Empate num xadrez em que as peças não combinam

Panteras e leões anularam-se e repartiram pontos (1-1) numa partida onde as bolas paradas foram decisivas.

“Um novo Sporting”. Assim se pensava minutos antes da partida no Bessa começar. A estreia de Leonel Pontes no banco leonino foi acompanha pelas estreias de Bolasie e Rosier, a que se juntou a aposta na titularidade de Gonzalo Plata. No total, eram cinco as alterações promovidas pelo novo treinador do Sporting.

Ora, o jogo mal tinha aquecido e já se gritava golo no Bessa. Ainda nem tinha dado para perceber que Sporting era este e qual seria a sua forma de encarar o jogo. O que deu logo para perceber foi que Wendel tinha deixado a concentração no balneário. Perdeu a bola em zona proibida, fez uma falta escusada e levou amarelo, isto ao minuto 7′. E para azar do brasileiro e dos sportinguistas, Marlon, defesa esquerdo do Boavista, meteu a bola exatamente onde queria: dentro da baliza. Um golaço a abrir as hostes, num toque artístico muito pouco visto durante o resto do jogo.

Foram, de facto, os axadrezados que entraram melhor no jogo. Mais esclarecidos, com a estratégia bem definida e a saber exactamente o que queriam do jogo. Do outro lado, notava-se o oposto. Um leão desligado, desconfiado e desconfortável nas várias vertentes do jogo. Tal era refletido nos muitos erros e passes falhados que iam contribuindo para uma pobre definição. Era um Sporting que se ia conhecendo a si próprio à medida que o relógio corria. A primeira (e única) oportunidade dos verde e brancos na primeira parte só apareceu ao minuto 26′ e por Bolasie que aproveitou uma bola longa para colocar Bracalli à prova. Bolasie que terá sido das poucas notas positivas da equipa leonina.

A habitual agressividade do Boavista ia mandando no jogo, algo que esbarrava claramente com a lentidão de processos do Sporting. Uma equipa inerte, tanto coletivamente, como individualmente. E nesse patamar entra Bruno Fernandes que teve companhia durante a partida, de seu nome Ackah. Não entrando nos exageros de Leonel Pontes, a verdade é que só na primeira parte, o internacional português sofreu quatro faltas, três delas pelo médio axadrezado. Mas isso não explica, nem pode justificar, a ausência de dinâmica nos leões. Ao intervalo, a exibição do Sporting era pobre.

Jesé entrou para o segundo tempo, algo que veio aumentar os movimentos ofensivos do Sporting, mas que em nada alterou no capítulo da criatividade e esclarecimento que continuava a ser pouco. Mas em jogos parados, são as bolas paradas que costumam decidir. E assim foi. Minuto 62′, Bruno Fernandes bateu um livre direcionado a uma ponta da baliza, mas que foi bater à outra por desvio num homem da equipa da casa. O empate estava feito e pela primeira vez começávamos a ver um Sporting mais confiante e conhecedor daquilo que pode oferecer. Bolasie voltou a ameaçar e chegou mesmo a mandar uma à barra da baliza adversária.

No entanto, a equipa de Lito Vidigal não estava para aí virada. Ainda colocou a bola na baliza de Renan, mas o golo foi anulado. De resto, muito pouca história para contar. E as duas equipas são responsáveis por isso. O Sporting, pela sua exibição que não passou de alguns picos, e o Boavista, pelo seu futebol já habitual de “retirar o máximo de jogo do jogo”.

A partida não chegou a acabar com todos os intervenientes em campo, isto depois de Bruno Fernandes ter sido expulso por dupla amostragem de amarelos. Um jogo pobre, de uma equipa que parece estar com os mesmo problemas e ainda pouco conhecedora daquilo que são as suas peças. Segue-se a Europa.

Fonte da imagem: Getty Images

Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Licenciado em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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