos com Alemanha, Itália e Rússia, muitos acreditavam que Nedved e companhia iriam cedo para casa. Contudo, os checos conseguiram um notável segundo lugar, atrás apenas dos germânicos. Mas as surpresas não ficaram por aí. Nos quartos-de-final, a República Checa deixou para trás a seleção das quinas e, nas semifinais, foi a vez dos gauleses ficarem pelo caminho. Só os alemães, na final, impediram que esta história tivesse um final feliz. Ainda assim, esta competição ofereceu muita visibilidade a Nedved, que havia assinado excelentes exibições, tendo o PSV e a Lazio lutado pela contratação do jogador de 23 anos, acabando por ser os últimos a garanti-la.

 

Nedved fez história na capital italiana. Logo na primeira época, conseguiu apontar 10 golos, adaptando-se rapidamente ao novo país. Os títulos, contudo, vieram só no ano seguinte sob a forma de uma Taça de Itália e ainda a Supertaça relativa a este troféu. No fim desta, o checo alegadamente recusou uma aliciante proposta do Atlético de Madrid. Esta atitude acabou por se revelar acertada uma vez que, na temporada que se seguiu, a Lazio conquistou a última edição da Taça das Taças e também a respetiva Supertaça Europeia, únicos títulos internacionais da história do clube.

Na temporada 1999/00, os romanos dominaram as competições domésticas, vencendo a primeira Serie A do emblema desde 1974, a Taça de Itália e também a Supertaça referente a esse ano. No verão que se seguiu, foi o Manchester United a levar uma nega do médio. Contudo, desta feita a Lazio não deu razão à decisão de Nedved com títulos, ficando em branco nessa época. Em 2001, o clube romano passou por dificuldades financeiras e viu-se forçado a vender o seu craque à Juventus. Para trás ficou uma passagem de cinco anos pela capital italiana, com sete títulos, 51 golos e muita lealdade à camisola, motivos que fizeram de Nedved um ídolo para os adeptos biancocelestes.

Nedved chegou a Turim com a enorme responsabilidade de substituir Zidane, que havia saído para o Real Madrid, e ainda com a pressão acrescida de ter sido transferido por cerca de 40 milhões de euros, mesmo tendo já 28 anos. No entanto, o médio não acusou a pressão e ajudou a vecchia signora a conquistar o scudetto e a Supertaça logo na sua primeira temporada. Já na segunda, Nedved brilhou ainda mais e levou os bianconeri ao bicampeonato, a nova Supertaça e à final da Liga dos Campeões, jogo onde o checo não pôde figurar devido a suspensão e que a Juventus acabou por perder contra o AC Milan. Ainda assim, as prestações exibidas pelo jogador nessa época foram suficientes para convencer a France Football a atribuir-lhe a Bola de Ouro.

Depois de uma dececionante temporada em 2003/04, na qual a Juventus nada ganhou, chegava novamente a altura de outro Campeonato Europeu de seleções.

Após a excelente campanha no Euro 96, a República Checa não conseguiu dar seguimento às boas prestações, tendo falhado o apuramento para o Mundial 98 e 2002 e sido eliminada na fase de grupos no Euro 2000. Assim, em 2004 e já com 31 anos, esta era uma das últimas oportunidades para Nedved conseguir trazer glória para o seu país. Colocada novamente num grupo difícil com Alemanha, Holanda e Letónia, foram mesmo os checos a terminar em primeiro lugar do grupo, deixando os germânicos e letões para trás. Depois de eliminar a Dinamarca nos quartos, seguiu-se a Grécia nas meias-finais. Nesta partida, o médio lesionou-se ainda na primeira parte e os seus compatriotas perderam no prolongamento. Antes de se despedir do futebol internacional, Nedved ainda ajudou a sua nação a qualificar-se pela primeira vez para um Mundial em 2006, competição na qual foram eliminados logo na fase de grupos.

Depois do Euro 2004, seguiram-se mais duas ligas ganhas pela Juventus, nas quais Nedved voltou a ser uma figura importante. Contudo, na sequência do processo de corrupção Calciopoli, estes títulos foram retirados ao emblema de Turim e o mesmo foi castigado com uma despromoção para a segunda liga italiana no início da época 2006/07. Neste contexto, foram muitos os jogadores a abandonar o barco, tais como Thuram, Zambrotta, Cannavaro ou Ibrahimovic. Nedved acabou por ganhar a admiração dos adeptos porque, à semelhança do que fizeram Buffon, Del Piero ou Trezeguet, decidiu permanecer no clube e ajudá-lo naquele momento difícil. E foi justamente isso que fez ao conquistar a Serie B e retornar à primeira liga no final da época. O jogador ainda cumpriu mais duas épocas ao serviço da Juventus, nas quais não conseguiu aumentar o palmarés, antes de pendurar as chuteiras no fim da época 2008/09 com 36 anos de idade. Ao todo foram oito anos ao serviço da vecchia signora, ao longo dos quais somou 327 jogos, 65 golos e 41 assistências.

Pavel Nedved foi seguramente um dos melhores jogadores da sua geração que, infelizmente, nunca conseguiu ganhar a Liga dos Campeões. É também uma figura incontornável do campeonato italiano e um dos estrangeiros que mais brilhou nestes relvados através da sua raça, visão, velocidade, resistência, capacidade técnica, dribles notáveis, cruzamentos precisos, incríveis remates de longe e facilidade com que usava os dois pés, tendo, devido a estas características, sido apelidado pelos adeptos italianos de Fúria Checa. Atualmente, Nedved mantém-se ligado ao desporto rei, sendo vice-presidente da Juventus.

 

Observe alguns dos melhores momentos da carreira de Pavel Nedved:

 

Fonte da Imagem: Getty Images

Simão Vitorino

Nasci e cresci em Vila Franca de Xira e estou atualmente a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação na faculdade NOVA FCSH com o objetivo de me tornar jornalista desportivo no futuro, profissão que une duas grandes paixões minhas - o futebol e a escrita.