Eficácia guerreira destrói fortaleza do dragão

A jornada 17 começou com surpresa no Dragão. 15 anos depois, o SC Braga volta a vencer na cidade invicta, num jogo em que o FC Porto falhou duas grandes penalidades e em que os guerreiros do minho foram quase 100% eficazes. Fransérgio e Paulinho marcaram para os minhotos e Soares para os azuis e brancos.

Grande jogo, aquele a que tivemos oportunidade de assistir neste início de jornada. Numa partida que já se esperava que fosse de alta dificuldade para os comandados de Sérgio Conceição, a turma de Rúben Amorim foi à fortaleza portista roubar os três pontos, algo que já não acontecia há década e meia.

Com apenas três partidas à frente do SC Braga, existia expectativa para perceber como é que o novo timoneiro iria apresentar a equipa, para jogar em tão complicado terreno, e como é que Sérgio Conceição planeava resolver esta batalha. Nos minutos iniciais do encontro, observávamos um Porto intenso e comprometido a não deixar o Braga jogar.

A estratégia até estava a dar resultados e os dragões estavam por cima do jogo. Porém, um passe irresponsável de Danilo ofereceu um canto aos bracarenses e os mesmos começaram a demonstrar a sua eficácia. A defesa do Porto até conseguiu cortar a primeira bola mas, à entrada da área, Fransérgio chutou para o primeiro do Braga.

Estavam jogados cinco minutos e os azuis e brancos já estavam em desvantagem. A resposta do Porto surgiu passados poucos minutos com Marcano a cabecear à barra da baliza de Matheus. O jogo estava intenso, com ambas as equipas a pressionarem alto. A equipa de Rúben Amorim tentava sempre sair a jogar e, muitas vezes, conseguiu fazê-lo com qualidade, criando várias dificuldades à pressão portista.

Apesar da intensidade de ambas as formações, as oportunidades de golo eram quase inexistentes. O Braga estava a conseguir ganhar a maior parte dos duelos no meio-campo e, por diversas ocasiões, só o último passe é que impedia os minhotos de criarem perigo na baliza de Marchesín.

O Porto não conseguia ultrapassar a defensiva adversária e para isso muito contribuiu a primeira parte muito desinspirada de Corona. Na primeira vez em que o extremo mexicano deu um ar da sua graça, conquistou uma grande penalidade. Falta de Raúl Silva e, como é habitual, Alex Telles agarrou imediatamente na bola. Contudo, a poucos minutos do final do primeiro tempo, Matheus foi herói e manteve o resultado a caminho do intervalo.

Foi assim desperdiçada uma oportunidade de ouro para alcançar a igualdade e facilitar a tarefa dos dragões à entrada para o segundo tempo, que começou tal como acabou o primeiro. Estavam decorridos 54 minutos quando David Carmo derrubou Otávio e deu uma segunda oportunidade ao Porto, da linha dos 11 metros. Apesar da mudança de marcador- desta vez foi Soares- o resultado foi o mesmo. Bola no poste e o empate mantinha-se. O desespero estava patente na cara de Sérgio Conceição, que não queria acreditar no desperdício dos seus jogadores.

Tal desespero virou esperança quando, dois minutos depois, Soares redimiu-se e marcou o tento do empate. Estávamos no início da segunda parte, o estádio entrou em erupção e estavam reunidos todos os condimentos para a reviravolta portista. A pressão realizada pelos jogadores azuis e brancos, ao contrário da primeira parte, estava a dar frutos e víamos, pela primeira vez, um Braga deveras aflito no jogo.

Só dava Porto e, apesar da falta de oportunidades, parecia uma questão de tempo até que os minhotos cedessem. Porém, Paulinho tinha outros planos. Com 75 minutos de jogo, canto batido na direita e, ao primeiro poste, Paulinho apareceu para devolver a vantagem. Balde de água gelada no Dragão, que ficou em silêncio total.

Mais uma vez, o Braga foi eficaz e mostrou que não são precisas muitas chances de golo para ganhar jogos. Após este momento, foi o desnorte total por parte do Porto. Sérgio Conceição ainda lançou Luís Díaz e Aboubakar na partida, mas de nada serviu. A equipa estava desorientada e, em termos anímicos, sentiu muito o golo sofrido. Até ao fim, quem esteve mais perto de chegar ao golo foram os minhotos que apenas devido a um corte milagroso de Mbemba não chegou lá.

Foi uma daquelas partidas em que venceu quem foi eficaz. O Braga aproveitou as duas chances que teve, enquanto o Porto não conseguiu concretizar duas grandes penalidades. A equipa de Conceição voltou a sair de campo rodeada por assobios e arrisca-se a ficar a sete pontos da liderança, caso o Benfica vença em Alvalade.

Daniel Sousa

Nascido e criado na Ilha da Madeira e neste momento a estudar Ciências da Comunicação na FCSH. Com um gosto enorme pelo futebol e pela escrita, está sempre aberto a novos desafios.