Lembra-se de… George Weah, o único jogador africano galardoado com uma Bola de Ouro?

Na rubrica “Lembra-se de?” desta semana, recordamos George Weah, um ídolo futebolístico africano que se aventurou no mundo político.

George Weah nasceu no dia 1 de outubro de 1966 em Clara Town, um bairro muito pobre pertencente à capital da Libéria, ou seja, Monróvia. Foi também neste bairro que começou a dar os primeiros toques numa bola, ao serviço do pequeno Young Survivors Clareton. Com o passar do tempo foi subindo progressivamente de nível no seu país, passando pelo Bongrange Company e o Mighty Barolle até chegar ao Invincible Eleven. Neste clube, Weah apontou 24 golos em 23 jogos e foi campeão nacional.

A primeira experiência no estrangeiro de Weah surgiu em 1987 na Costa do Marfim. O emblema que o recrutou foi o Africa Sports, contudo, o ponta de lança só fez dois jogos e transferiu-se novamente no ano seguinte, desta vez para o Tonnerre Yaoundé dos Camarões. Foi neste clube que Weah chamou a atenção de Claude Le Roy, então selecionador dos Camarões, que contactou Arsène Wenger, tendo este viajado de propósito para África para observar o jovem promissor. A sua velocidade, qualidade técnica, faro para golo e fintas impressionantes também conquistaram o treinador do Mónaco e este acabou mesmo por levá-lo consigo para a Europa em 1988.

Weah jogou durante quatro anos com a camisola dos monegascos e neste período conquistou uma Taça de França (1990/91), foi eleito Jogador Africano do Ano (1989) e totalizou 66 golos em 149 jogos.

 

O ponta de lança trocou o emblema do Principado por um dos seus grandes rivais em 1992 – o Paris Saint-Germain. A jogar na capital francesa, Weah manteve a sua excelente forma e obteve maior sucesso coletivo do que no seu anterior clube. A sua estadia no PSG durou três anos e estes foram suficientes para conquistar uma Taça da Liga (1994/95), duas Taças de França (1992/93 e 1994/95) e uma Ligue 1 (1993/94). A nível individual, voltou a ser nomeado Jogador Africano do Ano em 1994 e, com 7 golos, foi o melhor marcador da edição de 1994/95 da Liga dos Campeões, onde guiou a sua equipa até às meias finais da competição. Ao todo, Weah marcou 55 golos em 138 jogos com o emblema azul e vermelho ao peito.

 

No verão de 1995, desesperado por encontrar um substituto para Marco Van Basten que havia abandonado o San Siro, Silvio Berlusconi, na altura presidente do AC Milan, vai buscar Weah a Paris e leva-o para o seu clube. Este rapidamente formou uma parceria mortífera com Roberto Baggio e Dejan Savicevic. Ainda no mesmo ano, premiando a última época ao serviço do PSG e o bom início de temporada que estava a fazer em Milão, George Weah vence uma vez mais o prémio de Jogador Africano do Ano, mas também o galardão máximo que um futebolista pode receber a nível individual, ou seja, a Bola de Ouro, tornando-se no primeiro e até agora no único jogador africano a receber esta distinção. Foi assim um início glorioso do que viria a ser também uma passagem gloriosa por este clube. Ao longo das quatro épocas e meia passadas em Itália, o avançado conseguiu ganhar a Liga Italiana por duas ocasiões (1995/96 e 1998/99) e manteve um bom registo goleador com 58 tentos apontados em 148 partidas.

A partir de 2000, a carreira de Weah entrou em declínio. Em janeiro desse ano, devido à sua menor utilização, foi emprestado ao Chelsea até ao fim dessa temporada onde ainda conseguiu vencer uma FA Cup, apesar de apenas ter registado cinco golos. Posteriormente, rumou para o Manchester City, clube pelo qual jogou durante somente três meses antes de voltar a França, desta feita para o Marselha. No entanto, nem o regresso a um país em que havia sido feliz foi suficiente para reativar a veia goleadora do liberiano. Em 2001, abandonou o velho continente e partiu para Abu Dhabi para representar o Al Jazira. Na Golfo Pérsico, Weah ainda jogou durante duas épocas antes de se reformar em 2003, com 37 anos.

Apesar do seu indiscutível talento, Weah nunca conseguiu levar a sua seleção a um Mundial e nas únicas duas participações na CAN (em 1996, na qual o jogador pagou todas as despesas da sua equipa de forma a participarem na competição, e em 2002) a Libéria não conseguiu passar da fase de grupos. Ainda assim, o jogador é considerado um herói nacional e continental, reconhecimento obtido não só pelas suas prestações futebolísticas mas também pelas suas causas humanitárias – fundou o Juniors Professional, um clube em Monróvia para ajudar os mais pequenos a fugir da pobreza, incentivando o estudo e a permanência na escola, pois só quem estuda pode permanecer no mesmo, entre outros projetos que lhe valeram a nomeação de embaixador da boa vontade pela UNICEF.

Atualmente, ainda é possível encontrar os genes de Weah no futebol europeu. Isto porque o seu filho, Timothy Weah, de 19 anos, é futebolista do Lille, tendo sido formado no PSG e passado pelo Celtic, e é também avançado. Já o seu pai foi eleito em 2018 o 25º Presidente da República da Libéria.

 

Fonte da Imagem: Getty Images

Simão Vitorino

Nasci e cresci em Vila Franca de Xira e estou atualmente a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação na faculdade NOVA FCSH com o objetivo de me tornar jornalista desportivo no futuro, profissão que une duas grandes paixões minhas - o futebol e a escrita.