Benfica de duas caras incapaz de perturbar superioridade do Leipzig

Encarnados estiveram a perder 0-2 e reação no último quarto de hora não chegou para pontuar. 

Foi um Benfica transformado aquele que se estreou na Liga dos Campeões frente ao RB Leipzig. Bruno Lage (que viu o jogo na bancada, a cumprir castigo nas competições europeias) surpreendeu e lançou de início Tomás Tavares, Cervi e Jota: os dois primeiros ainda sem qualquer minuto de jogo na equipa, o último a fazer a sua estreia a titular nesta época.

Existiam dúvidas sobre o sistema táctico em que jogaria o Leipzig, mas essas foram desfeitas logo nos primeiros minutos. Os comandados de Julian Nagelsmann entraram a jogar com uma linha de quatro defesas numa espécie de 4-2-3-1 e não no 3-5-2 habitual da equipa alemã.

Desde cedo se percebeu que seria um jogo de elevado grau de dificuldade para o Benfica e que não iria ser fácil os encarnados terem bola e mandarem no jogo. Aos 7 minutos, Emil Forsberg chegou mesmo a fazer golo, mas foi assinalado fora-de-jogo a Timo Werner. A equipa alemã, como é sua caraterística, entrou a pressionar muito alto e o Benfica ia tendo dificuldades em quebrar as linhas de pressão.

Pouco depois dos 20 minutos a equipa portuguesa conseguiu ter alguns momentos para respirar com bola e conquistou o seu primeiro canto. Ainda assim, não se registavam oportunidades para o lado do Benfica. Aos 25 minutos, foi Werner que a partir da esquerda ameaçou a baliza do Benfica, mas Vlachodimos estava atento.

A mobilidade e dinâmica atacante dos líderes da Bundesliga (que fazia um jogo seguro, mas longe de espectacular) contrastava com a falta de ideias de um Benfica desligado quando tinha posse. O estreante Jota mostrava-se a espaços, mas Pizzi não apareceu no jogo. Era principalmente Taarabt que conseguia dar alguma qualidade com bola à equipa portuguesa, bem como Grimaldo que dava profundidade pelo corredor esquerdo, por onde passava quase todo o jogo do Benfica.

Aos 38 minutos, contrariedade para Nagelsmann, que teve de substituir por lesão o médio alemão Laimer pelo maliano Haidara. Antes do intervalo destaque ainda para a primeira oportunidade para o Benfica, que surgiu da cabeça de Raul de Tomas. Gulacsi correspondeu.

A segunda parte começou como a primeira: o Leipzig recuperava recorrentemente a bola ainda no meio-campo encarnado e criou perigo por duas vezes antes dos 50 minutos explorando o espaço nas costas entre Rúben Dias e Tomás Tavares. Perto dos 60 minutos, pela primeira vez no jogo, o Benfica conseguiu encontrar a equipa alemã mal posicionada e Raul de Tomas abriu para Pizzi, que rematou fraco e à figura. Na resposta foi Poulsen que quase abriu a contagem para os visitantes.

Apesar das dificuldades de ligação e de um meio-campo constantemente em inferioridade numérica, a primeira substituição do Benfica só aconteceu aos 67 minutos e significou mais uma estreia na competição: o adjunto Nélson Veríssimo lançou o jovem David Tavares que rendeu Jota. A substituição foi acertada e a equipa melhorou imediatamente depois da entrada do médio. Pizzi teve a melhor oportunidade de todo o jogo e ficou a centímetros do golo depois de um cruzamento de Tomás Tavares – bela exibição do jovem lateral, talvez a melhor notícia da noite para o Benfica. A equipa parecia ganhar algum conforto e crescer no jogo.

Paradoxalmente, foi na resposta deste lance que o Leipzig conseguiu finalmente marcar, aos 69 minutos. Pizzi não acompanha Mukiele que coloca a bola na área, em Poulsen. O avançado dinamarquês conseguiu arrastar Ferro e tocar atrasado para Timo Werner finalizar rasteiro de pé direito.

Logo a seguir ao golo, Grimaldo, de livre direto, obrigou Gulacsi a uma excelente defesa. O Benfica procurava agora a recuperação e aos 74 minutos Taarabt, depois de um excelente trabalho, deixou Cervi na cara de Gulacsi. O argentino finalizou mal e desperdiçou uma oportunidade flagrante. Poucos minutos depois foram lançados Rafa e Seferovic para os lugares de Cervi e Pizzi.

Só que, tal como aconteceu depois da primeira substituição do Benfica, Timo Werner voltou a marcar e ampliou para 2-0, depois de mais uma bola nas costas da defesa encarnada. Rude golpe para o Benfica, que tinha agora cerca de 15 minutos para fazer dois golos.

Aos 84 minutos, na melhor jogada do Benfica em todo o encontro, a equipa portuguesa acabou por chegar ao golo. Grande trabalho de Tomás Tavares, a combinar com De Tomas e Rafa. O extremo português serviu Seferovic e desta vez o suíço não desperdiçou. O Benfica acreditava no empate e poucos instantes depois do golo, Rafa tem nova oportunidade. Pela primeira vez em todo o jogo era claro um domínio encarnado. Infelizmente para os portugueses, já era tarde e os alemães conseguiram congelar o jogo com bola. Ficou então fechada com uma derrota caseira a estreia da única equipa portuguesa na Liga dos Campeões.

A equipa da Luz apenas mostrou qualidade com bola depois da entrada de David Tavares, que coincidiu com o avanço de Taarabt no terreno. Também por mérito do Leipzig, este foi o período dos dois golos alemães. Até esta primeira substituição o Benfica foi uma equipa apática e sem grandes soluções perante um osso muito duro de roer.

Os problemas do Benfica em posse não se resumiram, contudo, à falta de dinâmica entre os jogadores mais adiantados: apesar da exibição sólida de Fejsa, a equipa apresenta forçosamente maiores dificuldades na primeira fase de construção jogando com o sérvio do que com Florentino ou até mesmo Samaris. Isto obriga Taarabt a recuar muito no terreno (muitas vezes quase até junto dos centrais) para ajudar nesta função, o que faz com que o marroquino esteja mais afastado das zonas de decisão e do último passe, que é uma das suas maiores qualidades. Assim se explica que a melhor fase do Benfica tenha sido quando Taarabt passou a jogar mais avançado, nas costas de Raul De Tomas.

Como já foi referido, neste jogo o Benfica voltou a apresentar os problemas em ataque posicional que têm sido recorrentes esta época, quase de forma independente dos intervenientes. Para consumo interno vai chegando para ganhar jogos, mas contra adversários de maior valia, como é o caso da sólida equipa alemã, o que o Benfica joga é curto. Apesar disso, o resultado acabou por ser normal tendo em conta a qualidade de ambos os plantéis e justo pelo que os dois conjuntos apresentaram no relvado. Mesmo sabendo que o Leipzig não é uma equipa banal, o Benfica vai ter de melhorar muito para poder ter aspirações europeias.

 

Fonte da imagem: www.slbenfica.pt

Francisco Madureira

Nascido em Lisboa, sou louco por futebol desde que me lembro. Tenho mais jeito para ver e escrever do que para jogar. Cedo aprendi que é um jogo cruel, mas é também isso que o torna belo. Atualmente a licenciar-me em Ciências da Comunicação.

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