Em terra de cegos, quem tem olho é rei

O que têm Mario Balotelli, Káká e Paul Scholes em comum? Para além de serem excelentes craques em campo, tiveram que driblar mais um adversário: a Miopia.

Miopia, hipermetropia e astigmatismo são erros de refração muito comuns entre as pessoas que não conseguem ver bem. Os problemas ocorrem por defeitos na córnea – parte do olho responsável pela transmissão da luz – e pela formação do foco da imagem visual, de acordo com o tamanho do globo ocular.

Para contornar estes problemas existem várias opções: uso de óculos, lentes de contacto ou cirurgias. Kaká e Balotelli, por exemplo, optaram pela cirurgia.

Comecemos pelo início. Quando somos pequenos e nos perguntam o que queremos “quando formos grandes”, a maioria dos rapazes responde “jogador de futebol”. Claro que apenas uma pequena parte segue esse sonho e ainda uma pequena parte desses se tornam profissionais. Vingam os que têm mais jeito, maior capacidade atlética e os que se destacam de qualquer forma. No entanto, a má qualidade de visão pode tornar um bom jogador, num jogador mediano. A possibilidade de colocar a bola vários metros à frente, com precisão, num raciocínio de segundos, pode tornar-se mais difícil para alguns.

Vou dar um exemplo: quantos já não ouviram falar que um jogador precisa de ter “perceção periférica”? Traduzindo, é a capacidade de se entender aquilo que está além do foco principal, ou seja, a capacidade de se perceber que está a existir a aproximação de um lateral ou de um extremo e fazer um passe genial, estilo Bruno Fernandes, por exemplo. Essa ação pode ser mais difícil para uns do que outros, não só pela sua qualidade futebolística, mas também a sua visão.

Provavelmente já estarão a pensar como é possível alguém jogar com esta dificuldade. Tudo mudou na década passada, em 2010, com a FIFA a permitir o uso de óculos por parte dos jogadores durante as partidas oficiais. No entanto, os óculos terão de ser óculos adequados para a prática do futebol para que não ofereça riscos para os atletas. Para quem não se adapta à utilização de óculos, pode sempre recorrer a lentes de contacto. A grande desvantagem é que pode causar irritação e desconforto com o suor. Outra alternativa é a cirurgia refrativa que tem uma alta taxa de sucesso.

Vou dar dois exemplos de jogadores extraordinários, ambos reformados, que pela sua carreira, um utilizou óculos e o outro utilizou lentes de contacto.

– Quem nasceu até à década 90 lembrar-se-á de Edgar Davids. O jogador holandês foi um dos poucos que assumiu o uso de óculos durante a carreira, até porque antes era proibido pela FIFA.  Um glaucoma (uma lesão que ocorre no nervo ótico tem a função de enviar informações visuais ao cérebro e causa danos irreparáveis à sua visão) exigiu a necessidade de óculos para a proteção dos seus olhos. Para isso Edgar Davids conseguiu uma autorização exclusiva da FIFA e graças a isso, conseguimos assistir a uma fantástica carreira quer pelos clubes que representou, quer pela sua seleção.

– Quem se lembra da equipa dos “meninos do Fergunson” do Manchester United, lembra-se de Paul Scholes. O médio teve uma excelente carreira onde ganhou 11 campeonatos e duas Ligas dos Campeões. Com uma precisão de passe e visão de jogo invejáveis, a verdade é que o jogador inglês jogava com lentes de contacto, mas isso não foi problema para o antigo craque.

 

Por fim e para terminar o artigo, convém dizer que hoje os óculos não são mais um problema e há quem os use até como acessório de moda. Recomendo que vejam a imagem do artigo que mostra dois jogadores que utilizam óculos sem necessidade de proteção visual, apenas como acessório de estética. São eles Neymar Jr (Paris SG) e Daniel Alves (São Paulo).

João Estanislau

Actualmente a frequentar uma Pós-Graduação em Marketing e Gestão do Desporto no INDEG-ISCTE, sou licenciado pelo Instituto Superior de Comunicação Empresarial em precisamente Comunicação Empresarial. Escrever sobre desporto sempre foi uma realidade para mim, nas minhas redes sociais e que pretendo agora partilhar contigo. Fica atento!