Zenit 3-1 Benfica: “Águias” sem ideias falham mais um teste europeu

Derrota na Rússia deixa o Benfica em posição complicada no grupo G da Liga dos Campeões 

O Benfica chegou a São Petersburgo com objetivo de apagar a derrota caseira frente ao Leipzig e a má imagem deixada nos últimos jogos da Liga dos Campeões. Para os encarnados era fundamental conseguir pelo menos um ponto num grupo que, como já se percebeu, será muito equilibrado.

Bruno Lage entrou em campo com Vlachodimos, Tomás Tavares, Rúben Dias, Jardel, Grimaldo, Fejsa, Gabriel, Pizzi, Rafa, Taarabt, Seferovic. O técnico surpreendeu essencialmente por deixar Ferro de fora. A principal surpresa na equipa inicial foi a inclusão de Jardel no lugar de Ferro.

A equipa russa alinhou com Lunev, Smolnikov, Ivanovic, Rakitsky, Douglas, Barrios, Ozdoev, Driussi, Shatov, Azmoun, Dzyuba. Sergey Semak fez duas alterações na equipa que perdeu 1-0 frente ao Lokomotiv de Moscovo, no passado sábado. Shatov entrou para o lugar de Zhirkov e Smolnikov jogou no lugar de Karavaev.

O jogo começou aberto e intenso, com muito espaço para jogar. Logo aos 3 minutos, o Zenit podia ter inaugurado o marcador com Azmoun a passar por Jardel já dentro da área e a permitir a defesa de Vlachodimos. Na recarga, Dzyuba não conseguiu fazer golo.

Logo dois minutos depois, o Benfica reagiu na sequência de um canto. Seferovic cabeceou muito perto do poste da baliza. Perto dos 10 minutos, Douglas Santos rematou com a bola a beijar a barra da baliza do Benfica. Oportunidades não faltavam.

A partir dos 15 minutos as equipas “encaixaram” uma na outra e o ritmo baixou consideravelmente. Com isto o Zenit sempre mostrou estar mais confortável no jogo, com uma construção mais segura e sendo sempre uma equipa mais agressiva à perda.

Até que aos 22’, numa saída de bola, Fejsa não se apercebe de que tem um homem nas costas e é desarmado em zona proibida. A bola sobra para Dzuyba que não tremeu perante Vlachodimos e fez o 1-0. O golo russo não veio alterar em nada as dinâmicas do jogo e o Benfica pouco ou nada conseguiu criar na primeira parte. Dzyuba ia fazendo de um lado o que Seferovic não fazia do outro. O possante avançado russo lutava por todas as bolas junto dos centrais do Benfica e conseguia perturbar quase sempre as suas ações. Aos 40’ destaque para mais um remate perigoso de Driussi a rasar o poste da baliza encarnada.

A segunda parte recomeçou como acabou a primeira, com o Zenit a criar perigo logo no pontapé de saída. Azmoun explorou o espaço livre na profundidade entre os centrais e rematou, obrigando Vlachodimos a desviar para canto. O iraniano estava a ser o elemento mais agitado da equipa de São Petersburgo.

Nos primeiros cinco minutos da segunda parte, o Benfica mal saiu do seu meio-campo limitando-se a evitar como podia as sucessivas investidas russas. Aos 53 minutos, Grimaldo tentou um remate de meia distância, mas controlado por Lunev.

O Benfica passou a ter mais bola nesta fase do jogo, mas era uma posse estéril, sem oportunidades criadas. Aos 60’ Bruno Lage arriscou, tirando Pizzi e Fejsa para colocar Caio Lucas e Vinicius. Taarabt recuou para junto de Gabriel e Vinicius formou dupla com Seferovic.

Aos 62’ foi Semak a ter de mexer na equipa, depois de Smolnikov se lesionar. Entrou para o seu lugar o venezuelano Yordan Osorio, ex FC Porto. Nesta fase o Benfica estava finalmente por cima no jogo, mas continuava com pouco volume ofensivo. A entrada de Caio Lucas agitou o jogo e o brasileiro tentava criar lances de perigo, mas sempre sem sucesso. Aos 67’ entrou Karavaev para o lugar de Shatov e o Zenit passou a jogar com três centrais, como resposta à dupla de ponta de lanças do Benfica.

Na única fase do jogo em que o Benfica conseguiu ter bola no meio-campo do Zenit, acabou por surgir o segundo golo da equipa russa. Mais um erro do Benfica, com Gabriel e Caio a marcarem simultaneamente Lucas Barrios. O colombiano conseguiu, ainda assim, libertar-se dos dois jogadores e colocou um passe longo no recém-entrado Karavaev. O lateral russo cruzou junto à linha de fundo e Rúben Dias, cortou a bola para trás, mas com o braço, empurrou a bola para o fundo da baliza encarnada. Tudo corria mal à equipa portuguesa.

Com o segundo golo a equipa foi abaixo. Aos 78 minutos, mais um lance inaceitável numa equipa de Liga dos Campeões. Depois de o árbitro marcar uma falta a meio-campo, toda a equipa do Benfica ficou parada. A bola foi colocada longa junto da área, Dzyuba deixou passar e Azmoun, depois de fugir a Grimaldo, fintou Vlachodimos e fez mais um golo fácil.

A equipa portuguesa estava completamente desnorteada e a partida podia ter ganho contornos de humilhação. Nesta fase, o jogo estava a tornar-se semelhante à humilhação sofrida pelo Benfica em Basileia, em 2017/18. Nem um minuto tinha passado desde o terceiro golo e Azmoun voltou a colocar a bola no fundo das redes encarnadas. Desta vez o iraniano estava fora-de-jogo depois do passe de Dzyuba.

Com a entrada de Vinicius, o Benfica passou a abusar dos cruzamentos junto à quina da área, especialmente por parte de Grimaldo, mas a bola nunca passou sequer do primeiro poste. Vida facilitada para os centrais da equipa russa. O jogo estava completamente partido desde a saída de Fejsa, e dava a sensação de que o Zenit podia ter feito mais golos, com um pouco mais de qualidade na definição.

Aos 80’, Lage tirou Seferovic e colocou no seu lugar Raul de Tomas. Cinco minutos depois de entrar, RDT fez o seu primeiro golo com a camisola do Benfica. Um grande remate de fora de área, com Lunev ainda a tocar na bola, mas sem hipóteses. O avançado espanhol não marcava desde abril e finalmente conseguiu o tão desejado golo com a camisola encarnada.

O Benfica continuou à procura de fazer pelo menos mais um golo, mas a fórmula não mudou: equipa mal organizada em posse, excesso de cruzamentos e inexistência de jogo interior. Um jogo a fazer lembrar os piores tempos de Rui Vitória no banco da Luz.

De positivo, o regresso de Gabriel, que não tendo feito um jogo brilhante, foi dos mais esclarecidos da equipa portuguesa. Com mais ritmo, o médio vai, sem dúvida, voltar a ser um elemento muito importante para Bruno Lage.

O jogo terminou desta forma, com o Benfica a tentar e sempre em esforço, mas sem qualidade. O Zenit sem fazer um jogo brilhante foi muito mais competente perante uma equipa completamente inapta para a Liga dos Campeões, com erros individuais e coletivos inaceitáveis ao mais alto nível.

Foi, portanto, um jogo à imagem do que tem sido o “Benfica Europeu” nas últimas três épocas e que deixa o campeão português numa situação muito desfavorável para conseguir o apuramento. Este resultado ainda se agravou mais com a vitória do Lyon no terreno do Leipzig, que deixa assim a equipa de Bruno Lage isolada no último lugar do grupo, com zero pontos. O Benfica tem pela frente quatro jogos para evitar mais uma prestação abaixo do exigível na Liga dos Campeões. Neste momento, o cenário está muito negro para a equipa da Luz.

Francisco Madureira

Nascido em Lisboa, sou louco por futebol desde que me lembro. Tenho mais jeito para ver e escrever do que para jogar. Cedo aprendi que é um jogo cruel, mas é também isso que o torna belo. Atualmente a licenciar-me em Ciências da Comunicação.

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