Opinião: Sr.Frederico, devolva-me o meu Sporting

Antes de iniciar este artigo, gostaria de salientar que o mesmo é um artigo de opinião, ou seja, não passa disso mesmo, sou apenas um adepto a exibir o meu ponto de vista sobre alguns dos acontecimentos recentes relacionados com direcção da equipa de Alvalade. Como é óbvio as opiniões variam de pessoa para pessoa e cada um tem o direito a ter a sua, daí existirem muitas vezes opiniões divergentes, que devem ser ouvidas e respeitadas.

Comecei a escrever este artigo após a derrota do Sporting na meia-final da Taça da Liga contra o Braga. No fim do jogo, dei por mim a tremer com a perna, a roer as unhas e a aguentar-me para não chorar, sem saber se olhava para a televisão, para o portátil ou para as paredes. O choro que queria aparecer não era de tristeza, nem de dor e muito menos de alegria, era de raiva. Raiva por ver o meu clube a bater no fundo.

Cresci com o meu avô a contar-me histórias dos Cinco Violinos, da Taça das Taças, de Vítor Damas e de João Rocha, com o meu pai a falar-me de Balakov, Iordanov, Manuel Fernandes, Sá Pinto e Mário Jardel e de como festejou euforicamente os títulos de 99/00 e de 01/02. Vi com os meus próprios olhos a passagem da eliminatória frente ao Manchester City, os 5-3 ao Benfica e a conquista da Taça de Portugal frente ao Braga com menos um jogador em 2015. Lembro-me bem de não conseguir esperar para ver o Sporting jogar, contava os dias e eles pareciam que não passavam e depois, quando chegava à hora do jogo, o tempo voava. Lembro-me de acompanhar todos os jogos, sem perder um; como morava longe, assistia pela televisão ou pelo rádio. O estádio sempre cheio, com  todos a cantar, o barulho dos tambores e os festejos tresloucados. Era tão feliz e não sabia. Hoje em dia, isso tudo mudou.

A meu ver, todo este mau momento no Sporting tem um nome: Frederico Varandas.

Tudo este processo teve início quando Bruno de Carvalho ainda era presidente do Sporting Clube de Portugal. A 5 de abril de 2018 o Sporting perde contra o Atlético de Madrid para a Liga Europa e o presidente vem criticar os jogadores pelo Facebook de “erros grosseiros”. No dia seguinte, os jogadores também partilharam nas suas redes sociais um comunicado no qual criticaram a atitude do presidente e lamentaram a falta de apoio por parte da direção. A 15 de maio, descontentes com o desaire ocorrido na semana anterior frente ao Marítimo na Madeira, 40 homens encapuzados protagonizam o tão célebre ataque à academia. Por fim, a 24 de maio, Frederico Varandas apresenta a sua demissão do departamento médico do clube e afirma que se vai candidatar à presidência do mesmo, ainda antes de estarem confirmadas qualquer tipo de eleições. Algo estranho, pois, alguém que já serviu o país no Afeganistão, deveria saber que em tempo de guerra nunca se deixa um colega para trás, e foi exactamente o contrário que fez no Sporting, quando viu que o “navio” poderia afundar, saiu de cena o mais depressa possível.

Agora analisemos melhor a vertente negocial do presidente leonino. Nesta época, Varandas vendeu Bas Dost (jogador que em 127 partidas pelos verdes e brancos apontou 93 golos) por 7 milhões de euros, quando o mesmo tinha um valor de mercado superior a 15 milhões, vendeu Thierry Correia ao Valência por 12 milhões e Raphinha ao Rennes por 21 milhões. Para reforçar o plantel, o presidente trouxe Vietto (7,5M), Rosier (5M), Camacho (5M), Eduardo (3M) e Jesé. Bolasie e Fernando chegaram por empréstimo.

Destes reforços, apenas um é titular absoluto (Vietto), Camacho e Bolasie vão rodando entre si, Eduardo e Rosier são suplentes, Jesé, na minha opinião, só está a ocupar espaço, pois podia dar o seu lugar a jovens da formação e Fernando veio a Portugal, recebeu 600 mil euros de salário, recuperou da lesão e voltou para a Ucrânia. Recorde-se que no último dia de mercado o Sporting ainda não tinha substitutos para Dost e Raphinha, daí terem ocorrido esses três empréstimos feitos “em cima do joelho”. Contudo, ao que tudo indicava, mesmo com esses três jogadores vindos de empréstimo, continuava a faltar substituto para o internacional holandês, ao que Frederico Varandas respondeu da seguinte forma:

 

Após esta entrevista, este foi o total de jogos realizados por Jesé como avançado centro: 0

Noutra entrevista, Frederico diz isto sobre a presente temporada:

 

Como se ouviu, o mesmo estava “desejoso que isto arranque“, com o “sério planeamento“, o “grupo com qualidade e ambição” já foi eliminado da Taça de Portugal e da Taça da liga, foi envergonhado pelo eterno rival na Supertaça, está afastado da luta pelo título e só lhe resta sonhar com a Liga Europa… Agora imaginem que esta época não estava a ser “trabalhada há muitos meses” pela “fantástica estrutura invisível“.

Agora a parte que me mete mais impressão. Frederico Varandas VS Claques. Curiosamente, Varandas tinha como slogan da sua campanha a hashtag #UnirOSporting e acho que é unânime que o presidente conseguiu tudo menos isso. O presidente, ao meter-se nesta “luta” com as claques, a meu ver, apenas deu um tiro no pé e começou uma guerra que, penso que até ele, sabe que não vai ganhar. O Sporting está cada vez mais dividido. E sim presidente, meta as culpas nas claques, nas tochas, nos colchões da academia, meta a culpa em tudo o que encontrar, menos no trabalho que você está a realizar, que esse é excelente… Para mim, não existe futebol sem festa, sem amigos, sem bandeiras, sem tambores e sem cânticos. A proibição desses mesmos adereços faz-me uma confusão tremenda. Quer dizer, nós não podemos levar as bandeiras e os cartazes e os bombos, mas os nossos adversários que levem o que quiserem para o nosso estádio. Façam dela sua casa! Até vos deixamos decorar os balneários! Não queremos que vos falte nada! Até cortam a água e a electricidade e a luz aos nossos, mas para os nossos rivais eternos damos tudo!

Presidente, decida-se. Se estamos a cantar e a apoiar o nosso clube somos uns arruaceiros que só fazem barulho e que não ajudam em nada a equipa, mas se estamos calados e em protesto com as condições que nos são dadas, já somos considerados como “escumalha” que não quer o bem do Sporting porque nem apoia a equipa.  Decida-se.

Outra coisa, senhor presidente, gostava imenso de ver todas as figuras “ilustres” que você põe nos nossos camarotes a deixarem a familia, os amigos e o trabalho, para fazerem centenas de quilómetros e depois, por vezes debaixo de chuva, vento e frio, apoiarem o Sporting nos jogos fora de casa. É preciso um amor desmedido ao clube, que duvido que você tenha, para fazer tal coisa. Só aqueles que chama de “escumalha” é que são loucos o suficiente para isso. Sim, loucos, pois para acompanhar uma equipa liderada por si é mesmo preciso ser louco. Claro que toda esta situação faz com que os adeptos leoninos se revoltem, na minha opinião, com razão.

A Juve Leo já se pronunciou sobre o trabalho da atual direção com um comunicado emitido na quarta-feira passada em que referiu que dia 9 de fevereiro haverá uma manifestação em Alvalade. O projeto “Dar Futuro Ao Sporting” também emitiu um comunicado no mesmo dia, com o intuito de informar os Sportinguistas que a MAG (Mesa da Assembleia Geral) tem um prazo de 5 dias para validar ou não os documentos que foram entregues de modo a que seja convocada uma assembleia geral com um único objetivo, a destituição dos atuais orgãos sociais do Sporting Clube de Portugal.

Quero só dizer com tudo isto que eu não sou brunista ou varandista, sou sportinguista, e como tal quero o melhor para o clube. A situação em que o clube está vai-me matando lentamente por dentro. Às vezes deparo-me a pensar que na altura em que Bruno de Carvalho meteu o post no Facebook após a derrota em Madrid, bastava um pequeno post por parte de um dos capitães a dizer que compreendia a situação e que a equipa iria melhorar o seu nível exibicional, que tudo isto poderia não estar a acontecer e que o Sporting poderia ter um futuro completamente diferente.

O meu desejo é voltar a sentir aquela adrenalina e ansiedade por jogar o Sporting que, com este mandato de Frederico Varandas, deixei de sentir. Voltar a ganhar jogos, a ganhar respeito, a jogar bem, a estar na luta pelo campeonato e a lutar por todas as competições em que estejamos inseridos. Quando falar do Sporting quero que os meus filhos e netos tenham o mesmo brilho nos olhos que eu tinha quando ouvia atentamente as histórias do meu avô e do meu pai. Quero ter histórias memoráveis e momentos que fiquem verdadeiramente na história deste clube para os poder fascinar. Quero ser feliz com o clube que aprendi a amar. Mas, para tudo isto acontecer, este não é o rumo e muita coisa terá que mudar, sendo, na minha opinião, o presidente a “peça” que precisa de ser “substituída” o mais depressa possível.

Alexandre Ribeiro

Nascido e criado na ilha Terceira, nascido e criado para o futebol. Desde cedo aprendi, vivi e vibrei com o desporto rei. A licenciar-me em Ciências da Comunicação na FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Com o futebol e a escrita espero proporcionar um espectáculo fora das 4 linhas para todos aqueles que partilhem o gosto pela bola e pelos seus artistas.