Jimmy Floyd Hasselbaink: de Campo Maior a herói de Stamford Bridge

No verão de 1995, chegava a Portugal um avançado holandês desconhecido para jogar no Campomaiorense. Jerrel Floyd Hasselbaink era o seu nome. Foi em Campo Maior que Hasselbaink, na altura com 23 anos, deixou de ser conhecido por Jerrel, abraçando a alcunha que fez dele famoso no mundo do futebol: Jimmy. Reza a lenda que foi João Nabeiro, presidente do clube, a “rebatizar” o holandês e até o próprio jogador já o confirmou em entrevistas.

A equipa alentejana tinha acabado de subir ao primeiro escalão do futebol português e o avançado nascido no Suriname impressionou o treinador Manuel Fernandes. Antes disso, só tinha jogado nas camadas jovens do AZ Alkmaar e no Telstar da segunda divisão holandesa. O passado de Jimmy não tinha sido fácil, com uma juventude marcada por episódios de delinquência. Depois de um ano à procura de clube, Jimmy veio à experiência para Portugal, através de um empresário, mas não tardou em tornar-se uma figura reconhecida do campeonato português.

Após uma época em Campo Maior que não correu bem ao clube, era óbvio que Hasselbaink estava num patamar acima da equipa que representava. O Campomaiorense foi despromovido, mas o avançado rumou a norte, “dando o salto” para o Boavista na época de 1996/97. Nessa época, Jimmy voltou a brilhar: foi o segundo melhor marcador do campeonato (só atrás de Jardel) apontando 20 golos em 29 jogos e ajudou o Boavista a conquistar a Taça de Portugal. Além disto, ainda apontou 3 golos na Taça UEFA pelos axadrezados.

Chegou o verão de 1997 e com ele veio mais uma mudança para o holandês. Desta vez, a nova transferência significou um enorme e importante passo na carreira do avançado, que depois de um brilhante trajeto em Portugal se mudou para a Premier League, para jogar no Leeds United. Ao serviço dos “Whites“, Jimmy continuou a mostrar qualidades e a apresentar números de goleador. Na primeira época marcou 16 golos na Premier League e na segunda, com 18 golos marcados, foi mesmo o melhor marcador da competição.

Pelo meio, o avançado passou a fazer parte das escolhas para a seleção holandesa. Hasselbaink estreou-se em 1998 e, nesse mesmo ano, jogou duas partidas do Mundial de França. As opções de ataque da Holanda incluíam Bergkamp, Van Hoijdoonk, Kluivert e Overmars. Esta concorrência apertada ajuda a explicar a escassez de oportunidades na seleção, sendo que o goleador ficou de fora da lista para o Euro 2000. Ainda assim, 9 golos apontados em 23 jogos realizados numa seleção como a holandesa não são de todo um mau registo.

No verão de 2000, Jimmy decidiu não continuar em Inglaterra e mudou-se para Madrid, para representar o Atlético. A transferência realizou-se por cerca de 10 milhões de libras. As coisas não correram tão bem na capital espanhola, já que o Atlético acabou mesmo por ser despromovido nessa temporada Ainda assim, e para não fugir à regra na sua carreira, Jimmy voltou a ficar bem lá em cima no topo da lista de marcadores, desta vez em segundo lugar. Além disto, o Atlético ainda chegou à final da Taça do Rei nessa época, com Hasselbaink a marcar nessa mesma final.

Com as provas que ia dando época após época em diferentes campeonatos, era óbvio que este não era um jogador para uma segunda divisão e, por isso, o holandês regressou a Inglaterra no verão de 2000, para jogar no Chelsea. Com o valor de 15 milhões de libras, esta foi a transferência mais cara paga por um clube inglês até à data.

Em Londres, o avançado encontrou finalmente um clube onde se estabilizou, depois de passar por quatro equipas nas cinco temporadas anteriores. Logo na primeira temporada em Stamford Bridge, o holandês foi novamente o melhor marcador da Premier League, com 23 golos. Além de Alan Shearar, Hasselbaink é o único jogador a conseguir ser o melhor marcador da prova por dois clubes diferentes. Histórico.

Jimmy Floyd Hasselbaink não conseguia parar de marcar e na época seguinte ficou apenas um golo atrás de Thierry Henry na lista de melhores marcadores. O Chelsea terminou a temporada 2001/02 em sexto lugar. A época seguinte não correu tão bem e o avançado esteve quase a ser transferido para o Barcelona de Van Gaal. Em 2003/04, no entanto, o avançado voltou ao seu melhor e foi parte fundamental da equipa do Chelsea que chegou às meias-finais da Champions League e que terminou a Premier League em segundo lugar.

Em 2004, depois de o contrato com o Chelsea terminar, Jimmy assinou com o Middlesborough, onde além de ser o melhor marcador na primeira época ao serviço da equipa do norte de Inglaterra, conseguiu, na segunda época, jogar uma final europeia, perdendo para o Sevilha na Taça UEFA.

Em 2006, Hasselbaink, já com 34 anos, seguiu para o Charlton, onde o declínio era evidente. Um jogador que outrora se tinha destacado sobretudo pelo poderio físico já não conseguiu fazer a diferença no final da sua carreira. Marcou apenas 4 golos na última época na Premier League. Na época seguinte, Cardiff foi o destino do holandês, que já não jogava numa segunda divisão desde a sua juventude na Holanda. Ainda assim, o Cardiff conseguiu de forma impressionante qualificar-se para a final da FA Cup, que perdeu frente ao Portsmouth. Esta final, em Wembley, foi o último jogo oficial do holandês, que jogou 70 minutos.

Depois de terminar a carreira, Hasselbaink dedicou-se, quase de imediato ao treino, integrando várias equipas técnicas e comandando equipas das camadas jovens do Chelsea. Em 2013, começou a aventura profissional do agora treinador, que pegou no Royal Antwerp da Bélgica, estando só um ano à frente do clube. Depois, voltou para Inglaterra, onde assumiu o Burton Albion, da League 2. Hasselbaink conseguiu subir a equipa à League 1, antes de passar para o Championship para treinar o Queens Park Rangers. Terminou no 12º lugar da segunda divisão inglesa e saiu do clube a meio da época seguinte, com o QPR nos lugares mais baixos da tabela. Voltou a ter uma experiência como treinador no Northampton, mas foi novamente despedido antes do final da época. Vamos ver o que reserva o futuro para o antigo avançado…

Jimmy Floyd Hasselbaink é uma lenda do Chelsea e um nome recordado e adorado em quase todos os clubes por onde passou. Tendo tido um percurso de carreira pouco comum, o holandês foi um goleador com uma regularidade de números impressionante nos contextos mais variados. Entre 1995 e 2006, Hasselbaink jogou em seis equipas de três ligas diferentes e conseguiu assinar 183 golos (só nos campeonatos) em 11 temporadas. Um jogador que merece muito crédito por uma carreira recheada de sucessos individuais, embora com poucas conquistas coletivas (apenas ganhou uma Taça pelo Boavista e uma Supertaça pelo Chelsea). E tudo isto começou em Campo Maior…

Em baixo, uma compilação de todos os golos apontados por Jimmy Floyd Hasselbaink ao serviço do Chelsea:

 

Fonte da imagem: planetfootball.com

Francisco Madureira

Nascido em Lisboa, sou louco por futebol desde que me lembro. Tenho mais jeito para ver e escrever do que para jogar. Cedo aprendi que é um jogo cruel, mas é também isso que o torna belo. Atualmente a licenciar-me em Ciências da Comunicação.

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