Curiosidades: do futebol para outros palcos

Graças ao futebol, muitas pessoas conseguiram ver os seus nomes eternizados na história, principalmente os protagonistas dentro das quatro linhas. No entanto, alguns destes atletas acabaram por estender a sua fama para além do mundo do desporto rei, conseguindo vingar em outras áreas. Com isto, esta semana, na rúbrica das curiosidades, o AMBIDESTRO apresenta cinco futebolistas que se tornaram conhecidos tanto dentro como fora dos relvados.

Jesé Rodriguez

Jesé Rodriguez Ruiz, extremo esquerdo atualmente ao serviço do Sporting, é um ainda jovem jogador que leva já um currículo bastante invejoso no que a futebol diz respeito. Com apenas 26 anos, o avançado passou por clubes como o Real Madrid e o Paris Saint Germain, tendo conquistado duas Ligas dos Campeões, um Campeonato do Mundo de Clubes e ainda um Campeonato da Europa Sub-19 pela seleção de Espanha. Embora com um vasto portefólio futebolístico, Jesé conseguiu deixar também a sua marca no mundo da música. O jogador é também cantor, sendo reggaeton o seu estilo de eleição. Inicialmente, formou uma banda com DJ Nuno, um amigo chegado, atuando em conjunto sob o nome “Big Flow”. Em 2015, passaria a seguir uma carreira a solo, como “Jey M”. O seu single mais recente (La Prueba), lançado em 2018, acabaria por se converter também numa causa solidária, com as receitas a reverterem para a investigação de algumas doenças.

Jackson Martínez

Outro jogador a atuar em Portugal, desta feita no Portimonense, Jackson Martínez também demonstrou talento para a música num passado de todo distante. Após ser campeão nacional pelo FC Porto, o colombiano mudar-se-ia para Madrid, ao serviço do Atlético, e, posteriormente, para a China, onde acabaria por contrair uma lesão muito grave, que ditaria o seu afastamento dos relvados por cerca de dois anos. Enquanto batalhava por regressar ao ativo, o outrora goleador da Invicta acabou por mostrar ao mundo que a sua criatividade não surgia apenas com uma bola entre os pés. Com isto, em setembro de 2018 lançaria um álbum de hip hop cristão, com o título No Temeré. Viria, logo de seguida, a reingressar na sua vida de futebolista, mas, com sete músicas lançadas, trouxe ao de cima uma faceta diferente da sua veia artística.

Elington Andrade

Mantendo-nos agora no mundo do desporto, relembramos um guarda redes que, embora ainda tenha atuado no futebol de 11, acabou por ser no futebol de praia que se tornou mais conhecido. Elinton Sanchotene Andrade, nascido em Santa Maria, no Brasil, é um atleta luso-brasileiro que defendeu as balizas de diversos clubes, principalmente no Brasil, tendo ainda vestido as cores do Rapid de Bucareste e do Olympique de Marselha. Acabaria, no entanto, por se reformar do futebol em 2016, após a sua última partida ao serviço do FC Goa, na Índia. Tal não ditou, no entanto, o seu afastamento das quatro linhas, trocando a relva pela areia, onde passaria a representar a equipa de futebol de praia do Fluminense. Antes disso, ainda em 2013, ingressaria na seleção portuguesa da modalidade, graças à sua dupla nacionalidade. Com isto, ao título de campeão nacional francês, às três taças de França e às duas supertaças do mesmo país, Andrade somaria ainda, por Portugal, um título de campeão do mundo de futebol de praia e outro de campeão europeu. Como se não bastasse, o guardião participou também no Mundialito de Futevolei de 2013, por Portugal, onde arrecadaria um meritório terceiro lugar e onde acabaria distinguido como atleta revelação da competição. Além da seleção nacional, joga, de momento, no Flamengo.

Petr Čech

Um dos melhores guarda redes do seu tempo e de sempre, Petr Čech manteve o seu brilho entre os postes, mesmo após oficializar a sua reforma dos relvados. Aos 37 anos de idade, o guardião anunciou que iria prosseguir a sua carreira na baliza, mas no hóquei no gelo. Após duas décadas enquanto jogador de futebol, onde representou, acima de tudo, o Chelsea e o Arsenal e com os quais venceu uma Liga dos Campeões, uma Liga Europa e quatro Premier Leagues, o checo acabou por trocar as chuteiras por patins, representando de momento o Guilford Phoenix, enquanto mantém, em simultâneo, um cargo de conselheiro técnico e de performance nos Blues de Londres. A sua estreia dificilmente poderia ter sido melhor, defendendo dois penaltis no seu primeiro jogo pelos britânicos.

Paolo Maldini

Com mais quatro anos de carreira que Petr Čech, Paolo Maldini foi também, indubitavelmente, um dos melhores de sempre na sua posição. Começou no Milan em 1984 e por lá se deixou ficar até 2009, ano em que viria a pendurar as botas, arrecadando cinco Ligas dos Campeões e sete Ligas Italianas no entretanto. Recentemente, no entanto, o defesa central decidiu aventurar-se no mundo do ténis, tendo participado, em 2011, numa partida de duplas, lado a lado com Stefano Landonio. Outras tantas se seguiram e viria mesmo a qualificar-se para o Open de Milão, em 2017. A dupla, no entanto, acabaria eliminada por parciais esmagadores de 6-1 e 6-1, o que não impediu o italiano de deixar a sua marca de raquete na mão.

 

Cinco atletas muito diferentes entre si, mas todos com uma coisa em comum: uma enorme versatilidade para o desporto e não só. Recentemente, no verão de 2017, também Ivan Perišić se aventurou a jogar voleibol de praia pela seleção croata. Será este o próximo?

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.