Históricos: Manchester United 2-2 FC Porto

Na rúbrica “Históricos” desta semana relembramos uma das grandes noites europeias do Porto no século XXI. Nos quartos de final da Liga dos Campeões, em 2009, os dragões foram empatar a Old Trafford por 2-2, com um golo nos instantes finais de Mariano González, deixando tudo em aberto para a segunda mão, no Estádio do Dragão.

Cinco anos depois daquela noite mágica em que Costinha gelou Old Trafford, o Porto voltava a Manchester e sonhava com a repetição da história. No entanto, o desafio era grande e poucos acreditavam que os azuis e brancos conseguissem surpreender o mundo outra vez. Até porque, do outro lado, estavam os atuais campeões europeus em título. Jogadores como Rooney, Paul Scholes e o, na altura melhor jogador do mundo, Cristiano Ronaldo estavam no caminho português para as meias finais.

A campanha portista até esse ponto estava a ser soberba. O primeiro lugar no grupo, à frente do Arsenal, e a vitória frente ao Atlético de Madrid nos oitavos de final mostrava que a equipa liderada por Jesualdo Ferreira tinha qualidade e a partida em Old Trafford foi a confirmação disso mesmo.

Com 70 mil adeptos nas bancadas, foram os adeptos portistas os primeiros a festejar. Mau alívio de Jonny Evans, bola em Cristian Rodríguez e o “cebola” não perdoou. Entrada fantástica no jogo e com cinco minutos jogados, os tricampeões nacionais estavam na frente do marcador.

Os red devils tiveram um início de jogo bastante amorfo e adormecido e o Porto podia mesmo ter aumentado a vantagem logo de seguida, mas Van der Sar parou o remate de Lisandro. O primeiro sinal de perigo da equipa de Ferguson surgiu aos 13 minutos com Ronaldo a cabecear e Helton a impedir o golo.

Ferguson e Jesualdo Ferreira eram os treinadores presentes no banco de suplentes

Helton adiou, mas Bruno Alves confirmou. Naquele que, ainda hoje, será um dos maiores erros da longa carreira do central português, o Manchester United chegou ao empate. O capitão portista tentou atrasar a bola para Helton, mas Rooney percebeu a intenção, roubou a bola e igualou a partida.

A vantagem azul e branca estava anulada, mas o Porto continuou bem no encontro. Agressiva e intensa são os melhores adjetivos para caraterizar a exibição portista nesse dia. O Manchester United não conseguia impor o seu jogo e os adeptos ingleses não estavam nada satisfeitos com a impotência da sua equipa frente a um conjunto muito menos cotado.

As melhores oportunidades da primeira parte pertenceram ao Porto, com Hulk em destaque, mas a finalização não foi a melhor. Chegámos ao intervalo com uma igualdade a um no marcador.

No segundo tempo, os ingleses acordaram. Os jogadores portistas deixaram de ganhar as bolas todas no meio campo e o jogo começou a ser mais disputado. Porém, apesar do despertar inglês, o Porto não recuou e continuou a jogar e a criar oportunidades. Van Der Sar foi um dos melhores jogadores em campo, evitando várias vezes que o Porto voltasse à vantagem.

Sir Alex Ferguson queria mais da sua equipa e, por isso mesmo, lançou Carlos Tévez na partida. Poucos minutos depois, a sua aposta foi compensada. Lançamento de linha lateral, Rooney toca de calcanhar e Carlitos Tévez aparece no primeiro poste a finalizar e a confirmar a reviravolta no marcador. 85 minutos estavam decorridos e a vitória parecia algo certo.

No entanto, o jogo ainda não tinha acabado. Se Tévez foi uma espécie de super sub para Ferguson, Mariano González foi o mesmo para Jesualdo Ferreira. O argentino entrou aos 80 minutos e, já em cima dos 90, empatou a partida e levou os milhares de portugueses presentes em Old Trafford à loucura.

Hulk, nos seus primeiros tempos de Porto, foi uma dor de cabeça constante para os ingleses

A partida acabou empatada a dois golos e o sonho português mantinha-se vivo. Uma semana depois as equipas encontraram-se no Estádio do Dragão e Ronaldo destruiu os sonhos portistas com um tiro a 30 metros da baliza. Acabou-se aí a esperança portista de voltar a vencer a Liga dos Campeões. Já o Manchester United acabou por ser finalista vencido dessa edição, perdendo com o Barcelona na final da competição.

Daniel Sousa

Nascido e criado na Ilha da Madeira e neste momento a estudar Ciências da Comunicação na FCSH. Com um gosto enorme pelo futebol e pela escrita, está sempre aberto a novos desafios.