Lembra-se de Frank Lampard?

Um grande jogador e um exemplo de lealdade a um clube, como pouco se vê atualmente. Hoje recordamos um dos mais enigmáticos e goleadores médios do futebol inglês. Lembra-se de Frank Lampard?

Lampard na sua estreia pelo Swansea (1995)

Filho de Frank Lampard Sr., o médio começou por seguir as pegadas do pai, ingressando nas camadas jovens do West Ham, com 16 anos. Acabaria mesmo por assinar um contrato profissional com os Hammers logo no ano seguinte, no entanto a sua estreia nos relvados foi pelo Swansea AFC, enquanto cumpria um curto empréstimo no País de Gales (seria, de resto, ao serviço dos Swans que apontaria o primeiro golo da sua carreira).

De regresso a Londres, o jogador faria finalmente a sua estreia pelo West Ham, em jogo diante do Coventry City. No ano seguinte começaria a sua primeira partida a titular, mas a época terminaria prematuramente para o jogador, devido a uma fratura na perna. Tal não o impediu de voltar mais forte que nunca, conseguindo uma estreia de sonho em 1997, apontando o golo da vitória diante do Barnsley na primeira jornada e assumindo-se como titular absoluto dos Irons daí em diante (marcou 10 golos nesse ano, conseguindo também o seu primeiro hat-trick, em jogo para a Taça da Liga).

O médio em ação na pré-época, pelo West Ham (1998)

A veia goleadora começava a ser a sua imagem de marca, colocando-se sempre entre os melhores marcadores do plantel. Ironicamente, no entanto, aquela que seria a melhor época de sempre do West Ham registou-se quando menos golos apontou (apenas seis tentos ao longo de todo o ano). Em 1999, os londrinos consomariam o 5º lugar na Premier League, o que lhes daria acesso à Taça Intertoto, competição que viriam mesmo a vencer.

Mais dois anos se seguiram pelos Hammers e Lampard chegou até a assinar uma extensão ao seu contrato. No entanto, após ver o pai (treinador adjunto) abandonar o West Ham por, alegadamente, ter sido maltratado pelo clube, sentiu-se na pressão de, novamente, seguir o seu exemplo. Com isto, o médio goleador trocaria Upton Park por Stamford Bridge, passando a atuar pelo Chelsea, num negócio que rendeu 11 milhões de libras aos cofres dos Irons.

Lampard, Mourinho e John Terry celebram a conquista da Premier League (2005)

Iniciava-se, com isto, uma longa e rica história de lealdade aos blues, clube que representou ao longo dos 13 anos seguintes.

Participando em todas as partidas, conquistaria o seu primeiro troféu pelo clube em 2005, num ano em que o Chelsea venceria a Premier League, 50 anos depois do último título, bem como a Taça da Liga, competição na qual Lampard bisou por seis ocasiões. Sem grandes surpresas, foi considerado o jogador do ano em Inglaterra nessa mesma época.

Em 2005/2006, o atleta quebraria o recorde de maior número de jogos consecutivos pelo clube para a Premier League (164), apenas interrompido por uma constipação, que o forçou a sentar-se no banco, em jogo diante do Manchester City. Não obstante, a máquina goleadora permanecia bem oleada, apontando 12 golos apenas nos primeiros 4 meses dessa temporada. O Chelsea viria, de resto, a revalidar o título de campeão inglês nesse mesmo ano.

Nos anos seguintes, o médio continuava a fazer tremer adversários, marcando golos decisivos e inclusive envergando a braçadeira de capitão numa época em que o habitual líder, John Terry, se viu obrigado a ultrapassar uma lesão que o veria afastado das quatro linhas ao longo de grande parte da competição.

Os Blues celebram a vitória na Liga dos Campeões. Terry esteve ausente, mas juntou-se depois à festa (2012)

Em 2009/10 juntou mais uma Premier League ao palmarés, bem como um Community Shield, em mais uma campanha na qual se mostrou crucial para os objetivos do clube. Já em 2012 veio aquele que foi, provavelmente, o maior marco da sua carreira. Em Munique, diante do próprio Bayern, venceria a Liga dos Campeões, numa partida em que Lampard capitanearia os Blues, de novo devido à ausência por lesão de John Terry. O segundo troféu europeu para o médio e o primeiro da Champions League na história dos londrinos.

Em 2013, novo título europeu, desta feita a Liga Europa, numa final de má memória para os portugueses, em que os ingleses levariam de vencida a formação do Benfica, em Amsterdão. Nesse ano, Frank também se esmerou a nível individual, marcando 17 golos e tornando-se no segundo melhor marcador da história do clube.

 

Uma passagem curta por Manchester, mas que não deixou os Citizens indiferentes (2015)

A sua última época em Londres foi em 2013/2014. Sem grande história a nível de títulos, Lampard jogaria a 100ª partida da Liga dos Campeões e apontaria oito golos em todas as competições nesse ano. Nesta altura, era já o melhor marcador de sempre do Chelsea. A sua saída do clube, no entanto, não dispensou alguma polémica.

Após, alegadamente, assinar contrato com os americanos do New York City FC (clube que entraria na MLS em 2015), o Manchester City terá proposto receber o jogador a título de empréstimo até que o campeonato norte americano principiasse. Nem dito nem feito, Lampard manteve-se em Inglaterra na primeira metade da temporada, ao serviço dos Citizens.

A experiência dentro de campo contrastava e muito com a tenra idade do clube de Manhattan. Lampard, David Villa e Andrea Pirlo centravam neles todas as atenções do Yankee Stadium (2016)

 

 

Acontece que os líderes do NYCFC nunca tinham assinado qualquer tipo de contrato com o inglês, tendo sido acusados de usar o jogador apenas como forma de promoção do clube recém-criado (recorde-se que o emblema nova-iorquino foi fundado precisamente pelos donos do Manchester City). Tais acusações agravaram-se quando Lampard estendeu mesmo o seu contrato com a formação de Manchester até ao fim da temporada, não estando presente no início da época nos EUA. Todo este cenário gerou imenso desagrado entre os adeptos nova-iorquinos, mas Frank acabou mesmo por chegar à Big Apple, já com a temporada a meio.

Na sua curta estadia em Manchester, Lampard manteve a forma que sempre lhe foi característica, tendo sido recebido de forma calorosa pelos adeptos do Chelsea quando foi jogar a Stamford Bridge, não esquecendo estes o seu herói.

Rooney e Lampard celebram golo diante da Polónia, em Old Trafford (2005)

Em Nova Iorque, embora não se possa dizer que tenha vivido o “sonho americano”, o médio fez uma série de boas exibições, jogando a sua última partida a 6 de novembro de 2016, numa pesada derrota frente ao Toronto FC (0-5, em jogo a contar para os playoffs da MLS). Um fechar de página algo triste para uma carreira tão impressionante.

A nível da seleção nacional, após a sua estreia em jogos oficiais em 2003 diante da Eslováquia, não mais abandonou a titularidade dos ingleses. Com 29 golos em 106 partidas, participou ainda no Europeu de 2004, bem como nos Mundiais de 2006, 2010 e 2014, sendo sempre uma peça crucial nos quadros da seleção dos três leões.

Já fora dos relvados, após uma primeira fase no Derby County, Frank Lampard está agora de regresso a Stamford Bridge, para comandar a equipa técnica do clube que tanto ama.

Frank Lampard promete continuar a deslumbrar os Pensioners, mesmo estando no banco (2019)

Embora com um início algo conturbado enquanto treinador do Chelsea, o antigo médio dos Blues mantém-se ligado, tanto ao futebol, como à casa que o acolheu durante mais de uma década, onde tantas alegrias deu aos seus adeptos e dos quais tantas felicidades recebeu também.

Conseguirá Frankie um futuro tão brilhante como o que fez enquanto jogador? O tempo nos dirá, certamente.

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.