OPINIÃO: É normal até deixar de ser

O caldo parece ter entornado. Danilo Pereira e Sérgio Conceição desentenderam-se. O jogador português terá sido expulso segunda-feira à noite do estágio dos dragões no Algarve. Ora, o Porto diz que Danilo foi autorizado a tratar de assuntos pessoais. A verdade é que o médio abandonou o estágio e esteve os últimos dias a treinar sozinho no Olival. Por que razão? Tudo aponta para uma briga entre um dos capitães azuis e brancos e o técnico português.

A ser verdade (porque é preciso ter cuidado com o “diz que disse”), já não é a primeira vez que algo acontece no seio da equipa orientada por Sérgio Conceição. Já não é novo o treinador português ter problemas com jogadores seus, exemplo de Soares, Marega e Sérgio Oliveira. Tudo passou e a paz e compromisso falaram mais alto. E, de facto, é caso para dizer “Bem-vindos ao futebol”. O desporto também é isto: paixão, emoção, discórdia. Certamente que todas as equipas têm as suas desavenças, como todas as boas famílias, mas há aqui factos que têm de ser apontados e que não agouram nada de bom para uma equipa que tem uma pré-eliminatória milionária ao virar da esquina.

Primeiro, há aqui um padrão. Sérgio Conceição é o tipo de treinador que usa mais vezes o coração do que a cabeça. Isso tem as suas vantagens, mas também tem o outro lado. E o outro lado está refletido neste último conflito e em todos os outros passados. Há quem diga que estas coisas só tornam o grupo de trabalho mais forte, mas chega-se a um ponto em que se começa a delinear um padrão e a pessoa que mais tem a perder é o treinador. Perde o treinador, perde a equipa toda que deixa de estar com ele. Para já, tal não aconteceu, mas isso significa que não possa vir a acontecer. A gestão dos recursos humanos é uma parte importante na tarefa de ser treinador. E com isto não quero menosprezar a maneira de gerir o balneário de Sérgio Conceição, mas por vezes o risco é pisado.

Em segundo lugar, mais uma vez, os conflitos são normais. O que não é normal, na minha opinião, é expulsar um capitão de equipa, note-se, um capitão de equipa de um estágio de pré-época prestes a terminar. Desafio o leitor a procurar algum caso semelhante. Eu pessoalmente não conheço. Há ainda rumores que Sérgio Conceição terá mesmo colocado em causa as qualidades de liderança de Danilo Pereira, em frente a todo o grupo. Rumores à parte, mais uma vez repito: o normal tem as suas fronteiras e parece-me que aqui foram ultrapassadas. Este tipo de situações está longe de ser positivo para qualquer equipa. Principalmente para o FC Porto que precisa de estar unido, comprometido e focado para alcançar uma importantíssima qualificação para a Liga dos Campeões e para a atacar uma reconquista do título nacional.

Ao que tudo indica, Danilo Pereira voltará a ser integrado nos trabalhos portistas e a braçadeira de capitão não deverá estar em risco. Porém, a ferida está bem aberta.

Ricardo Oliveira

Oriundo da mesma terra do melhor jogador do mundo, a paixão pelo futebol não podia ser maior. Licenciado em Ciências da Comunicação na FCSH, gosta de escrever e está sempre de braços abertos a novos projetos.

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