Um leão que continua de cabeça bem baixa

Um embate de leões que terminou em empate. O Sporting visitou o Estádio dos Barreiros, um local onde nos dez confrontos anteriores, só conseguiu vencer por três vezes. Aliás, o saldo mais recente, sem contar com este, são dois empates e uma derrota, a que deitou por terra o sonho do Champions na temporada 2017/2018. Então depois do desfecho da Supertaça, a tarefa não se adivinhava nada fácil para o clube leonino. Do outro lado, estava um treinador, Nuno Manta Santos, que já sabia o que era ganhar aos leões (fê-lo ao serviço do Feirense), mas que já não ganhava há 18 jogos para o campeonato.

As jaulas abriram. O leão de Alvalade procurava ganhar novo fulgor. O leão que mais precisava de “levantar a cabeça”. Mas a “cabeça baixa”, pedida por Bruno Fernandes, ainda estava bem baixa nos primeiros minutos. E como já se sabe que o futebol decide-se em segundos e aproveita-se nos erros, foi exatamente isso que aconteceu. Numa jogada pela esquerda, Thierry Correia, jovem lateral que tem sido aposta de Keizer, comprometeu e permitiu que John Cley fugisse e mais tarde assistisse para a finalização de Getterson. Aos 8′ minutos, o leão de Almirante Reis rugia pela voz do Caldeirão. Aquele lado direito do Sporting continuava a ser explorado pelos madeirenses, não só pela falta de experiência de Thierry, como pelo facto de este já ter comprometido uma vez.

A equipa de Alvalade tinha mais bola, mas criava pouco perigo. Lá chegou aos 26′ com uma pequena ameaça de Luiz Phellype e logo depois aos 28′ com uma grande ameaça do já inevitável Bruno Fernandes. Numa analogia astronómica, os jogadores verde e brancos são os várias planetas que giram à volta daquilo que possui a luz, o Sol. Ou seja, é ele e mais dez. E é exatamente a partir dos pés do capitão, do chefe, do maestro, do que lhe quiserem chamar, que o Sporting chega ao empate. Surge o cruzamento teleguiado para a área que Coates aproveitou e bem para selar aquele que viria a ser o último abanão de redes. Mas isso ainda não se sabia e numa questão de minutos, os comandados de Keizer tiveram duas oportunidades para passar para a frente do marcador. O golo do empate galvanizou a equipa do Sporting que estava melhor na partida, mas a igualdade permaneceu no final dos primeiros 45′ minutos.

A quantidade de palavras que usaria para descrever os primeiros 30 minutos da segunda parte, certamente que seriam menores das que utilizaria para espelhar o que se passou nos últimos 15 minutos. E quem viu o jogo percebe porquê. Estávamos perante duas equipas idênticas no relvado. Mesmo sistema, mesmos processos, não era por acaso que estávamos perante dois leões. O Marítimo defendia bem, com duas linhas de quatro bem fechadas e organizadas e o Sporting só esporadicamente incomodava a zona defensiva mais central dos verde-rubros. Até que chegamos aos 75′ minutos e o Sporting começa a jogar em 4-4-2, depois da entrada de Vietto e Bas Dost. Seguiu-se uma ponta final de cortar a respiração. Maeda cabeceia ao posta da baliza de Renan que ficou plantado no relvado. Quatro minutos, foi a vez de Raphinha desperdiçar, mais uma vez. Não esteve nada feliz o extremo brasileiro. Ele e a maioria da equipa do Sporting.

A verdade é que mesmo com mais bola e suposto controlo do jogo, foi o Marítimo quem esteve sempre mais perto do segundo golo. Seguiu-se um remate muito perigoso de Cley e depois uma excelente defesa de Renan a uma bomba de Correa (o melhor do Marítimo). Raphinha ainda viria a chutar aos ferros da baliza de Charles, mas estava em posição irregular.

Depois do desaire frente ao Benfica e agora deste empate quase transformado em derrota, se o Sporting ainda não está preocupado, algo de errado se passa. A falta de ideias é notória e quando aparecem, concentram-se apenas num homem que pode muito bem não estar daqui a um mês. A cabeça deve permanecer baixa então, isto porque os sinais são bem negativos para um Sporting que nem na pré-época, nem a contar, consegue vencer.

Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Licenciado em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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