Lembra-se de… Guti: um craque esquecido

José María Gutiérrez Hernández. Se perguntarmos à maioria dos adeptos de futebol de quem se trata, poucos saberão responder. Não é um nome que tenha ficado na memória dos aficionados pelo jogo.

No entanto, se falarmos na alcunha Guti, despertam-se belas memórias para quem acompanhou a carreira deste craque. A camisola 14 do Real Madrid. O seu mítico cabelo loiro comprido e um pé esquerdo como existiram muito poucos na sua época… Um jogador de culto.

Guti ingressou na formação do Real Madrid com apenas nove anos e, durante a sua primeira época na equipa B, foi lançado na equipa principal, por outro antigo craque, Jorge Valdano. Corria o ano de 1995. Nesse mesmo ano, foi campeão europeu de sub-18 pela Espanha. Três anos mais tarde viria a ser novamente campeão europeu, pelos sub-21 espanhóis.

Depois de algumas épocas sem muito espaço na equipa principal do Real Madrid, Guti afirmou-se na época 1998/99, na qual completou 28 jogos. 1999 foi ainda o ano em que Guti se estreou pela seleção espanhola, num jogo amigável frente à Croácia.

Com a chegada ao clube do astro francês Zinedine Zidane, Guti perdeu algum espaço na equipa principal, mas, ainda assim, participou em 46 jogos e conquistou a terceira Champions da sua carreira, com Del Bosque no comando.

A famosa equipa dos Galácticos idealizada por Florentino Perez, que juntou Ronaldo em 2002 e Beckham em 2003 a Figo, Zidane e Raúl, fez com que Guti, fosse quase sempre utilizado na condição de suplente e, por vezes, fora da sua posição de origem. No entanto, no período dos Galáticos, Guti participou em cerca de 40 jogos pelo Real.

A retirada de Zidane, em 2006, permitiu que Guti, já com 30 anos, fizesse duas excelentes temporadas, com Fabio Capello e Bernd Schuster a fazerem do Real Madrid bi-campeão espanhol, tendo sido o jogador com mais assistências (18) de La Liga em 2007/08.

Em 2010, Guti anunciou a sua despedida do clube merengue, tendo realizado 542 jogos em 15 temporadas na equipa principal. Depois do Real, seguiu-se o Besiktas, clube pelo qual assinou por duas épocas antes de terminar a carreira. Depois de conquistar a Taça da Turquia na sua primeira época, Guti acabou por rescindir o seu contrato a meio da segunda época e, alguns meses depois, colocou um ponto final em definitivo na sua carreira de jogador.

Em 2013 Guti iniciou a sua carreira de treinador, comandando escalões de formação do Real Madrid. Em 2018 rumou à Turquia para ser treinador adjunto do Besiktas. Existe a expectativa de que o madrileno possa vir a ser um treinador de qualidade, pelas caraterísticas que apresentava como jogador.

Guti passou grande parte da sua carreira na sombra de alguns dos maiores de sempre, mas que nunca saiu do clube que o formou até ter 33 anos. Só poderemos imaginar o que poderia ter sido o espanhol num outro contexto… Num clube diferente, numa altura diferente, Guti poderia ter deixado um legado ainda maior no futebol e ter tido até uma maior preponderância na seleção espanhola.

Teve momentos difíceis no Real, rezam as histórias que não tinha um feitio fácil no balneário, mas, num clube habituado a grandes estrelas do futebol mundial e a transferências milionárias, Guti Hernández foi um caso raro de um jogador low-profile que passou 24 anos no clube que o formou sendo adorado pela afición de Madrid. Conseguiu ganhar cinco campeonatos espanhóis e três Champions, marcou 77 golos e chegou a ser capitão. Não é para qualquer um!

Guti não foi um Zidane. Não foi um Figo. Não foi um Beckham. Mas foi um craque, um jogador subvalorizado que merecia bem mais reconhecimento pelo mundo do futebol. Falta agora ver se a sua qualidade enquanto treinador está próxima da que mostrou como jogador…

 

Em baixo, alguns dos melhores lances de Guti Hernández no Real Madrid:

 

 

 

 

 

 

 

Francisco Madureira

Nascido em Lisboa, sou louco por futebol desde que me lembro. Tenho mais jeito para ver e escrever do que para jogar. Cedo aprendi que é um jogo cruel, mas é também isso que o torna belo. Atualmente a licenciar-me em Ciências da Comunicação.

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