No simples que se tornou complicado, Ronaldo descomplicou

Portugal venceu a Lituânia por 1-5 com poker de Cristiano Ronaldo e soma mais uma vitória importante na caminhada para o Euro 2020. 

“Uma final”, assim classificou o seleccionador nacional antes do confronto em Vilnius. E as finais são para ser ganhas seja em que “sintético” for. Cancelo, Rúben Neves e Félix foram as novidades no onze, mas as dinâmicas mantiveram-se as mesmas sustentadas num 4-3-3 com um ataque bastante móvel.

Ainda os jogadores portugueses se habituavam ao sintético da arena de Vilnius, já se apitava pénalti na área da Lituânia. Numa boa combinação entre Félix e Ronaldo, a bola acaba por bater na mão de um defesa lituano. Ora, Cristiano Ronaldo não perdoou. O jogo começava simples para Portugal, quase sempre com mais 60% de posse de bola. Embora o relvado não ajudasse e baixasse a qualidade mais técnica do jogo, a seleção nacional conseguia tirar partido de várias combinações pelas alas, privilegiando o cruzamento. Mas, e de forma inesperada, a Lituânia chega ao empate. E chega ao 1-1 a partir de um canto, uma das suas poucas armas. O jogo que se imaginou simples, ainda para mais com o golo precoce, complicou.

Portugal ia pecando no detalhe, isto é, ou no último passe, ou na finalização… Superior em todos os momentos do jogo, é certo, mas no capítulo da finalização as coisas não iam correndo bem. Os da frente, que tanto usam a técnica para desbloquear, bloqueavam quando era preciso. Ou pelo sintético, ou por falta de inspiração, ao que se adicionou a excelente exibição do guarda-redes lituano (até certa altura), que na primeira parte fez uma mão cheia de defesas. Por sua vez, eram raras as vezes que Lituânia chegava à área de Patrício, mas quase sempre com critério. A partida seguia para intervalo a ganhar contornos frustrantes, bem espelhados no semblante de Fernando Santos.

O segundo tempo começou com Portugal mais paciente e conservador, mas bastou cinco minutos para a paciência esgotar. Rafa entrou para o lugar de Bruno Fernandes e a equipa portuguesa passou a jogar numa espécie de 4-4-2 com Félix e Ronaldo na frente, algo que acabou por aumentar o caudal ofensivo da seleção. E de todas as maneiras que Portugal foi tentando, foi da mais improvável que a bola acabou por entrar. Num remate algo trapalhão de Cristiano Ronaldo, o guardião lituano defende, deixa a bola bater no ombro e esta desliza lentamente até à baliza. Num “frango” disfarçado de autogolo, Portugal passava para a frente do marcador. O golo acabou por ser dado ao capitão português. E como diz o capitão: “os golos são como o ketchup”. Dois minutos depois, estava feito o terceiro. O terceiro português, o terceiro de Cristiano, assistido por Bernardo Silva. Cerca de dez minutos corridos, chegou o quarto. Novamente pelo melhor marcador de sempre da história da nossa seleção, cada vez mais perto da marca dos 100.

O jogo estava fechado, mas o marcador não. Portugal acabou a dominar, como se previa, e justificou naturalmente a enorme superioridade frente a uma Lituânia com falta de armas, mas que com atitude ainda incomodou a equipa portuguesa. William Carvalho voltou a marcar e fechou o placard com um desenho de goleada. Portugal soma oito pontos, menos cinco que a Ucrânia e mais um que a Sérvia, mas com menos um jogo. Semana mais que positiva para o campeão europeu.

Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Licenciado em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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