Seleção derrotada em Kiev já só se pode apurar em segundo lugar

Portugal pagou caro má entrada perante uma Ucrânia forte e não foi capaz de chegar ao empate no final

Antevia-se uma missão complicada para a seleção portuguesa no Estádio Olímpico de Kiev. A equipa portuguesa encontrou um fantástico ambiente na capital ucraniana, com mais de 70 mil pessoas nas bancadas. Fernando Santos fez duas alterações relativamente à equipa que alinhou de início contra o Luxemburgo: João Mário e Gonçalo Guedes entraram para os lugares de Bruno Fernandes e João Félix.

A Ucrânia entrou muito forte no jogo, dominando a partida com bola e explorando a profundidade através de bolas longas nos extremos Marlos e Yarmolenko. O técnico Shevchenko promoveu três alterações na equipa que venceu a Lituânia. Os laterais titulares foram Karavaev e Mykolenko, saíndo da equipa Bolbat e Sobol. Na frente, Junior Moraes ficou no banco, dando lugar a Yaremchuk.

E foi precisamente Yaremchuk que abriu o marcador para a equipa da casa, estavam decorridos seis minutos de jogo. O 9 ucraniano que atua no Gent só teve de encostar à boca da baliza, depois de Rui Patrício defender um cabeceamento de Krystov na sequência de um canto. Estava feito o primeiro em Kiev para a seleção da casa.

Se Portugal não teve uma entrada forte no jogo, o golo ucraniano não ajudou e a equipa de Fernando Santos só conseguiu ter mais bola no meio-campo adversário a partir dos 15 minutos. Ainda assim, a Ucrânia conseguiu nunca se expor às investidas da equipa portuguesa e, com um meio-campo sólido ia limitando a posse portuguesa a zonas de pouco perigo.

A Ucrânia nunca perdeu a sensação de controlo da partida na primeira meia hora e aos 27’ acabou mesmo por chegar ao segundo golo. O jovem lateral esquerdo Mykolenko aproveitou alguma passividade da equipa portuguesa e passou por João Moutinho junto à linha. À frente de Nélson Semedo, Mykolenko cruzou para a área portuguesa onde apareceu Yarmolenko, que, fugindo a Raphael Guerreiro, finalizou de pé esquerdo sem hipóteses para Patrício. 2-0 e vida muito complicada para a seleção portuguesa.

Logo de seguida, Portugal teve a sua primeira oportunidade clara, através de João Mário. Pyatov defendeu para canto. Alguns instantes depois foi a vez de Danilo atirar ligeiramente por cima. Portugal finalmente ameaçava a baliza da Ucrânia.

Por volta da meia hora, depois de várias conversas com os adjuntos, Fernando Santos deu indicações claras para dentro do campo: a equipa passaria a jogar em 4-4-2, com João Mário sobre a esquerda, Bernardo sobre a direita e Gonçalo Guedes e Ronaldo na frente. Por esta altura a equipa estava por cima do jogo, mas nem por isso a Ucrânia deixou de ser perigosa. Aos 44′, novo lance de perigo para a Ucrânia, com uma situação de superioridade numérica. Yarmolenko ficou perto de bisar na partida, com um remate de pé direito a passar perto da baliza de Patrício.

Ao intervalo, Fernando Santos lançou João Félix para o lugar de Gonçalo Guedes e Portugal entrou na segunda parte melhor do que a Ucrânia. Aos 50’, Ronaldo tem um livre direto e obrigou Pyatov a uma defesa apertada. Dois minutos depois, novamente o capitão da seleção a obrigar o guarda-redes do Shaktar a uma defesa apertada.

Aos 56′, o seleccionador português voltou a mexer na equipa, fazendo entrar Bruno Fernandes para o lugar de João Moutinho. Portugal dominava a partida, apesar de a Ucrânia se mostrar uma equipa muito sólida a defender, com destaque para o meio-campo muito compacto, composto por Stepanenko, Malinovskyi e Zinchenko. Félix não se mostrou uma opção mais válida do que Guedes e Fernando Santos (mantendo o 4-4-2) teve de arriscar ao lançar Bruma para o lugar de João Mário.

Minutos depois, foi mesmo Bruma numa investida pela esquerda a rematar com a bola a bater no braço de Stepanenko, dentro da área. O médio já tinha sido amarelado na segunda parte e Anthony Taylor exibiu o vermelho, deixando a Ucrânia reduzida a dez para os últimos 20 minutos. Chamado a converter, Cristiano Ronaldo não falhou e assinou o 700º golo da carreira. Portugal tinha 20 minutos para fazer um golo, jogando com mais um. Shevchenko tirou o seu avançado Yaremchuk e colocou o médio Kovalenko.

A partir daqui Portugal passou sempre a jogar no meio-campo ucraniano e a criar ocasiões de perigo como ainda não tinha feito. Aos 75’, depois de um canto, Pepe ficou muito perto de marcar de cabeça. Até ao fim, destaque ainda para um cabeceamento de Ronaldo defendido por Pyatov, com Pepe a ficar perto do golo na recarga e para a melhor oportunidade portuguesa em todo o jogo, saída do pé direito de Danilo. O médio do Porto atirou à barra de fora da área, já depois dos 90’.

Pelo que fez nos últimos minutos, seria aceitável Portugal ter chegado ao empate. No entanto, a equipa ucraniana foi largamente superior na primeira parte e soube controlar a vantagem na segunda. Portugal tentou com tudo, mas já não conseguiu ir buscar pontos a Kiev.

Merece grande destaque esta seleção ucraniana, que é sem dúvida uma das melhores que o país teve nos últimos largos anos. Uma equipa muito organizada e com grandes valores individuais, que conta ainda com muitos jovens a aparecer ao mais alto nível. Mérito também para Shevchenko, que conseguiu apurar a sua seleção para o Europeu 2020 no primeiro lugar do grupo. Já a seleção nacional portuguesa vê-se desta forma obrigada a vencer os jogos frente a Lituânia e Luxemburgo para se poder apurar no segundo lugar do grupo.

Francisco Madureira

Nascido em Lisboa, sou louco por futebol desde que me lembro. Tenho mais jeito para ver e escrever do que para jogar. Cedo aprendi que é um jogo cruel, mas é também isso que o torna belo. Atualmente a licenciar-me em Ciências da Comunicação.

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