Lembra-se de Hugo Almeida?

Anunciou recentemente o término da sua carreira enquanto futebolista. Com quase 20 anos no ativo, passou por alguns clubes portugueses, mas foi no estrangeiro que mais se impôs, bem como na seleção nacional portuguesa. Lembra-se de Hugo Almeida?

Natural da Figueira da Foz (23/5/1984), foi no GD Buarcos que encontrou o gosto pelo desporto rei, tendo, posteriormente, representado a Naval 1º de Maio, terminando a sua formação enquanto jogador ao serviço dos dragões do FC Porto. Estabelecido como avançado centro, começou por atuar pela equipa B azul e branca, tendo feito a sua estreia no plantel principal em 2002, numa partida a contar para a Taça de Portugal (jogou os último 30 minutos).

No resto dessa época, acabaria emprestado à União de Leiria. No ano seguinte, embora tenha servido a equipa principal portista em algumas partidas, tendo inclusive jogado em dois encontros da Liga dos Campeões (um deles frente ao Real Madrid), acabaria por regressar a Leiria por empréstimo, desta feita com o clube já promovido ao principal escalão do futebol português. Mais do mesmo sucedeu em 2004/05, com o figueirense a ser de novo emprestado, desta feita aos rivais da Invicta, o Boavista.

Foi preciso esperar por 2005/06 para o avançado finalmente se impor no plantel do FC Porto. Embora não sendo titular absoluto, foi opção em praticamente todas as partidas, conseguindo apontar cinco golos em 38 jogos.

A saga dos empréstimos parecia não ter fim e, de novo, Hugo Almeida fez as malas, desta vez para rumar à Alemanha, onde jogaria pelo Werder Bremen. O que é facto é que, após uma época onde “faturou” 13 golos em 49 partidas jogadas (os melhores números da sua carreira, até então), acabou por ficar em definitivo. A mudança mostrar-se-ia uma aposta mais do que certeira por parte dos alemães, com a titularidade a assentar-lhe que nem uma luva e conseguindo a melhor marca pessoal de sempre no que a golos diz respeito (17 em 38 jogos). Pelos alemães, teve ainda a hipótese de jogar a final da Liga Europa, em 2009. As boas exibições valeram-lhe também a convocatória para a seleção, em 2007.

Foram quase cinco os anos que passou em Bremen, rumando, posteriormente, à Turquia para representar o Besiktas, onde, graças ao comando de Carlos Carvalhal, teve a oportunidade de jogar lado a lado com vários compatriotas (Simão Sabrosa, Ricardo Quaresma, Bebé, entre outros). Passou os quatro anos que se seguiram em Istambul, onde também se assumiu como titular absoluto, mantendo uma boa média de golos por jogo.

O que é facto é que, a partir de 2014, após terminar contrato com os turcos, Hugo Almeida nunca mais foi o mesmo, acabando por nunca se assentar em nenhum clube por mais de um ano. Foram seis os emblemas pelos quais passou nos quatro anos que se seguiram (Cesena, Kuban Krasnodar, FK Anzhi, Hannover 96, AEK e Hajduk Split), acabando estas por ser passagens algo discretas e onde nunca acabaria por se assumir como peça chave nos planteis.

Após vários anos onde andou “desaparecido”, também graças ao facto de deixar de ser opção na seleção das quinas, acabaria por regressar a Portugal em 2018, vestindo as cores da Académica de Coimbra, atuando no segundo escalão nacional. Pelos estudantes conseguiria recuperar um pouco da forma que outrora lhe fora característica, apontando 10 golos em 23 jogos.

No entanto, já com 35 anos, nunca conseguiu reclamar a titularidade, como em tempos o fez. Com isto, a 5 de Janeiro de 2020 realizaria a sua última partida como profissional do futebol, jogando os último 5 minutos do encontro da “Briosa” frente à equipa B do FC Porto.

A nível da seleção nacional portuguesa, estreou-se em 2007, em jogo de qualificação para o Europeu de 2008, diante da Bélgica. Viria de resto a ser opção habitual, quer de Luiz Felipe Scolari, quer de Paulo Bento, participando em dois campeonatos da Europa (2008 e 2012) e ainda em dois Mundiais (2010 e 2014). A sua última partida de quinas ao peito foi diante da Alemanha, para o campeonato do mundo de 2014, no Brasil, onde acabaria por jogar pouco menos de meia hora.

Aproveitando as saídas de Liedson e de Pauleta, foi sobretudo na seleção que o avançado se deu a conhecer aos portugueses, tendo, de resto, ficado mais conhecido em terras germânicas e no leste europeu. Com um final de carreira algo apático, Hugo Almeida manter-se-á ligado ao desporto que tanto ama, passando agora a comandar a equipa técnica do plantel sub-23 da Académica de Coimbra.

 

Fonte da Imagem: GettyImages

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.