01 | Os adversários Nacionais na Europa – RB Leipzig

SL Benfica, FC Porto, Sporting CP, SC Braga e Vitória SC. São estas as cinco formações, que nos vão representar na fase de grupos das competições europeias. O primeiro a entrar em campo é o campeão nacional, na UEFA Champions League, recebendo em Lisboa o RB Leipzig.

Com novo treinador e aspirações renovadas (principalmente a nível doméstico), convido-vos a conhecer o primeiro adversário das águias na sua caminhada europeia.

Treinador: Julian Nagelsmann.

Jogador Chave: Timo Werner.

Não se esqueça do nome: Lukas Klostermann.

Fase Ofensiva

O RB Leipzig irá ser sempre (como era o TSG Hoffenheim) uma equipa com uma enorme versatilidade tática, capaz de se ajustar não só ao adversário, mas também aos vários momentos e circunstâncias do jogo.

Exemplo desse comportamento tático flexível é este inicio de campeonato, uma vez que apesar de ter iniciado a Bundesliga com o sistema 5-2-2-1 (Union Berlin & Eintracht Frankfurt), frente ao Borussia Mönchengladbach abandonou a linha de cinco em favor do 4-4-2.

  • A constante sobreposição de movimentos (apoio e rutura) e a forma coordenada como os mesmos acontecem é uma das imagens de marca da equipa alemã.

Vemos como o movimento de rutura de Sabitzer desde o corredor interior direito (arrastando 2 adversários) cria espaço dentro. Um espaço automaticamente ocupado por Poulsen, que se oferece como apoio para ocupar o referido espaço. Lá está: Rutura ->Apoio.

Depois de receberem, quando não há espaço para rodar e enquadrar, têm sempre o apoio do MC em cobertura ofensiva. Um posicionamento que para além de garantir controlo por uma possível perda de bola, permite rodar rapidamente para o lado contrário.

Foi precisamente essa dinâmica que esteve na base do 1º golo frente ao Union.  Reparem nas semelhanças entre os dois lances, na forma como alternam entre combinações em passe curto num espaço reduzido, com um passe direto a variar o centro de jogo, muitas vezes apanhando o adversário desequilibrado.

O RBL é extremamente eficiente nos seus ataques, principalmente devido a esta coordenação entre os movimentos de apoio e de ruptura. Um ou mais jogadores apoiam o portador da bola, oferecendo linhas de passe curtas e arrastando os defesas, enquanto ao mesmo tempo outro jogador aparece nas costas da defesa (vice-versa).

A verdade é que conseguimos identificar várias equipas a realizarem movimentos parecidos, mas é o timing que realmente deixa os adversários numa situação frágil e fazem-no enquanto mantêm um posicionamento apropriado para lidar com uma eventual perda de bola.

  • Jogo Posicional, a base de tudo.

A 1ª fase de construção e o jogo posicional (com a ocupação dos 5 corredores) são muito importantes para os aspetos que abordei no primeiro ponto. No fundo, é este jogo posicional que permite as combinações curtas após o passe vertical, soltando depois nos homens que vêm de trás, como setas a atacar o espaço.

(Timming) Reparem que o movimento de Klostermann começou quando o passe de Mukiele para Sabitzer foi realizado, arrastando consigo o seu adversário direto e criando o espaço necessário para Demme manobrar e posteriormente fazer o passe.

E de um momento para o outro (8 segundos), depois de uma circulação paciente pelos 3 DC, o RBL consegue criar uma ocasião de grande qualidade.

  • ” Timming beats speed and precision beats power “.

Então e quando não dá para ser vertical de forma imediata? Quando não estão reunidas as condições para agredir o adversário de imediato? Somos inteligentes! Aliás … somos sempre!


Desde logo, os 3 jogadores na 1ª linha de construção, permitem ao RBL ter sempre vantagem numérica perante a 1ª linha adversária e assim ter uma circulação estável e dinâmica. (A base)

O objetivo é fazer a bola chegar aos Médios Ofensivos (posicionados nos corredores interiores) para estes acelerarem o jogo desde dentro. Quando esse passe está fechado, no 1º momento, a equipa recorre ao apoio frontal de um médio (que atrai a pressão) para abrir a linha de passe. (Dinâmica 3º homem).

Aqui, há que salientar o comportamento de Kampl, depois de entregar em Orban. Não fica parado, movimenta-se para se oferecer como apoio frontal a Werner. Uma atitude não só importante para dar seguimento à jogada, mas principalmente para deixar a equipa preparada para perder a bola.

Depois do passe vertical para o espaço entrelinhas (Orban->Werner), o adversário reage colapsando para o espaço central.
Segue-se o passe para fora, onde o ALE pode receber com vantagem dinâmica no corredor lateral vazio (vazio pela reação da equipa adversário ao passe vertical).

A circulação estável e dinâmica do Leipzig impede o adversário de ter acesso e condições de pressionar a bola. Isso mais os defesas centrais muito confortáveis com bola, permite aos alemães atacar de várias formas e ter uma fase ofensiva muito eficaz. -> Pela sua variabilidade.

Fase Defensiva

Como acontece nas grandes equipas (pelo menos aquelas que querem lutar por títulos), o RB Leipzig apresenta comportamentos defensivos coerentes com aqueles que já vimos na sua fase ofensiva.
➡️Equipa ativa -> Pressão constante na bola.
➡️Coordenada, também defensivamente, para agredir o adversário -> Reação coletiva a estímulos para o pressing.

É recorrente vermos a equipa alemã a procurar desconectar a construção adversária, com o objetivo de tornar a circulação previsível. Sabendo que é mais fácil estabelecer acesso (acesso = condições para pressionar (Distância etc…)) perante uma circulação de bola previsível.

  • Uso de “Armadilhas de Pressão”. Como podemos observar neste exemplo, que por pouco não resultou em golo.

Quando falamos da capacidade de uma equipa realizar o pressing, temos de falar também da sua capacidade em estabelecer acesso. Uma vez que, quando uma formação consegue estabelecer acesso ao adversário, toda a dinâmica muda.

Assim, a questão do timming é fundamental. Se no jogo com bola este aspeto do timming, como vimos, já está bem desenvolvido, ssem bola precisa de algum trabalho e tempo. Particularmente quando os adversários baixam os seus defesas laterais, para participar na 1ª fase de construção.

Debilidades

Perante um adversário com uma 1ª linha de 3, todos eles confortáveis em avançar com bola, Werner-Poulsen tinham muitas dificuldades em desconectar a circulação, ou seja, os alas laterais (azul) podiam receber sempre abertos no corredor lateral com tempo e espaço, causando dúvidas.

  • Situação chave, a explorar pelo Benfica:
    Procurar arrastar o Médio Interior até ao corredor lateral (obrigando-o a fechar no lateral ou no extremo).
    – Vemos aqui como quando o Médio Interior (Nkunku) é arrastado, a equipa fica extremamente débil na eventualidade do adversário conseguir jogador dentro.

Quando o adversário decide (como faziam muitas vezes o ano passado, frente ao Hoffenheim) envolver os seus defesas laterais na 1ª fase de construção e/ou fazer uma circulação bastante horizontal (esticando a 1ª linha do Leipzig) surgem os espaços e as dúvidas.

 

Vamos ver qual será a abordagem de Julian Nagelsmann, se vai manter o sistema de 5 ou alterar para o 4-4-2 que apresentou perante o Gladbach.

Enfim, Bruno Lage vs Julian Nagelsmann! Can’t wait!

João Mateus

A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.

One thought on “01 | Os adversários Nacionais na Europa – RB Leipzig

  • Setembro 12, 2019 at 5:27 pm
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    Muito bem explicado.
    Bruno Lage tem assim oportunidade de aplicar o seu jogo e dinâmica ofensiva, a partir de Grimaldo; e André Almeida; afunilando o jogo só para esses espaços, atraíndo os adversários.

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