Dia de São Valentim: Uma equipa de jogadores com amor à camisola

Para comemorar o dia de São Valentim, O AMBIDESTRO reuniu um onze inicial de jogadores que mais paixão demonstraram pelos seus clubes. Num desporto em que é tão fácil e frequente trocar de emblemas (especialmente nos dias de hoje), são extremamente raros os jogadores que optam por ser leais aos mesmos, fenómeno que só acontece caso haja muito amor à camisola. Fique então com esta seleção de atletas que tiveram bonitas histórias com os seus clubes.

 

Guarda-redes – Rogério Ceni (São Paulo)

O mítico guardião brasileiro é detentor de três recordes no Guinness. O mais impressionante dos três é sem dúvida o de ser o guarda-redes com mais golos marcados na sua carreira, com um formidável registo de 129 tentos apontados. No entanto, os dois outros são o motivo pelo qual o ex-futebolista é incluído nesta lista: foi distinguido por ser o jogador com mais partidas numa só equipa, com 1197 jogos, e é ainda o futebolista com mais encontros como capitão. Todos estes notáveis registos foram conquistados ao serviço do seu querido São Paulo, único clube que representou em toda a sua longa carreira e pelo qual conquistou um Mundial de Clubes, duas Libertadores e três Campeonatos Brasileiros, entre outras honras. Para além de uma carreira ímpar enquanto futebolista, Rogério Ceni também foi treinador do São Paulo em 2017, confirmando ainda mais a sua paixão por este clube.

Lateral esquerdo – Paolo Maldini (AC Milan)

A ligação de Paolo Maldini com o emblema italiano começou ainda antes de o mesmo nascer e continuou depois de este se reformar – o seu pai, Cesare Maldini, também foi capitão da equipa rossonera e, recentemente, o seu filho, Daniel Maldini, fez a sua estreia na equipa principal. Capaz de jogar tanto a lateral como a central, Paolo Maldini é considerado um dos melhores defesas de todos os tempos e o seu palmarés fala por si. O italiano conquistou 26 títulos em 25 anos ao serviço do AC Milan, onde se destacam cinco Ligas dos Campeões, sete Ligas Italianas e um mundial de clubes. Para além de ter sido um incrível jogador, foi também um líder e homem respeitado universalmente no futebol, inclusivamente pelos adeptos do Inter que, no último derbi que este disputou, lhe prestaram uma homenagem.

 

Defesa central- Carles Puyol (Barcelona)

Outro ícone do futebol mundial. Carles Puyol foi, à semelhança de Maldini, respeitado e adorado por muitos no mundo do futebol. Para além de ter sido um brilhante jogador, – tal como é comprovável pelos seus 682 jogos pelo colosso catalão e pelos seis Campeonatos Espanhóis e três Ligas dos Campeões ganhas – distinguiu-se principalmente pela sua atitude. A sua raça, entrega, capacidade de liderança, respeito pelos adversários e lealdade fizeram dele uma pessoa imensamente admirada pelos adeptos do Barcelona, único clube que representou e do qual se foi obrigado a despedir por força de lesões.

Defesa central – Jamie Carragher (Liverpool)

Apesar de em criança ter sido adepto do Everton, Jamie Carragher tornou-se uma lenda do Liverpool fruto do facto de ter passado toda a sua carreira de 17 anos em Anfield, ao longo dos quais conquistou tudo o que havia para ganhar com exceção da Liga Inglesa. Ainda que não tenha tido protagonismo nem a braçadeira de capitão regularmente devido à presença de Gerrard na equipa, o inglês e os fãs do Liverpool tinham uma relação de admiração recíproca, tendo estes últimos entoado cânticos a pedir uma “equipa de 11 Jamie Carraghers” frequentemente.

Lateral direito – Gary Neville (Manchester United)

O parceiro de comentários de Jamie Carragher na Sky Sports, Gary Neville, tem também lugar nesta equipa. Ao todo foram 19 anos e 602 jogos ao serviço dos Red Devils. Nestes, o inglês impôs-se como um dos mais consistentes defesas direitos de sempre e é um dos primeiros jogadores que vem à cabeça quando se pensa num tradicional lateral. Neville foi uma peça chave da equipa gloriosa de Sir Alex Ferguson que tudo ganhou e, naturalmente, é  uma referência para o lado vermelho de Manchester.

Médio esquerdo – Ryan Giggs (Manchester United)

Tal como Neville, também Ryan Giggs foi fundamental para o sucesso de Sir Alex Ferguson. O jogador esteve na formação do Manchester City até aos sub-15 mas o histórico técnico escocês reconheceu o potencial do então jovem jogador e trouxe-o para Old Trafford de onde só saiu com 40 anos. Nesta longa estadia no clube, Giggs arrecadou um número impressionante de treze medalhas de campeão da Liga Inglesa, entre outras honras domésticas e internacionais. A longevidade da carreira do galês foi concretizada através de sucessivas reinvenções, tendo o jogador começado como um extremo que se destacava pela sua velocidade, passado pela posição de segundo avançado e terminado como um médio criativo mais dependente da sua capacidade técnica. Para além de todos estes feitos enquanto jogador, Giggs também substituiu interinamente David Moyes no comando técnico da equipa em 2014, expressando uma vez mais o seu amor pelo clube e cimentando o seu nome como um dos ídolos dos fãs do mesmo.

 

Médio centro – Paul Scholes (Manchester United)

“Scholes é, sem dúvida, o melhor médio da sua geração”. Quem o disse foi o próprio Zinedine Zidane, o que por si só resume a qualidade do jogador. Scholes foi um jogador completo, capaz de marcar, assistir, defender e sempre com um excelente posicionamento. O inglês é o terceiro e último jogador do Manchester United nesta lista e, tal como os outros dois, também fez toda a sua carreira neste colosso, tendo ganho praticamente o mesmo número de títulos que estes. O atleta cumpriu 676 partidas pelo Manchester United antes de se retirar em 2011. Contudo, a vontade de jogar e a paixão pelo clube eram tais, que o jogador recuou na sua decisão e voltou para o clube do seu coração onde ainda jogou mais uma época e meia até se reformar definitivamente em 2013.

 

Médio ofensivo – Xabi Prieto (Real Sociedad)

É certo que as qualidades de Xabi Prieto sempre estiveram longe dos níveis dos jogadores até agora mencionados. Porém, é também certo que é muito mais fácil ser leal a um clube onde se tem excelentes companheiros, bons salários e inúmeros títulos do que em emblemas onde isso não aconteça. O trajeto de Xabi Prieto é, por isso, de louvar uma vez que cumpriu toda a sua carreira na Real Sociedad. Em 2007, quando o jogador tinha apenas 23 anos e com provas dadas no futebol espanhol, o seu clube do coração desceu de divisão, só tendo conseguido regressar ao principal escalão espanhol três anos depois ganhando a Segunda Liga, único título da carreira do espanhol. Ainda assim, o atleta nunca abandonou a equipa basca. Como forma de homenagem, no seu jogo de despedida, todos os jogadores da Real Sociedad envergaram uma camisola especial com a cara do jogador presente no emblema.

Médio centro – Bruno Soriano (Vilarreal)

Bruno Soriano é único jogador desta seleção a continuar no ativo. No entanto, com 35 anos, o cenário mais provável é o de permanecer no Vilarreal até se retirar, único emblema que já usou no seu peito. O espanhol teve um trajeto de 474 jogos constituído por altos e baixos com o submarino amarelo. Os pontos a destacar são sem dúvida as duas presenças na Liga dos Campeões em 2008/09 e 2011/12. Coletivamente, a pior fase desenrolou-se no fim da época 2011/12 quando o Vilarreal desceu de divisão. Contudo, e apesar de ter recebido uma proposta tentadora do Valência, o jogador decidiu ficar para ajudar o seu clube a regressar à La Liga, tarefa conseguida logo na época seguinte. Individualmente, Bruno Soriano está a passar pela pior fase da sua vida futebolística. Devido a problemas no joelho, o médio não joga desde julho de 2017. Porém, Bruno Soriano não deitou a toalha ao chão e continua a trabalhar para voltar a envergar a camisola do seu querido clube, do qual já se encontra entre as grandes figuras.

 

Médio direito – Matt Le Tissier (Southampton)

 

Este médio ofensivo também capaz de jogar nas alas tinha, sem qualquer dúvida, qualidade para jogar num nível superior ao do Southampton e chegou a rejeitar propostas do Chelsea e do Tottenham. Mesmo não sendo avançado e alinhando numa equipa modesta, o inglês apontou 181 golos em 486 jogos pelo Saints e foi o primeiro médio a chegar à marca dos 100 tentos na Premier League. Letal da marca dos 11 metros, (marcou 48 penaltis em 49 tentativas) com uma capacidade técnica muito acima da média, visão de jogo fantástica e excelente meia-distância, Matt Le Tissier foi carinhosamente apelidado de “Le God” pelos seus adeptos e permanece como uma das grandes figuras do clube.

 

Ponta-de-lança – Francesco Totti (Roma)

Impossível falar de amor à camisola sem mencionar Francesco Totti. O avançado foi o melhor jogador de sempre da Roma, um dos melhores do futebol italiano e uma figura incontornável do futebol mundial. O jogador era o típico segundo avançado, capaz de se movimentar muito bem entre linhas, com uma visão de jogo que o permitia assistir para os seus colegas mas também dotado de uma finalização mortífera. Totti jogou desde os 16 até aos 40 anos pela equipa principal da Roma e aos 22 era já capitão do clube. Ao todo, apontou mais de 300 golos e 150 assistências em quase 800 jogos com a camisola da capital italiana. Uma Liga Italiana, duas Taças de Itália e duas Supertaças foram poucos títulos para fazer justiça à qualidade do jogador. Contudo, para Totti, não era isso que interessava. O avançado poderia ter facilmente alinhado num clube com mais hipóteses de conquistar troféus mas este seria incapaz de abandonar a “sua” Roma.

 

 

Fonte da Imagem: Getty Images

Simão Vitorino

Nasci e cresci em Vila Franca de Xira e estou atualmente a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação na faculdade NOVA FCSH com o objetivo de me tornar jornalista desportivo no futuro, profissão que une duas grandes paixões minhas - o futebol e a escrita.