Lembra-se de Edwin van der Sar?

Relembramos hoje um dos maiores guarda redes dos últimos anos, guardião este que defendeu as redes de alguns colossos europeus e também da seleção nacional do seu país. Lembra-se de van der Sar?

Origens e Formação

Nascido na Holanda em Voorhout, a 29 de outubro de 1970, Edwin van der Sar introduzir-se-ia ao mundo do futebol nas camadas jovens do Foreholte, o clube da sua terra. Aos 14 anos mudar-se-ia para o VV Noordwijk, onde terminaria a sua formação e onde permaneceria até completar 18 anos, embora não tenha somado qualquer minuto na baliza da equipa sénior do clube.

Primeiros Passos

Com 19 anos e pela mão de Louis Van Gaal, van der Sar assinaria pelo gigante Ajax, numa transferência que se realizaria a custo zero. Foi na segunda metade dessa época que conseguiu a sua estreia, entrando aos 32 minutos em jogo frente ao Sparta de Roterdão a contar para a Eredivisie. Viria, de resto, a prestar serviço em oito outras partidas nessa época, todas elas como titular.

Ajax

Apesar de uma primeira época com alguns minutos somados, acabaria por ser rebaixado à condição de guarda redes de reserva no ano seguinte, não atuando em qualquer partida, mas celebrando, ainda assim, a conquista da Taça UEFA por parte do clube nesse ano. Não obstante, na época que se seguiu assumir-se-ia como dono e senhor da baliza, numa temporada em que venceria a Taça da Holanda. O maior feito com o clube aconteceria, no entanto, em 1994/95, numa época memorável em que conquistaria a Liga dos Campeões, a Liga Holandesa (pelo segundo ano consecutivo) e a Supertaça. De resto, ao serviço do Ajax, venceria ainda outras duas supertaças e mais dois campeonatos nacionais. Apontaria também o único golo da sua carreira com este clube, de penalti, numa goleada de 8-1 em casa do Graafschap em Maio de 1998. A seu lado, ao longo dos nove anos em que representou a formação de Amsterdão, estiveram atletas como Frank de Boer, Dennis Bergkamp, Clarence Seedorf, Patrick Kluivert e ainda o português Dani.

A Vecchia Signora

Finda a sua ligação contratual ao clube holandês, van der Sar mudar-se-ia a custo zero, em 1999, para Turim, em Itália, onde representaria a Juventus como o primeiro guarda redes não Italiano a defender a baliza da vecchia signora. Foram dois anos sem grande história no que a títulos diz respeito, vencendo uma Taça Intertoto em 1999, continuando o então jovem guardião, ainda assim, a demonstrar que qualidade entre os postes era algo que tinha para dar e vender. Consigo estiveram, também na Juventus, Gianluca Zambrotta, Zinedine Zidane, Thierry Henry e ainda Alessandro del Piero.

Fulham

Com a chegada de Buffon à Juventus, o guardião deixou claro que não pretenderia ser rebaixado ao banco de suplentes, pelo que requisitou que fosse transferido. Com isto, chamaria a atenção do mercado inglês, assinando, em 2001, pelo Fulham, numa transferência que renderia 9.27 milhões de euros aos cofres italianos. Em terras de sua majestade, ajudaria os recém-promovidos ao principal escalão do futebol britânico na manutenção e celebraria mesmo a conquista da Taça Intertoto de 2002, o único título que conseguiria com a camisola dos cottagers. Jogou lado a lado com Louis Saha e Luís Boa Morte.

Manchester United

Em 2005, já com 35 anos, o guardião trocaria Londres por Manchester, onde passaria a atuar pelo United, numa transferência a rondar os 3.5 milhões de euros. Uma chegada “tardia”, mas que ainda lhe permitiu ficar por seis anos ao serviço dos red devils, clube pelo qual realizaria as suas melhores exibições e com o qual passaria aqueles que foram, certamente, os melhores anos da sua carreira. Com recordes atrás de recordes, o então treinador Alex Ferguson admitiu mesmo que Van der Sar continua a ser o melhor guarda redes que alguma vez atuou pelo clube desde Peter Schmeichel.

Tirando uma ou outra lesão, nada impediu o “holandês voador” de se assumir como titular indiscutível na baliza dos ingleses ao longo de toda a sua estadia em Manchester, na qual fez parte de um plantel com talento a rebentar pelas costuras. Não menos impressionante foi a coleção de troféus que consigo levou de Old Trafford, na qual se contam quatro Premier Leagues, uma Liga dos Campeões (a mítica final de 2008 em Moscovo diante do Chelsea), duas Taças da Liga, quatro supertaças e ainda um Campeonato do Mundo de Clubes.

Além de prémios coletivos, também conseguiu arrecadar alguns a nível individual, desde a Golden Glove a guarda redes do ano da Liga Inglesa, passando por condecorações como a de melhor guardião europeu e ainda nomeações para a equipa do ano da Premier League por diversas vezes. Foi também no Manchester United que realizou o seu último jogo oficial, pendurando as botas em 2011 com 40 anos de vida, 22 dos quais enquanto profissional de futebol e certamente um dos melhores de sempre na sua posição.

Seleção Nacional

Como seria de esperar, um guarda redes de tamanha dimensão não poderia jamais passar despercebido à seleção nacional holandesa. A sua estreia pela “Laranja Mecânica” ocorreu a 7 de Junho de 1995, em jogo de qualificação para o Europeu de 1996, frente à Bielorrússia, jogo esse que a Holanda viria a perder por 1-0. Apesar da estreia algo imperfeita, os holandeses carimbariam mesmo a passagem à fase final da competição, na qual Edwin van der Sar foi dono e senhor da baliza em todas as partidas.

Foi, de resto, o titular indiscutível da formação holandesa ao longo de praticamente todos os jogos realizados daí em diante, atuando em três campeonatos da Europa (2000, 2004 e 2008) e dois mundiais (1998 e 2006). Realizou o seu último jogo pela seleção em 2008 frente à Noruega, numa partida de qualificação para o Mundial de 2010 que acabariam por vencer por 1-0.

Visto como um dos guarda redes mais completos de sempre, com especial destreza para travar grandes penalidades, bem como um jogo de pés acima da média, Edwin van der Sar não só foi um grande jogador como trouxe novos olhares à posição que ocupava, inspirando vários guardiões nas gerações que se seguiram. Agora a trabalhar como CEO do Ajax, o ex-futebolista mantém-se ligado ao desporto que tanto ama e não descarta ainda a hipótese de vir a seguir uma carreira de treinador, embora admita fazê-lo de forma progressiva. Veremos o que o futuro reserva ao holandês, já o passado…pode-se dizer que está em boas mãos.

Duarte Rosa

"Alfacinha" de gema, sportinguista de coração. Desde o clube à seleção nacional, o amor pela bola está presente desde cedo. A licenciar-se em Ciências da Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esta paixão pela escrita e pelo futebol forma uma dupla interessante, que espera vir a agradar aos seus leitores.