Leão europeu não apareceu em Barcelos

E em Barcelos, não há grande que consiga bater o galo. Depois de Porto e Braga perderem pontos no recinto do Gil Vicente, o Sporting manteve a “tradição” e acabou mesmo por sair derrotado por 3-1. Kraev, Sandro Lima e Naidji deram a vitória aos da casa. Wendel faturou para o Sporting.

Nada faria prever um desaire destes nesta altura. O balão de confiança dos leões estava cheio após a goleada imposta ao PSV na passada quinta-feira e a equipa de Silas vinha a crescer jornada após jornada, mas dois velhos conhecidos voltaram para assombrar a formação leonina: os erros individuais e a falta de ideias no ataque.

A base da equipa manteve-se, com apenas Jesé a entrar no onze em troca com Bolasie, mas a exibição em nada teve a ver com aquela que os adeptos sportinguistas tiveram o prazer de ver há poucos dias em Alvalade. Pela frente encontrou uma equipa gilista quase perfeita em termos organizacionais e não teve armas para quebrar a tal organização.

Desde início que o Gil Vicente cedeu a posse de bola ao Sporting, jogando sempre num bloco recuado, mas sempre atento ao erro do adversário, com o contra-ataque a ser a principal arma a utilizar. Além disso, os pupilos de Silas estiveram longe de aproveitar os 78% de posse de bola a que tiveram direito.

Por volta do minuto 18, a estratégia do Gil começou a dar frutos. Bola metida na frente, aparentemente controlada por Ilori, mas o central português voltou a lembrar o porquê de continuar a ser uma escolha pouco consensual na massa associativa leonina. Sandro Lima não desistiu do lance e aproveitou às mil maravilhas um erro incrível do adversário para assistir Kraev, que colocou a formação de Barcelos em vantagem.

A resposta do Sporting demorou muito a chegar. A equipa tinha bola, mas não conseguia encontrar qualquer espaço na defensiva do Gil Vicente e, por isso mesmo, só aos 43 minutos é que o perigo rondou a baliza de Denis. Grande lance de Wendel que, com um pouco de sorte à mistura, conseguiu arranjar espaço para rematar, mas a bola embateu na malha lateral da baliza.

A incapacidade ofensiva do Sporting era desesperante para os adeptos visitantes, mas a equipa acabou por não precisar de criar muitas chances de golo para lá chegar. Já nos descontos da primeira parte, Bruno Fernandes realizou um passe fantástico para as costas da defesa, Wendel apareceu, recebeu e desta vez não falhou. Golo importantíssimo para os leões, que assim iam para a segunda metade em igualdade.

No entanto, de pouco serviu o golo do médio brasileiro. Estavam decorridos pouco mais de 10 minutos da segunda parte e o Sporting já se encontrava em desvantagem novamente. Acuña derrubou Baraye, Hugo Miguel apontou para a marca de grande penalidade e Sandro Lima atirou a contar. Gil novamente em vantagem e Sporting novamente atrás do prejuízo.

Tal como já tinha acontecido antes, a reação da congénere lisboeta voltou a não surgir. A equipa continuava a ter muita posse de bola, mas não sabia o que fazer com a mesma. A vontade era muita, mas a falta de criatividade dos homens mais adiantados do Sporting falou mais alto. Silas ainda tentou mexer na equipa lançando Bolasie e Rafael Camacho para a contenda, mas o resultado não foi o pretendido. As oportunidades continuavam a não surgir e o Gil Vicente acabava por ser sempre mais perigoso no contra-ataque.

Até final, grande confusão provocada pela equipa de arbitragem que na sequência de um lance de penalti revisto pelo VAR, marcou fora de jogo, mas expulsou na mesma Doumbia por segundo amarelo. Porém, Hugo Miguel foi avisado pela equipa do Sporting de que não poderia concretizar tal ação e chamou de volta Doumbia. O médio acabou por voltar para o campo só para ver de mais perto o terceiro golo do Gil, num grande lance individual de Naidji.

O Gil Vicente chegou à quarta vitória consecutiva no campeonato e já alcançou a primeira metade da tabela. Já o Sporting, voltou às más exibições e já se encontra a 13 ponto do líder e rival Benfica.

Daniel Sousa

Nascido e criado na Ilha da Madeira e neste momento a estudar Ciências da Comunicação na FCSH. Com um gosto enorme pelo futebol e pela escrita, está sempre aberto a novos desafios.