OPINIÃO: 3 jogadores em decadência

Neste inicio de temporada já é percetível que alguns jogadores, anteriormente muito valorizados no mundo futebolístico, estão em baixo de forma. Aqui estão três futebolistas que não vivem os melhores momentos da sua carreira.

Toni Kroos

Ao aproximar-se dos 30 anos o jogador do Real Madrid tem vindo a perder qualidades que anteriormente o distinguiam como um dos melhores médios do mundo.

Ao longo da sua carreira, o internacional alemão, destacou-se pela sua qualidade de passe e distribuição da bola. Nas primeiras semanas desta temporada, o ex-campeão mundial, continua no topo da liga espanhola em termos de quantidade de passes, com uma taxa de sucesso de 75% e completando, em média, 16 passes longos por jogo.

Kroos tornou-se um jogador mais criativo esta temporada, com uma média de 4.1 key passes na La Liga, porém metade destes provêm de lances de bola parada; a quantidade não substituí a qualidade de chances criadas, que baixou em comparação a temporadas passadas, tendo sido ultrapassado por Gareth Bale e Dani Carvajal em termos de assistências esperadas. O número de passes longos do atleta germânico pode também ser enganador, tendo estes a mais alta taxa de insucesso da sua carreira.

A característica do jogo de Kroos que mais se modificou nestes últimos anos foi a sua capacidade defensiva. O jogador está a verificar os números mais baixos de sempre de entradas e desarmes, inferiores mesmo aos registados no Bayern Munich e no Bayern Leverkussen quando ocupava o papel de número 10. É possível que esta descida do nível defensivo do jogador se deva a um declínio da condição física do atleta, ilustrada pelas 1.4 faltas cometidas, em média, por cada 90 minutos, valores que nunca foram tão elevados na carreira de Kroos.

Depois das saídas este verão de Ceballos, Kovacic e Llorent do Bernabéu, los blancos encontram-se sem opções de rotação, o que deixa o meio-campo defensivamente vulnerável. Os problemas defensivos já são óbvios no Real Madrid, com apenas quatro equipas, na liga espanhola, a concederem mais que os 1.6 golos esperados dos “merengues”. Num verão em que o meio-campo era a área mais debilitada do Real, os “vikings” só enfraqueceram a zona e com Toni Kroos em tão baixa forma será difícil para a equipa espanhola conquistar um troféu esta temporada.

Eric Dier

O luso-britânico foi uma verdadeira pechincha para o Tottenham Hotspur em 2014, quando os lilywhites o compraram por apenas quatro milhões de euros ao Sporting CP. O médio foi imediatamente classificado pela imprensa inglesa como uma futura estrela, um jogador extremamente versátil capaz de jogar como lateral direito, defesa ou médio-defensivo. Porém, a versatilidade pode ser por vezes uma desvantagem, prejudicando as suas estatísticas e posicionamento, talvez por essa razão Dier nunca tenha atingido o número de desarmes esperados de um médio.

Contudo quando chegou ao Tottenham, o internacional inglês, produzia, em média, 4.5 entradas e desarmes a cada 90 minutos, que se traduzia, em parceria com Mousa Dembélé, em 11 recuperações de bola por jogo. Frente a um atacante o jogador raramente saía vencido, ficando com a bola 70% das vezes, números excelentes para um médio. O atleta deteve o recorde de passes completos na época de 2015/2016 nos Spurs. É também o jogador com um ótimo recorde de lesões, tendo apenas perdido jogos, por motivos médicos, sete vezes de 2015 a 2018. Porém, na temporada de 2018/2019, a sua forma começou a decair, com Dier a sofrer três lesões que o deixaram fora de 19 jogos pela equipa inglesa.

Quando voltou ao campo, o “leão”, completou menos de três ações defensivas por jogo, perdeu posse de bola em 50% dos dribles e falhou mais de metade dos desarmes. Enquanto em 2015/2016 Eric Dier completava um drible por jogo, num total de 22 nessa campanha na Premier League, em 2018/2019, o futebolista, completou apenas dois. Mesmo o seu impressionante jogo aéreo foi afetado, descendo de 61% de cabeceamentos bem sucedidos para apenas 53%, números muito aquém do seu 1,88m.

Eric Dier tornou-se um “peso morto” no clube, sendo apenas convocado para os grandes jogos em caso de lesão de outro jogador melhor. 17 jogadores do clube londrino jogaram mais minutos na Liga dos Campeões na passada temporada em que os ingleses atingiram a final, jogando apenas 50 minutos na fase eliminatória. Com Harry Winks e Moussa Sissoko preferidos por Pochettino, Eric Dier perdeu o seu lugar no clube.

Ángel Correa

O argentino juntou-se ao Atlético de Madrid em 2014 por 7.5 milhões de euros depois de conquistar a liga argentina e a Taça dos Libertadores com o San Lorenzo, comparações com Carlos Tévez e Sergio Agüero criaram grandes expectativas de estrelado para o jovem promessa no Vicente Calderón.

O atacante já era extremamente valorizado a nível internacional, tendo-se estreado, sob o comando de Diego Simeone, pela seleção argentina, antes mesmo de Paulo Dybala, seu sénior.

A oportunidade de jogar pelos rojiblancos não foi desperdiçada pelo jovem que em menos de 11 jogos completos marcou 5 golos e assistiu 4, com 1.4 chances criadas e 3 remates por jogo; tendo, durante a temporada, criado ou marcado um golo a cada 104 minutos, 14 minutos mais rapidamente que Antoine Griezmann.

Porém a passagem em 2017 a membro regular dos colchoneros foi difícil para o futebolista. Na temporada 2017/2018, embora tivesse o dobro de minutos de jogo, só registou 12 golos e assistências. Um ano depois estes valores pioraram, tendo perdido apenas dois jogos toda a temporada, o atleta foi superado em golos pelos defesas do Atlético.

Uma saída do Wanda Metropolitano parece evidente para Ángel Correa. Aos 24 anos a presença de jogadores como João Félix e Thomas Lemar ocuparam o lugar da antiga jovem promessa.

Inês Macieira

Maluquinha da bola, devoradora de livros e apaixonada pela escrita. Licenciada em Ciências da Comunicação na FCSH, a caminho de Bruxelas para um mestrado em Relações Internacionais.

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