Os jogadores Estrangeiros que já passaram pela Seleção Nacional Portuguesa

Nos dias que correm, já não são propriamente raras as vezes em que atletas trocam de nacionalidade, seja por forma a terem a hipótese de representar melhores equipas, seja por questões salariais, etc. Embora o fenómeno seja mais visto noutros desportos, nomeadamente no futsal, onde algumas seleções de leste mais parecem equipas satélite brasileiras, o futebol também não foge à regra, não exclusivamente com os brasileiros, mas com jogadores das mais diversas nacionalidades. Com isto, hoje relembramos casos semelhantes que ocorreram no nosso país, pelo que aqui ficam os mais influentes jogadores estrangeiros que passaram pela Seleção Nacional portuguesa, nas diferentes posições do terreno de jogo.

No âmbito deste artigo, entendeu-se por “estrangeiro” qualquer jogador nascido fora do território nacional, incluindo as antigas colónias, e que, com isto, tenha mantido dupla nacionalidade. No que toca às posições ocupadas, considerou-se apenas as de raiz, não contando com eventuais posições secundárias desempenhadas pelos jogadores.

Guarda Redes: Neno

Adelino Augusto da Graça Barbosa Barros, mais conhecido por Neno no mundo do futebol, foi um guarda redes português de origem cabo verdiana nascido na Cidade da Praia na ilha de Santiago.

Tendo feito a sua formação no Barreirense, foi no Vitória SC que mais se afirmou, servindo o emblema vimaranense por sete épocas, as mesmas em que representou o Benfica, efetuando ainda uma curta passagem pelo Vitória FC por empréstimo.

Jogou pela Seleção das Quinas apenas por nove vezes, quatro delas a titular, mas todas em jogos amigáveis.

Lateral Esquerdo: Dimas

Nascido em Joanesburgo, na África do Sul, Manuel Marques Dimas Teixeira foi um dos laterais esquerdos mais conceituados da nossa seleção, tendo representado as cores nacionais por 44 ocasiões, sendo peça chave nos europeus de 1996 e 2000.

A nível de clubes, teve uma carreira de fazer inveja a muitos, com passagens pela Juventus e por dois grandes portugueses (Benfica e Sporting), tendo sido pela Luz e ainda pela Académica de Coimbra que realizou o maior número de jogos (99 e 96, respetivamente).

Central: Pepe

Um dos mais recentes casos de estrangeiros ao serviço de Portugal, Képler Laveran Lima Ferreira é, indubitavelmente, não só um dos brasileiros mais conceituados a vestir a camisola das quinas, como um dos melhores defesas centrais da história da seleção nacional, e ainda no ativo. Nasceu em Maceió, no estado de Alagoas.

Já com 108 jogos com a cruz de Cristo ao peito, Pepe é o sexto jogador com mais jogos ao serviço da seleção, o segundo da sua posição, apenas atrás de Fernando Couto (110 jogos).

A nível de clubes, os números e os nomes falam por si, passando a maior parte da sua carreira em Madrid, ao serviço do Real, tendo recentemente regressado ao FC Porto, onde se mantém já pela segunda época consecutiva.

Lateral Direito: Cédric Soares

Natural de Singen, na Alemanha, o luso-germânico Cédric Soares fez toda a sua formação no Sporting, clube onde se manteve até 2015, rumando então a Inglaterra para representar o Southampton e de onde não saiu mais, salvo em 2018/19, altura em que rumou a Milão, emprestado ao Inter.

Estreou-se em 2014 por Portugal. Foi sendo, de resto, opção habitual de Fernando Santos, quer em europeus, quer em mundiais, bem como em algumas partidas de cariz amigável.

Já com 33 encontros pela seleção nacional, é o 8º lateral direito com mais jogos pelo país.

Médio Defensivo: William Carvalho

Nasceu na capital angolana de Luanda, jogando nas camadas jovens do Sporting, clube pelo qual se estrou em 2011, tendo-se afirmado em definitivo em 2013 como dono e senhor da respetiva posição no 11 inicial leonino, com apenas 22 anos.

A sua passagem pela seleção nacional portuguesa não tem sido menos discreta, sendo, até à data, o médio defensivo mais utilizado de sempre na história do país, contando já 59 aparências.

Representa, de momento, o Bétis de Sevilha.

Médio Centro: Mário Coluna

Conhecido por “Monstro Sagrado”, Mário Coluna é certamente um nome que dispensa apresentações, tendo sido um médio centro muito acarinhado, principalmente no seio da família benfiquista.

De origem Moçambicana, mais concretamente da Ilha da Inhaca, o Sr. Coluna, representou por 57 ocasiões as cores portuguesas, sendo, com isto, o quarto médio centro com mais partidas disputadas de sempre.

Embora ainda tenha representado o Olympique de Lyon em 1970/71, foi ao serviço do Benfica que passou a maior parte da sua extensa carreira de futebolista.

Médio Ofensivo: Deco

Outro brasileiro a escolher as nossas cores às das suas origens, caso que inclusive levantou alguma polémica à data, Anderson Luís de Sousa, ou Deco dentro das quatro linhas, é quem fecha o pódio dos médios ofensivos com mais aparências por Portugal, com 75 partidas disputadas.

Com dois mundiais (2006 e 2010) e dois europeus (2004 e 2008) no currículo, Deco passou os seus tempos em Portugal ao serviço do FC Porto, passando ainda pela Catalunha, ao serviço do Barcelona e por Inglaterra, pelos Blues do Chelsea.

Ala Esquerda: Dinis

Nasceu em Angola (Luanda) e representou tanto o Sporting como o FC Porto. Joaquim António Dinis é um nome não muito sonante a nível internacional, mas foi dos poucos “estrangeiros” a ocupar o lado esquerdo do ataque da formação das quinas, no início dos anos 70.

Conta apenas 14 jogos pela Seleção Nacional, tendo conseguido, ainda assim, apontar cinco golos.

No final da carreira, representou ainda a União de Leiria.

Ala Direita: Gelson Martins

Outro cabo-verdiano, desta vez para o lado direito do ataque. Gelson Dany Batalha Martins, natural da Praia, foi e continua a ser visto como uma das maiores promessas do futebol português, contando ainda apenas 24 anos.

Levando até ao momento 21 jogos por Portugal, é dos jogadores mais novos já com tantas partidas disputadas pela equipa das quinas.

Tendo feito toda a formação no Sporting, representa atualmente os franceses do Mónaco, contando já com uma passagem pelo Atlético de Madrid.

Avançado Centro: Eusébio

Se Mário Coluna dispensa apresentações, a “Pantera Negra” ainda menos necessita das mesmas. Eusébio da Silva Ferreira de seu nome, embora passando grande parte da sua carreira no Benfica, é provavelmente o avançado mais acarinhado por todos os portugueses, quer pelos encarnados, quer pelos rivais.

Figura incontornável do nosso desporto, o então menino Moçambicano de Lourenço Marques (Maputo) veio para o velho continente escrever uma das mais belas páginas da história do futebol português.

Com 64 jogos disputados pela nossa seleção e sendo o terceiro melhor marcador da história do país, o cognome “o Rei” assenta-lhe que nem uma luva e assim permanecerá por muitos anos, certamente.

Com certeza que se poderia citar inúmeros outros jogadores, como Matateu, Oceano, Shéu ou até mesmo Jordão. No entanto, em cada uma das posições, estes foram aqueles que mais se destacaram ao serviço do nosso país. Um país pequeno, mas com um talento intemporal e além-fronteiras.

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.