Custou, mas Silas chegou e ganhou

Em terra de aves, o Sporting só queria reerguer-se das cinzas apoiada numa Fénix com novo líder. Silas estreava-se no banco leonino e a vontade era só uma: ganhar. Jogando bem ou mal. As novidades foram logo visíveis no onze titular que contou com o regresso de Coates e aposta em Borja, Eduardo e Jésé. Mas, já corrido algum jogo, deu para perceber que não é com dois dias que se chega a algum lado, ou pelo menos o desejado.

O Sporting entrou mandão, com mais bola, mas foi o Aves quem se mostrava mais perigoso. Logo aos 2′ minutos mandou uma bola ao poste, seguido de um remate que passou a centímetros da baliza de Renan. De facto, ao Aves não interessava ter bola durante muito tempo, mas sim chegar à área adversária o mais rápido possível. A passividade defensiva do Sporting, problema já comum, também ia ajudando a que o Aves pudesse tirar mais partido das situações junto à área leonina.

Fruto do pouco esclarecimento e criatividade do conjunto de Silas, o primeiro sinal de vida do leão surgiu só ao minuto 18′, depois de um remate à figura de Bolasie. Estávamos perante um jogo muito pouco fluído, algo parado, muito por culpa da falta de mobilidade do Sporting. As suas outras duas oportunidades na primeira parte são imagem disso mesmo. Aos 25′, Eduardo mandou uma bola à barra num remate de longe, quase como uma resposta ao estado inerte da equipa. Alguns minutos depois, novo remate perigoso de Eduardo, que antes quase que encolheu os braços como quem diz “ninguém se mexe”. Era dos poucos a colocar ritmo ao jogo do Sporting, em que Vietto não entrou e em que Bruno Fernandes não se inspirou.

O jogo ia para o intervalo e a verdade é que a posse de bola era esmagadora para o Sporting. Rondava os 70%. O problema era saber o que fazer com ela e desse ponto de vista o Desportivo das Aves parecia estar a aproveitar melhor o jogo que tinha.

O segundo tempo começou tal como o primeiro. Com o Aves muito perto de inaugurar o marcador. Duas oportunidades claras nos primeiros três minutos refletiam um Sporting estático e passivo. Seja no passe, nos movimentos, nos remates, nas fintas, o aproveitamento leonino era muito pouco. O mestre disso tudo também estava a ter um jogo para esquecer. O capitão Bruno Fernandes não parava de errar passes. O Aves, por sua vez, estava à vontade, quer na defesa, quer no ataque, apoiado por uma boa organização defensiva, pelo perfume de Enzo Zidane e pela referência atacante, Mohammadi, um jogador diferenciado.

Estava a ser um jogo com pouca história. Porque o Aves assim o queria e porque o Sporting simplesmente não conseguia escrevê-la. Uma obra com pouca arte. Uma poema sem rimas, uma tela pintada de uma só cor, uma música sem ritmo. Mas a ideia verde e branca era clara: ganhar, seja a que custo. E custou. Mas, aos 83′ é assinalada grande penalidade depois de uma entrada imprudente de Beunardeau sobre Bolasie. E esta Bruno Fernandes não podia falhar e não falhou. O Aves ainda respondeu, mas a estreia de Silas tinha de ser mesmo esta.

Depois de cinco jogos sem vencer, depois de 13 jogos a sofrer golos, pelo menos Silas trouxe essa quase novidade. O sabor da vitória e de manter a baliza imaculada. “Vamos jogar melhor do que isto”, assim diz o novo treinador do Sporting. Quinta-feira há já novo desafio.

Fonte da imagem: Miguel Pereira/Global Imagens

Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Licenciado em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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