Lembra-se de: Jaime Valdés

Internacional pela seleção do Chile, fez uma grande carreira por Itália e encantou Alvalade durante o pouco que lá passou. Lembra-se de Jaime Valdés?

Jaime Andrés Zapata Valdés, nascido a 11 de janeiro de 1981, em Santiago do Chile, sempre foi um caso sério no panorama do futebol chileno. Logo aos 16 anos de idade, estreou-se pela equipa sénior do Palestino, onde acabou por fazer seis jogos, que contribuiriam para alcançar a confortável décima posição para o modesto clube chileno. Na época seguinte, de 1999/2000, com apenas 17 anos, ganhou ainda mais o seu espaço e pegou de estaca no meio campo do Palestino (treinado pelo mítico técnico Manuel Pellegrini), onde realizou 33 partidas e meteu por 15 vezes a bola no fundo das redes. Nessa temporada, os comandados de Pellegrini alcançaram o Play-Off de campeão e nele conquistaram o surpreendente quarto lugar.

As exibições de Jaime Valdés começavam a reclamar palcos maiores e uma transferência já parecia inevitável. Aos 18, o chileno mudou de país e vestiu as cores dos italianos do Bari. Nos Biancorossi, jogou de 2000/01 a 2003/04. Apesar de ter uma adaptação um pouco complicada, a verdade é que apanhou o ritmo, nunca mais parou; nessas quatro épocas, realizou 134 jogos e abanou as redes das balizas adversárias por 10 ocasiões. Na primeira temporada o Bari foi relegado para a Serie B (Segunda divisão italiana) e durante as restantes temporadas que jogou com o símbolo do Bari ao peito nunca conseguiu a tão desejada promoção.

Contudo, a qualidade do chileno era visível e desejada por vários emblemas italianos. A transferência para um grande da Serie A era ansiada com expectativa e a Fiorentina foi o próximo destino de Valdés. Sem grandes oportunidades no 11 dos La Viola (apenas sete jogos), o médio centro partiu no mercado de inverno dessa mesma temporada para o Lecce. Nos Lupi, o jogador teve direito a 120 partidas distribuídas por quatro temporadas, onde conseguiu finalizar com sucesso por 17 vezes. Também adicionou ao seu currículo uma descida à Serie B e uma promoção à Serie A.

No verão de 2008, Valdés trocava os Salentini pelos Oroboci, ou seja, saiu do Lecce e rumou ao Atalanta. Na cidade de Bergamo, os 63 jogos e os 10 golos no mais alto nível do futebol italiano, valeram-lhe a passagem para Lisboa, para jogar em Alvalade, a troco de quatro milhões de euros.

Em Alvalade, Jaime Valdés formou com Matias Fernandéz uma dupla de criativos 100% chilena que atuava no miolo do reino do leão e que, certamente, traz muitas boas memórias aos adeptos do Sporting. Foram 36 jogos, seis golos, seis assistências e muita, muita qualidade espalhada no relvado de Alvalade.

Saiu de Lisboa e deixou saudades. Voltou a Itália, desta feita para jogar de preto e branco, para representar o Parma. Por lá jogou duas temporadas, fez 59 jogos e marcou seis golos, mas, já sem grande fulgor e sem grande ritmo, pois a idade assim já não o permitia, regressou ao seu país de origem, o Chile, para jogar no mítico Colo-Colo. Jogou durante seis anos, fez 185 partidas e marcou por 25 vezes. Foi por três vezes campeão do Chile, títulos que são os mais importantes da carreira de Valdés. Pela seleção chilena fez apenas três partidas, sendo que perdeu duas e empatou na última ocasião.

Atualmente, mesmo com 39 anos, Jaime Valdés ainda joga, o chileno atua no La Serena, clube que está, de momento, na ultima posição do campeonato do Chile. Valdés, no ano de 2020, já fez quatro partidas e perdeu as quatro.

Quando passou por Alvalade, a sua classe, a sua técnica e os seus bons remates de meia distância ficaram na retina. Recentemente recordei-me dele e agora questiono o leitor, lembra-se de Jaime Valdés?

Alexandre Ribeiro

Nascido e criado na ilha Terceira, nascido e criado para o futebol. Desde cedo aprendi, vivi e vibrei com o desporto rei. A licenciar-me em Ciências da Comunicação na FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Com o futebol e a escrita espero proporcionar um espectáculo fora das 4 linhas para todos aqueles que partilhem o gosto pela bola e pelos seus artistas.