Há Díaz em que é preciso rezar a Jesús

Começou de uma forma, terminou de outra. E para os lados do Porto, a história acabou por ter um final feliz. Em Moreira de Cónegos, onde o Porto já não vencia há cinco anos, a equipa de Sérgio Conceição teve de “atacar a dobrar” para corrigir os erros defensivos que permitiram com que o Moreirense fizesse dois golos. Depois de estar a perder, a remontada começou na cabeça de Tiquinho Soares, fez escala nos pés de Alex Telles, passou por Luís Díaz e terminou com uma obra de arte de Jesús Corona, o homem do encontro.


Depois de quebrado o enguiço em Alvalade, chegara a vez de o quebrar em Moreira de Cónegos. Mas a missão começou da pior forma para os dragões. Logo aos três minutos, e depois de um desentendimento entre Marega e Nakajima, Fábio Abreu inaugurou o marcador. Um lance em que Sérgio Conceição não deve ter ficado nada satisfeito. Primeiro, pela perda de bola (caricata, diga-se) a meio-campo e segundo, pela má abordagem da inédita dupla de centrais, Diogo Leite e Mbemba. Há traumas que custam a passar.

O Porto não teve vida fácil após o golo sofrido. O Moreirense começou a fechar todas as portas com toda a mão-de-obra possível, afinal de contas, parte do trabalho estava feito. Ora, para desbloquear jogos destes nada melhor do que ter à mão “cartas” como Nakajima e Corona, os grandes intérpretes da criatividade do jogo portista. Com o decorrer do tempo, o Porto fui ganhando cada vez mais metros em direção à baliza do Moreirense e quando assim é o desfecho só pode ser um. O empate surgiria aos 32′ minutos por Tiquinho Soares que repetia a receita do clássico. Receita essa em que é difícil de errar quando se tem cruzamentos teleguiados de Tecatito.

A equipa de Ricardo Soares estava, como se costuma dizer, encostada às cordas e quando assim é… exato. A reviravolta consumou-se aos 40 minutos, depois de uma grande penalidade convertida por Alex Telles. Artur Soares Dias teve de recorrer ao VAR, mas foi óbvia a entrada fora de tempo sobre… Corona. Mais uma vez no golo do Porto.

Quando todos já estávamos à espera do intervalo, até os próprios jogadores do Porto, eis que o Moreirense volta a dar o ar da sua graça. João Aurélio recebeu a bola pela direita, cruzou e marcou. Sim, leu bem. Nem os defesas do Porto, nem o próprio atacante do Moreirense foram capazes de tocar na bola, algo que Marchesín não estaria à espera e por isso não foi a tempo de defender o centro. O empate estava feito a dois minutos da ida para os balneários. O Porto atacava bem, mas a casa estava desarrumada lá atrás.

À exceção de uma ou outra ocasião do Moreirense, só deu azul no segundo tempo. Mas o golo ainda demorou a chegar, fruto de alguma falta de eficácia na frente portista. Teve de vir do banco a cura para o trauma. Sérgio Conceição substituiu Uribe por Luís Díaz e acabou por ser o colombiano a catapultar o Porto para a vitória. O golo pode não ter sido o mais bonito, mas acabou por surgir na altura certa para os dragões, a pouco menos de 25 minutos para os 90′.

Foi um jogo intenso, nem sempre bonito e bem jogado, mas Jesús Corona, a grande figura do encontro, quis dar mais brilho à vitória azul e branca. A cerca de cinco minutos do fim, o mexicano selou o triunfo da sua equipa com uma autêntica obra-prima. Teve tanta vontade de ir ver o seu golaço que até saiu mais cedo para os balneários, visto que levou o segundo amarelo e o consequente vermelho já em tempo de compensação.

Vitória suada, mas justa do Porto que continua a perseguição ao líder Benfica.

Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Licenciado em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.